A grande recompensa no mundo da crítica é ter olhares técnicos e refinados quanto aos pequenos detalhes, os quais passam desapercebidos por vistas leigas, desta forma, fornecendo uma maior riqueza de detalhes, interligações cênicas praticamente transparentes, ínfimas linhas tênues não só “interfilmes”, como também cotidianas, históricas ou cinéfilas. Todavia, tamanha benevolência, tem suas desvantagens, das quais, uma das mais importantes é a não observância do conteúdo como um todo, devido a forte apegação por ligeiras minúcias, de cujas importâncias não influenciam no contexto geral do enredo.
Como assim?
Se focarmos olhares para “possíveis erros” como “Thor (Chris Hemsworth) sendo extremamente estrategista, mudando totalmente princípios de seu personagem, nos levando a pergunta – tal mudança se deve ao fato da troca de diretores (Kenneth Branagh por Alan Taylor) ou por um simples amadurecimento?”, “como que Jane Foster (Natalie Portman) foi parar no lugar mais secreto das galáxias, impossível de ser achado?”, “piadinhas excessivas, sendo por vezes, desnecessárias” ou “quais efeitos colaterais que a atriz teve em relação a posse do éter? Sonolência?”. Enfim, se o seu objetivo é encontrar erros, você com certeza os achará, no entanto, peculiaridades como as supracitadas, não vem de encontro ao enredo principal, sendo considerados assim, de mera “figuração” no que diz respeito à magníssima conjectura geral.
Tal trama nos propiciou belíssimas cenas (exemplo: a do funeral), combates excitantes, romance, efeitos especiais perfeitos (as inúmeras trocas de realidade na luta de Thor e Malekith foram excepcionais), humor irônico incontestável por Loki (Tom Hiddleston), comédias oriundas dos colegas de trabalho de Jane (consideradas exageradas, porém com momentos realmente hilários), drama, ficção científica, dentre outras características.
Fora tais exemplos, os quais perfazem características de um filme completo, atuações magnânimas também são perceptíveis, das quais podemos citar a do próprio protagonista, onde sua identificação com o personagem é impecável; Anthony Hopkins (Odin) e Natalie Portman mantêm padrões profissionais únicos; e um destaque para o excepcional sarcástico e debochado Loki, uma vez que pitadas de humor irônico, em momentos cruciais, tornam o longa mais envolvente e engraçado.
Deste modo, a um ver geral apresentado por este longa, nota-se não só uma total evolução em relação ao primeiro, como também uma boa pedida para o final de semana, promovendo ainda aquele gostinho de “quero mais”, assim arrematando a surpreendente nota 5,0.