Amor
Média
4,3
507 notas

71 Críticas do usuário

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Adriano Côrtes Santos
Adriano Côrtes Santos

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5,0
Enviada em 17 de março de 2019
Obra-prima francesa, Amor é uma das mais puras e íntimas películas contadas no cinema mundial. Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva), dois reformados professores de música, acabam de regressar de um concerto. Na manhã seguinte, Anne sofre um acidente vascular cerebral e fica com o lado direito do corpo paralisado. O amor do casal é colocado à prova, conforme o estado de saúde de Anne se deteriora. Amor é tão minimalista na forma como aborda a vida e a morte, a doença e o afeto que o espectador partilha com o casal, cada momento. Acima de tudo a compaixão e a cumplicidade entre ambos. Amor é um panegírico à vida humana, à condição humana de contrariar as adversidades e de eventualmente aceitá-las, encontrando no revés a possibilidade infinitamente pequena de felicidade e carinho. A enfermidade exige repensar e considerar o fim de um ciclo quer para Georges, na iminência da solidão, quer para Anne na iminência da escuridão. Amor é realizado por Michael Haneke (Violência Gratuita, A Fita Branca) um dos raros diretores que são capazes de uma profunda reflexão com tão pouco. Um filme deliberadamente privado da surpresa e do espanto. A realização despretensiosa dá espaço à complexa e crua interpretação tanto de Jean como de Emmanuelle, tão honesta e verdadeira que é impossível não sentir o filme profundamente. Amor não é um romance, nem um drama: é um enxerto da vida como a conhecemos. Indicado ao Óscar 2013 nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Estrangeiro, vencendo essa última.
Juarez Vilaca
Juarez Vilaca

2.918 seguidores 393 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 24 de janeiro de 2013
Um filme muito bem feito em tudo, direção, atuações, locações, enredo, perfeito, embora muito triste, é um drama. Como é um filme com pouca ação, o expectador deve prestar muita atenção nos diálogos e expressões dos rostos, tudo tem um motivo para estar ali. O tema, muito recorrente no cinema francês, e assunto que hoje preocupa toda a Europa, o envelhecimento da população e como lhe dar com a questão. Qual a melhor solução? Cuidar dos idosos em casa? Colocá-los em abrigos e casas de repouso? Viver em comunidades? Ou apressar sua partida para o outro lado, recorrendo a eutanásia? O tema está aberto para debates e soluções. No caso em questão um casal de idosos optam por continuar em casa um cuidando do outro, até a chegada da hora da partida. É um filme muito comovente, por ser bem feito e mostrar uma realidade quase de documentário. Quem está nessa faixa de idade, ou tem alguém na família não pode deixar de assisti-lo.
Franklin  S.
Franklin S.

68 seguidores 107 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 24 de dezembro de 2014
Um filme perfeito em todos seus aspectos,mas que pede a atenção de quem o assiste,afinal é um drama bem intenso,tanto em suas atuações,que aliás são impecáveis,quanto em seu enredo.
Michael Haneke é direto em sua história,como em toda sua filmografia,e aqui faz mais um filmaço.
Voltando a falar das atuações,Emmanuelle Riva constrói 'Anne' forte,perante a doença que lhe deixava cada vez mais frágil,junto ao seu companheiro Jean-Louis Trintignant que tenta manter 'Georges' cuidadoso com a esposa e sempre sensível em seu modo de tratar.
''Amor'' é um filme forte,angustiante,mas ao somar de tudo é brilhante.E como diz um personagem no filme... Foi Lindo,mesmo que triste,Vê-lo.
Mateus F.
Mateus F.

40 seguidores 77 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 26 de setembro de 2013
O legítimo filme "para todos e para ninguém" hahahahaha. Porque é simplesmente um filme dificílimo de ser "engolido", é cruel, por vezes sádico e causa desconforto. Não é a toa que ganhou a Palma de Ouro e é um filme de Haneke rs. Não poderia ser diferente. Na verdade, depois de muito tempo que eu fui gostar dele, demorei a entender e a aceitá-lo. Só não achei justo o filme estar nos indicados ao Óscar de melhor filme junto com os americanos (e nem Emmanuelle Riva ter perdido para Jennifer Lawrence) e não apenas com os estrangeiros. Sabemos que o Óscar não daria os dois prêmios para o filme, e nem era necessário, mas quem sou eu não é mesmo? Atores que sabem o que fazem, e um dos melhores diretores da atualidade.
Khemerson M.
Khemerson M.

