Tensão é a melhor palavra para definir este filme. O diretor inglês Paul Greengrass, já experiente em filmes de ação como o claustrofóbico Vôo United 93 e dois filmes da série Bourne, faz um filme bastante intenso, que foge um pouco da pirotecnia reinante nesse gênero e cria um filme conciso, que preza por um ótimo e cativante roteiro, injetando adrenalina por suas ações aterradoras, imprimindo o medo e o acuamento nos rostos em close up de seus excelentes atores, encabeçado por ninguém menos que Tom Hanks, mais uma vez mostrando porque é definitivamente um dos melhores atores da história do cinema americano. Sua performance, já comentada por muitos como indicável ao Oscar do ano que vem, mostra as nuances de um protagonista forte, que precisa manter a calma mesmo quando as coisas saem do controle. Além disso, pelo menos duas cenas do filme são simplesmente das mais marcantes do ano devido ao talento e sensibilidade do ator. Ficarão na minha memória por bastante tempo, creio eu. Bem, o filme traz aquela velha premissa de que os americanos são herois, patriotas e fazem de tudo pra salvar um de seus cidadãos por mais difícil que a situação possa parecer, enquanto os pobres africanos são bandidos sanguinolentos, que apesar das exclamações de não serem da Al-Qaeda, são tratados como terroristas internacionais, vítimas de uma sociedade cruel e miserável terceiro mundista. Pode ser um mero reflexo da realidade? Sim, mas elevado à milésima potência. Exemplo disso é a participação de um jovem adolescente no grupo de piratas, cuja relação com Phillips é bastante reveladora. Mas excluindo essa certa visão de idolatria à bandeira estadunidense e o repúdio de ações extremas e desesperadas de um grupo de bandidos somalis, o filme é praticamente impecável. Nas cenas de maior apelo emocional ou tensão, a câmera tremida causa aquela sensação de medo do que pode surgir na tela a seguir. Um filme que não traz uma ação corriqueira e explosiva, apostando, na verdade, no drama e suspense para tenta mostrar uma realidade triste e angustiante de um jogo onde os perdedores são levados aos extremos de forma cruel e supostamente sem saída.