O filme é uma bomba. Nem parece que foi dirigido pelo mesmo diretor de Drive (que, aliás, nem é tão bom assim, mas é excelente se comparado com Only God Forgives). É trash. É B, com maiúscula. É intragável. É apenas um veículo para Nicolas Winding Refn mostrar rios de sangue e muita violência gratuita (a trilogia Pusher, que consagrou o diretor, já mostrava muita violência, mas na hora certa e a serviço de uma causa, ou seja, dos filmes, do seu contexto; aqui não há isso). O roteiro é um delírio (parece que o roteirista é fã de LSD). O filme começa com o irmão do personagem de Gosling aprontando todas (mas todas mesmo), sem que se saiba por que (e é gozado, pois o script sugere que a figuraça costumava fazer o mesmo quase todas as noites, sem que nada até então tivesse lhe acontecido, o que é, no mínimo, surpreendente, dado o grau do seu desatinado comportamento, como constatará quem assistir o filme). Já a escolha da Tailândia como cenário da mirabolante história serve apenas para justificar a inserção das artes marciais tailandesas, e seus executantes, no filme; tudo indica que não há outro propósito, além desse, em rodar o filme ali. Os atores se mostram deslocados e mal dirigidos. Gosling passa o filme todo com a mesma expressão, quer nas cenas de sexo, quer nas cenas de luta e matança, o que comprova que mesmo bons atores (e Rosling é um deles) precisam ser bem dirigidos (Jack Nicholson que o diga...) Mas quem causa maior estranheza é Kristin Scott Thomas, na pele de uma perua, mãe do protagonista, e que parecer estar sempre perguntando: como é que eu fui para aqui! (mesma pergunta, por sinal, que fazem os espectadores...). Resumindo: lamentável. Se continuar assim, é bem provável que Refn acabe seus dias como assistente de Tarantino... Isso se não for escalado para a continuação de Machete...