61 seguidores 74 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 29 de dezembro de 2014
Dono de uma filmografia impecável cujo intuito é escancarar, de forma muitas vezes brutal, a posição de voyeur do espectador (colocando-o como partícipe da narrativa), Michael Haneke consegue com seu novo filme, falar de um sentimento tão comum a qualquer indivíduo, mas tão maniqueísticamente abordado no cinema: o amor. E se você que conhece um pouco do currículo do diretor achou que pelo título de seu novo longa o veterano realizador finalmente se entregaria ao sentimentalismo hollywoodiano, pense duas vezes, pois o rigor estético e o tratamento sem concessões do diretor estão cada vez mais afiados e você vai, invariavelmente, se inquietar ou se incomodar com o que vai ver pois, afinal de contas, só os fortes apreciam o cinema visceral de Michael Haneke! ... (LEIA O RESTANTE DO TEXTO NO LINK ABAIXO!)
Leonardo d.
Leonardo d.

18 seguidores 73 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 1 de janeiro de 2015
Um dos melhores filmes dos últimos anos, pelas atuações, pela direção, pela beleza das cenas e pela ausência do exagero. As duas cenas do esposo com a ave que invade o apartamento são a plena definição de cinema: a síntese de um sentimento, de um pensamento ou de uma situação (no caso, a relação de amor e cuidado entre o marido e a mulher) que não precisa se explicitar em falatório despoetizado.
Willian M.
Willian M.

17 seguidores 46 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de abril de 2015
Certa vez, durante uma aula, um grande professor que tive, falou que, um bom jornalista tem que ter bons livros e bons filmes ao seu redor. Nessa mesma aula, esse professor discursava sobre artes, filmes, relevâncias e mais inúmeros assuntos e distrações que surgem quando se tem uns 30 alunos adolescentes e cheios de ideias na cabeça.

Partindo deste assunto, foi perguntado como reconhecer ou identificar o que é arte ou uma legítima obra prima? Esse professor respondeu: “quando vocês forem a alguma exposição de pinturas ou até mesmo quando vocês forem ao cinema assistir um filme e simplesmente sair dessa exposição ou sala de cinema de forma catatônica, sem rumo, quando vocês saírem sem destino certo, onde vocês precisem de algum tempo para voltar aos sentimentos normais. Pode ter certeza que vocês estiveram presentes junto com uma obra prima.

Continuava ele: “quase sempre que vou ao cinema e vejo um filme bom, meus sentimentos ficam todos aflorados, ficam todos misturados e revirados. Demora até para voltar para meu carro, demoro em voltar para casa, preciso primeiro absorver aquilo.”

Se você entendeu um pouco sobre o que meu antigo professor falou sobre um filme bom, então procure esse filme, compre, alugue ou baixe ele. De preferência olhe sozinho, e se prepare para assistir, tire tudo da cabeça, assista com tempo, não preocupe com ninguém, somente você e esse filme.

Garanto que você não vai se arrepender, esse filme mexe com tudo que você sentiu ou pensa como expectativa. Odiei Georges e fiquem com raiva de Anne, assim como, me sensibilizei com a situação de Anne e a calma e força de Georges, mas nada foi comparado com a finalização que Haneke deu para esse filme.

É simplesmente fantástico, você vai ficar sem rumo, quase sem chão. Vai odiar ou vai amar, mas vai sentir esse belo filme.
anônimo
Um visitante
5,0
Enviada em 6 de maio de 2021
O fato do filme se chamar Amor e ser protagonizado por um casal de idosos faz com que se espere algo nostálgico e com lembranças felizes do passado. No entanto, não é isso que acontece. O sentimento amor é posto à prova de outra maneira, de uma forma dura. Logo no início o destino de Anne é mostrado.

