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Pitacos.cinematográficos
28 seguidores
71 críticas
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4,0
Enviada em 4 de agosto de 2015
Enquanto Somos Jovens é um ótimo filme, e aconselho tanto aos que gostam de filmes autorais, mas acham o Ben Stiller um idiota, quanto aos que gostam do Ben Stiller, mas acham filme autoral coisa de intelectual chato. Todos irão se surpreender.
Enquanto Somos Jovens mantém um roteiro tão bom e atuações tão alheias a isso (embora sempre interessantes) que suas falas parecem querer dizer muito mais ao espectador do que para seus próprios personagens. Ou talvez seja apenas a voz dentro da minha cabeça relembrando minha decisão atual de não ter filhos. Ainda é bom lembrar que, se a discussão central girasse em torno de ter ou não rebentos de carne-e-osso, essa seria uma das comédias que já conhecemos de Ben Stiller (com uma sempre inspirada Naomi Watts). Porém, ao mesclar o tema com filhos mais "autorais", como documentários, o filme enriquece ambos os lados, ainda que acabe envolvendo mais o segundo, já que seres humanos bebês são apenas uma desculpa para falar de algo mais importante.
Noah Baumbach conseguiu fazer de Frances Ha um filme pequeno, independente, mas que possui uma grandeza intrínseca e um quê de Nouvelle Vague delicioso. Agora em Enquanto Somos Jovens ele realiza um filme não tão independente quanto o anterior e que mesmo não sendo uma obra que nos envolva tanto tem seu mérito ao abordar um tema interessante e atual, que destila seu lado cinéfilo e que joga o foco de luz mais uma vez para relações interpessoais e sobre o jovem. Apesar da sinopse no caso deste filme não ser algo que realmente fale sobre a história dele, pelo menos, ela é válida para apenas introduzir o tema do longa-metragem. Josh e Cornelia (Ben Stiller e Naomi Watts respectivamente) são um casal em que o casamento caiu na rotina e que estão na casa dos quarenta anos. Josh é um documentarista e Cornelia filha de um famoso diretor de documentários. Eles tem um casal de amigos que acabaram de ter um filho e então ocorre um certo afastamento na relação de amizade já que Josh e Cornelia não tem filhos. A medida que esse afastamento acontece, eles conhecem um casal de jovens (Jamie e Darby –Adam Driver e Amanda Seyfried) que irão despertar neles um lado jovem que estava adormecido há algum tempo. É muito bom quando os filmes conseguem transmitir ideias através de seus planos. Neste longa o diretor consegue transmitir. Noah Baumbach consegue ter um bom mise en scene e planos muito bons que transmitem ideias. A falta de sintonia entre casais que possuem filhos e não possuem e as ideias contraditórias que acontecem em algumas cenas é muito interessante. Assim como nosso casal de protagonista enxergam problemas ao ter filhos eles se contradizem em suas ações. As cenas que também expõem sentidos opostas que falam por si só, trazendo uma relação contraditória entre tecnologia e antiguidade são destaques interessantes. Assim há uma relação inicial entre tecnologia/frieza x antiguidade/afeição. Sem contar a contradição entre jovem x antiguidade e adultos x tecnologia, pois isso é justamente o contrário. Essa exposição através dos quadros foi uma boa criação do diretor. O roteiro escrito pelo diretor tem seu maior foco na juventude. É destaque, assim como em Frances Ha, falar do crescimento interior e da transição da juventude para a fase adulta, assim como esse jovem irá se encaixar no mundo. Em Enquanto Somos Jovens o diretor fala tanto sobre a perda da juventude e sobre a forma do jovem se afirmar no mundo. É notório e comum a transição entre o jovem e o adulto e isso é muito bem abordado no filme, mas a inserção do jovem no mundo é mais uma vez um tema em sua filmografia. Jamie para se encaixar no mundo tende a se utilizar de uma maneira duvidosa e isso é muito importante para se falar da falta de moral e ética que deixou de existir em prol do que entendem por vencer na vida, onde dinheiro e fama é algo mais importante