Quando você vai assistir à uma produção cinematográfica de longa metragem, o que se espera é poder sentir o impacto do filme em você, dentro de você.
Para que tal coisa aconteça, é muito necessário entender o filme, sendo assim um filme de difícil entendimento ao público geral será sempre mal visto e prejudicado por não alcançar o espaço deixado nas mentes das pessoas entre o "gostar ou não gostar".
'Círculo de Fogo', entre seus erros e acertos, comete um erro grave em roteiro e direção. Por ser um filme de público mais restrito, voltado ao público masculino, o filme já lança mão um pouco de agradar uma vasta quantidade de pessoas, mesmo que uma das principais personagens seja uma mulher. Mas, tudo piora quando o filme demonstra alcançar rapidamente um nível muito acima da mentalidade de um espectador comum, o que faz com que as cenas de ação pareçam porradaria exagerada.
Por justo não amenizar na história ou falas, ou suavizar mais os diálogos, a direção escolhe por restringir ainda mais o seu já público-alvo, e isto prejudica e muito até o que a história tem de bom a apresentar.
Como a qualidade da fotografia nas cenas é incrível, notando-se à distância o investimento caro da produtora em efeitos especiais, o filme promove cenas incríveis, no entanto eis que a ganância da produção piora a situação ao investir na conversão para o 3D PÓS filmagem, o que o torna um filme meramente comercial que engana espectadores e enfraquece notoriamente a qualidade sua visual, desvirtuando assim o ponto mais forte do longa-metragem.
Todavia, o longa consegue manter pontos fortes interessantes como o desenvolvimento de personagens, assim como a Mako, que por ser uma mulher (uma tentativa boa de representar o círculo feminista num universo masculino) com um grande propósito, tem uma construção notável ao demonstrar forças e fraquezas, humanizando mais o filme em sua luta de robôs gigantes contra alienígenas, dando a oportunidade de familiaridade ao espectador que passa a ter também um motivo para a vitória.