Roteiro recheado de clichês e previsível. "50 Cent" como ator não vale nem isso, atuação digna de um filme dos Trapalhões. Salvam-se a ótima atuação de Forest Whitaker e as excelentes cenas de luta que fazem do boxe a "Nobre Arte" e o esporte de maior plasticidade para o cinema. Assista se você for muito fã de boxe, como eu sou.
Engana-se quem pensa que o filme Nocaute é meramente violento. O filme é muito mais. É tocante através da história bem contada de como é fácil cair do céu ao inferno e em como isso afeta a vida de quem amamos. A cereja do bolo fica com a garotinha Oona Laurance, que chora e faz chorar, e muito! Confira!!!
Jake Gyllenhaal arrebenta no papel do boxeador Billy Hope, que nasce sem nada, ganha tudo com o boxe e perde tudo com a morte trágica de sua esposa. O filme aborda duas coisas, estar preparado para o sucesso e o dinheiro e como conseguir se levantar após uma "pancada" recebida pela vida. Forest Whitaker, brilhante como sempre, é o choque de realidade que Hope precisa. Oona Laurence, que surpreende como a filha Leila, é o complemente perfeito para este drama.
"In Memorian of James Horner". Aproveitando a primeira frase que surge nos créditos do filme, irei começar falando da trilha sonora. A trilha é tocante, leve e sugestiva como já era de se esperar de um trabalho vindo de Horner. Porém, fiquei um pouco frustrado em como ela foi usada. Em alguns momentos ela surge de maneira muito brusca, quebrando um pouco a sutileza que imagino ter sido a intenção de James Horner ao compô-la. Não chega, entretanto, a incomodar. Em contraponto, há uma segunda trilha sonora no filme, feita de músicas mais pesadas, que funcionam, mas destoam abruptamente aos momentos dramáticos. Aliás, uma das coisas que incomodam no filme é a alternância entre momentos de drama e momentos de ação, que gera um certa preocupação acerca do tom do filme. Nada, porém, que chegue a ser ruim. O tom é bom. Clichê, mas ainda assim, bom. O jogo de câmera e a edição estão sensacionais. As cenas de luta são marcadas por uma fotografia televisiva e uma edição frenética que nos fazem acreditar que estamos vendo uma luta real. As demais cenas se assemelham um pouco a esse ritmo, principalmente com a filmagem em diversos ângulos incomuns, que se alternam de maneira rápida. Não tão intensamente quanto nas cenas de luta, mas com uma fluidez que não consegue se esconder de olhos atentos. A melhor coisa do filme, no entanto, fica a cargo das atuações. Oona Laurence está surpreendentemente bem, especialmente para alguém da sua idade. A atriz embarca com tudo na problemática da personagem, e não sai da interpretação nem por um momento sequer. Jake Gyllenhaall, como já era de se esperar, é a melhor coisa do filme. O ator faz um trabalho fantástico que, por si só, já vale o ingresso. Mais uma vez, ele se entrega completamente ao papel. Seu personagem pode até ser batido e previsível, mas ainda assim, o ator convence. Há uma verdade profunda na atuação de Gyllenhaal, principalmente em expressões físicas com gestos e especialmente no olhar profundo que transmite todo o peso do arco dramático pelo qual ele está passando. Já se fala em uma possível indicação ao Oscar. A estatueta ainda parece algo distante, mas ao menos uma indicação já seria justa.
Recomendo assistir. O filme te envolve de todas as maneiras possíveis com grandes reviravoltas e uma grande lição de vida. Você vai ficar com ódio de personagens que antes você ficava com pena, depois você fica agoniado por outras razões e depois você se envolve na torcida pelo protagonista de forma vibrante. Jake Gyllenhaal demonstra uma excelente atuação com um personagem totalmente problemático e Forest Whitaker faz totalmente o que se espera dele.
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