George também tem suas limitações por conta da idade. Ele se recusa a receber ajuda de enfermeiros no início por conta da privacidade do casal. Mesmo que os dois se amem e tenham compartilhado uma vida inteira juntos, algumas situações são desconfortáveis e difíceis. A descoberta da doença e a adaptação, a perda da capacidade motora e intelectual e, pôr fim, a morte.

Eles decidem que os últimos momentos não seriam passados em um hospital. Anne sabe que dali em diante as coisas piorariam. Ela parece querer se poupar e poupar George daquilo e, por isso, não quer mais viver. George tenta dar conforto e prolongar a vida de Anne o máximo que é possível. O sentimento do amor é demonstrado de duas formas diferentes e as duas causariam algum sofrimento.


spoiler:

Sobre a cena da morte de Anne não consigo ter uma resposta para ela. George talvez tenha percebido que os dois estavam sofrendo e que aquele era o limite. Ela é inesperada e chocante. Aquilo foi bom ou ruim? Eu não consigo dizer.
Fernu
Fernu

1 seguidor 11 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 8 de julho de 2013
Amor é um filme bastante duro mesmo como diz a crítica do Adoro Cinema. É um filme que incomoda e mostra aspectos da vida pouco abordados pelo cinema. E não tinha forma melhor de mostrar do que essa. Mostra com exatidão fenomenal do horror que a velhice pode proporcionar e como lidar com um momento tão crucial da vida, o fim dela. Haneke abusou dos planos sequência, acredito que para dar esta sensação mesmo de lentidão, para mostrar que a vida na terceira idade é mais lenta e gradual. Foi assim em cenas corriqueiras e do cotidiano. A cena em que Georges tenta sem sucesso fazer Anne beber água é espetacular. No final é difícil para todos, é difícil até emitir uma opinião sobre o final do filme realmente emblemático, mas vale a pena ver sim. Hoje as pessoas estão acostumadas com filmes diferentes, filmes bem marcados com início, meio e fim. E quando assistem um filme como "Amor" se incomodam bastante. Mas acredito que Haneke passou bem o seu recado. Tem horas que o amor precisa ser provado da forma mais difícil mesmo.
Paula Biasi
Paula Biasi

4 seguidores 8 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 15 de janeiro de 2013
Intensidade que causa desconforto

Filmes que envolvem casais ou um determinado grupo de amigos da terceira idade são cada vez mais recorrentes na sétima arte. O mais recente deles, Amour, nos mostra a rotina de um casal e suas conversas corriqueiras após retornarem de um concerto musical. Tudo ganha mais dramaticidade à medida que uma adversidade toma conta da vida do casal. A mulher sofre dois derrames e começa uma longa jornada de dependência com relação ao marido. Gestos que anteriormente eram práticos, agora são demasiadamente desgastantes para Georges e Anne.

Michael Haneke nos mostra tudo de forma simples e objetiva mais com uma intensidade que choca o espectador. Em determinado momento o marido indaga a esposa se ela faria o mesmo por ele. Ela simplesmente responde: “Você não está nesta situação”. A maioria dos diálogos são cortantes e precisos, assim o espectador não consegue digerir facilmente o que está acontecendo. São sucessivos os momentos intercalados de amor e sofrimento dos protagonistas.

Por causa de uma promessa feita para a esposa, o marido não pode interná-la e uma casa de repouso está fora de cogitação, a melhor solução seria um revezamento de enfermeiras, mas o marido percebe que uma das profissionais não realiza o trabalho de forma satisfatória e francamente diz: “Eu realmente espero que você encontre alguém que lhe trate da mesma maneira que você trata os pacientes”. Fica nítida a brutalidade com que ela "cuida " da personagem.

Momentos em que o espectador por diversas vezes pensa: Eu já teria desistido há algum tempo. Como ele consegue presenciar e sentir tanto sofrimento? O Amour do título é refletido em diversas atitudes do marido, como em um ato de desespero, ele começa a contar histórias da juventude para acalmar a pessoa um simples toque em suas mãos, e assim, o espectador sente o mesmo alívio raro vivido pela protagonista.

O inevitável acontece, mas como em todos os filme de Michael Haneke o espectador é brutalmente imerso nos conflitos dos personagens! Amour merece ser intensamente contemplado!!!
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