do que qualquer coisa. As relações interpessoais são deixadas de lado e o eu (ego) passa a ser o mais importante na vida do ser humano. O diretor através de seu roteiro sempre tenta encaixar em seus filmes seu lado cinéfilo e por isso não deixa de citar filmes durante a narrativa. E se ele gosta de falar sobre cinema um dos temas que é abordado é justamente o ficcional e não ficcional seja de documentário ou de filmes. Dessa maneira ele expõe o quanto devemos ter cuidado em filmes que dizem ser baseado em história real. Muito deles apresentam muito mais um lado ficcional do que real para justamente ganhar prêmios e dar uma rasteira emocional no espectador. Ao mesmo tempo em que o roteiro é um dos pontos fortes do filme, podemos falar que ele tem pontos fracos. Há algo que incomoda na maneira como ele é conduzido. Ele começa com um tema e de repente acaba caminhando para falar de outro para no fim falar sobre um tema abordado no começo. Isso tudo poderia funcionar, mas aparentemente não parece ser tão fluido. A forma que ele termina, justificando os atos, vai de encontro a tudo que o protagonista pensa como correto e essa justificativa leva o espectador, depois de tudo que é visto, a ir de encontro com o que é dito. Ao mesmo tempo que ele filma mostrando a relação tecnologia/frieza X antiguidade/afeição durante o filme, ao chegarmos no final essa relação não existe, pois o que importa é a experiência e não algum tipo de relação. Apesar do roteiro não ser tão coeso, ele apresenta ótimas ideias e questionamentos que nos faz refletir. Há cenas bem construídas e que conseguem passar ideias e ao terminarmos o filme lembraremos muito mais do ótimo debate que ele levanta do que de algo contraditório.
Muito bom! Pra quem gostar de um Drama com uma pegada romântica, vale apenar assistir! Ben Stiller atual muito bem fazendo um papel de cineasta de documentário, que a muito tempo, não produz nenhum documentário e sua esposa (Naomi Watts) que sua atuação nesse filme, não me chamou muita atenção, mais gostei também das atuações do casal mais jovens (Adam Driver, Amanda Seyfried) que fazem parte de todo desenvolvimento do filme
Boa tarde. Fui visitar o antigo cinema Espaço Estação, atual Net Rio, na Voluntários da Pátria. Eram 3 salas, agora são 5. Eu vi "Enquanto somos jovens" na Sala 5. O equipamento digital não é tão espetacular quanto o da Sala 3 do Net Gávea. O filme também não é "uma comédia bem acima da média", como avaliou a crítica. Senti-me tão enganado, quanto o desprestigiado personagem principal. Talvez eu me sinta assim por ser 30 anos mais velho do que o quarentão deslocado do filme.
Boa diversão um filme para refletir sobre a vida na modernidade em que o ideal de eterna juventude é tão presente e o medo de envelhecer... Tema legal trabalhado com certa dose de humor.
O filme conta a história de um casal na casa dos 40 que redescobre parte da sua relação com o mundo e com o outro. Mostra como o tempo e a auto-exigência tira de você a leveza e a espontaneidade. Por meio de um quadro de "combate de gerações", no qual um casal mais jovem aparece para mostrar a perda do frescor da relação do casal quarentão, a história se desenrola contornando outros temas, tais como como a tecnologia ajuda na perda desse frescor nas relações e como somos complexos, pois ninguém é sempre bom moço na vida. Ele não é nada muito emocionante ou perturbador. Não o faz ficar com o filme na cabeça pensando nas questões postas, mas é uma forma razoável de passar o tempo. As interpretações não tocam, mas não decepcionam. São medianas. O filme mostra a importância de se manter relações sem o peso do comodismo e como se redescobrir e redescobrir o mundo é o melhor rejuvenescedor que existe. Além de tudo isso, também passa a mensagem de como é maduro você se aceitar e que se redescobrir não implica diretamente na sua perda de identidade, mas da consciência de ser quem você é e a partir desse autoconhecimento se abrir para experimentar coisas novas.
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