É um filme problemático e definitivamente não é pra quem não gosta de musicais. Eu, adoro. E mesmo assim, achei que o filme tem diversos equívocos. A direção de Tom Hooper tentando deixar tudo maio do que já é beira o risível (planos inclinados com a câmera tremendo... really?). É sim muito bom abraçar o fato de que a história é brega, enorme e épica, mas precisa acentuar isso em todos os momentos do filme? A montagem é caótica e algumas sequências têm problemas GRAVÍSSIMOS de continuidade.
Não sei também se essa história, principalmente da segunda parte em que o cunho político cresce com força, vá agradar a muitas pessoas. Acredito que só aos realmente fãs de Os Miseráveis. Os demais se emocionarão com o romance, as cenas bonitas, as emoções manipuladas... Coisa que não deu muito pra engolir, não nesse filme.
De bom, salva-se Hugh Jackman. Ele tá bem (mas não indicaria ao Oscar). Samantha Barks é outra grata surpresa. E claro, Anne Hathaway, que surge pra arrebatar. A sala de cinema inteira ficou sem palavras e emocionada, dá até pra notar. Sua performance de "I Dreamed a Dream" é, sem dúvida alguma, a melhor coisa do filme inteiro. Eu diria que poucas atrizes mereceram, instantaneamente, um Oscar só por uma cena - de absurda qualidade. A presença de Hathaway é tão forte e tão intensa que impressão que dá é que quando Fantine sai de cena, o filme perde o brilho que tinha. E a história de Jean Valjean torna-se desinteressante.
A impossibilidade de identificação com esses personagens é um dos piores erros. Tom Hooper ficou tão histérico na direção dessa vez, que não deixa o espectador sequer respirar. E podia ser tão melhor...
E pelo amor de Deus, Amanda Seyfried, pare de cantar!!!!!
Você também, Eddie Redmayne, única pessoa no mundo que eu vi DESTRUIR uma música tão autossuficiente quanto Empty Chairs at Empty Tables. :'(