Lucy é um filme que abre um leque de possibilidades para análises. Tem seu início e fim extremamente filosóficos e, no meio, um desencadear de situações onde mostra toda a problemática herdada pelas más escolhas feitas por Lucy. Mas, dentre todas essas possibilidades de análise, selecionei dois temas muito atuais e, ao mesmo tempo, tão antagônicos: a violência e a expansão da consciência. A violência que vem acompanhada com todo tipo de caos gerado a partir dela, presente nas grandes metrópoles e, opostamente, o lado positivo, representado pela expansão da consciência, que seria uma esperança para nós, humanos limitados, de que um dia seremos capazes de muito além do que hoje pensamos possível no tocante ao ser e poder. Ou, que na verdade julgamos impossível. Este impossível a que me refiro seria a expansão de nossa capacidade física e mental, mostrado no filme como uma capacidade nata, que se encontra em repouso, aguardando a hora de despertar para podermos viver plenamente nossa aventura num planeta de terceira dimensão.
Por acidente, Lucy vai despertando seus 100% de capacidade mental, assimilando bilhões de informações que lhe deixam no início confusa e contrariada. Mas no decorrer da história, sua dinâmica de aprendizado se adapta às situações práticas que está vivenciando e é aí que está o "barato" da lenda Lucy: ela mostra que estamos mesmo adormecidos e bloqueados para o universo pulsante. Na verdade, nossos limites é que nos incapacitam para a vida. Com o conhecimento e sem a resistência advinda do medo ou qualquer desconforto gerado pelos dogmas humanos, nossas verdades se abrem e nós passamos de meros expectadores a intrépidos protagonistas de nossa própria vida. Além disso, o filme também chama a atenção para o fato do conhecimento ser uma arma de poder. Enquanto o conhecimento estiver guardado e sob o domínio de poucos, consequentemente, estes governarão os ignorantes e o restante do mundo. Mas com o despertar da nossa consciência, essa situação poderá se inverter. A partir do momento que sentirmos o verdadeiro poder que temos, as coisas mudam e mudam para valer!