Ontem finalmente fomos assistir ao filme “Os Miseráveis” no cinema. É uma grande produção que tem merecido grande destaque na mídia, e elogios rasgados dos fãs de musicais, especialmente com respeito ao revolucionário método de gravação do som, registrando simultaneamente imagem e canto dos atores no set de filmagem. Um tour de force somente possível com o uso de muita tecnologia, e grande dedicação do elenco. Bravo!
Eu gosto de musicais, embora não seja daqueles fãs extremados. Acontece que o filme “Os Miseráveis” não é propriamente um musical tradicional, na verdade ele é basicamente uma ópera filmada. Para quem gosta de ópera, o filme é um verdadeiro banquete, mas e para quem não gosta? Nesse caso, o espectador vai ter que procurar outros atrativos no filme, que já que praticamente todos os diálogos são cantados. Sim, é assim que funciona, os atores só falam cantando. Além disso, o diretor optou por manter o plano bem fechado nos atores durante as cenas, enfatizando o canto ao vivo, porém empobrecendo um pouco o rico visual cenográfico.
Algo que me incomodou foi o fato de que optaram por traduzir todas as músicas, mas como os planos são muito fechados, as legendas brancas ficaram nas laterais das cenas, que são escuras. Esse contraste tira um pouco da concentração, ao mesmo tempo em que se você prestar a atenção na legenda, você deixa totalmente de ver as expressões dos atores cantando. Acho que centralizar as legendas teria sido uma melhor opção.
O filme é muito bem feito, os atores estão formidáveis, a cenografia, caracterização e figurinos são impecáveis, a fotografia e os efeitos especiais são fantásticos, enfim é um belo espetáculo que merece ser visto, porém, em momento algum o filme me emocionou. Justamente as maiores virtudes do filme talvez sejam também os seus principais defeitos. O fato de o filme ser sempre cantado, e os atores focalizados em close, não deixou que eu me envolvesse pela história, de certa forma deixando-me do lado de fora da ação. Como o filme é longo, infelizmente em alguns momentos fiquei ansioso para que ele terminasse logo! Minha mulher teve a mesma sensação.
“Os Miseráveis” não me emocionou, mas conheço pessoas que amaram com paixão. Posso acrescentar que a sala do cinema estava com uns 70% da lotação, mas em nenhum momento o público se manifestou, assistindo a tudo no mais completo silêncio. Não sei dizer se isso é bom ou ruim. Recomendo que você assista e tire suas próprias conclusões.