Profissão: Humorista Tagarela!
A primeira cena que acompanhamos no novo longa da Marvel Studios são dos créditos, mas não da forma convencional que estamos acostumados, pois a câmera faz um longo passeio por dentro de um veículo capotando, com zoom bem próximo para mostrar o que está ocorrendo com os ocupantes, além da cena em si estar em pausa. Durante toda a sequência acima, os créditos não são para apresentar a equipe e elenco, mas para satirizar cada um deles logo de cara.
Esse clima de humor continua com uma perspicácia invejável ao longo de todo o filme que, na primeira cena em movimento já temos Deadpool contando como tudo aconteceu até chegar naquela situação, um festival de cortes temporais de resultado sensacional. Ryan Reynolds interpreta Deadpool, um indivíduo que chegou ao "cargo" de anti-herói após uma experiência que o curaria de um câncer terminal. Embora curado, mas com terríveis consequências, como regeneração e pele desfigurada. Há uma grande importância nesse elemento relacionado às suas origens, pois o personagem não é tão familiar a maioria do público, requerendo apresentações, ainda que de uma maneira pra lá de inusitada.
Reynolds, já conhecido como um ator versátil e com veia cômica como poucos, incorpora o tagarela de tal maneira que fica impossível não cair na gargalhada a cada segundo, isso porque o roteiro investe pesado em piadas constantes sobre qualquer assunto, e quase 100% delas soam naturais quando pronunciadas pelo ator. E ninguém sai ileso, personagens famosos, sejam de HQs ou artistas, vilões, o próprio Ryan Reynolds serve como piada durante algumas situações, os produtores, além de brincadeiras aos montes disparadas pelo tagarela sem o menor pudor.
Como filme de ação fica nítida a competência técnica e ousadia do diretor estreante Tim Miller. Desde o começo, fica difícil piscar e correr o risco de perder alguma façanha de Deadpool, pois a organização de cenas usa de uma inventividade impressionante, principalmente na violência sempre presente e que casa perfeitamente com as loucuras do protagonista. As cenas de luta criam uma impressão que os atores estão brigando de verdade, certamente por conta da montagem ágil das sequências que, aliadas a uma parte sonora excelente, dão uma ótima percepção de veracidade (Miller leu direitinho a cartilha de Zack Snyder).
Outro ponto fantástico que merece destaque é a edição, pois a história é contada em um vai-e-vem sem qualquer linearidade, impressionantemente funcional, devo admitir. Vários são os momentos em que o enredo conta algo, depois volta, adiciona mais informações, retorna ao presente, sempre sem soar cansativo ou desgastar a fórmula amplamente utilizada por Quentin Tarantino.
Os personagens secundários, compostos pelos mutantes Colossus e Negasonic, aparecem pouco, mas principalmente o grandalhão metálico que atua em uma das mais divertidas situações da produção (autoestrada, heim); o vilão Ajax (Ed Skrein) também entretém como um sujeito que parece cobaia paras a piadas infames de Deadpool (mas quem não é, dã!).
Fazendo uso de piadas constantes, uma trilha sonora que oscila entre diversos ritmos de gerações diferentes, muito conteúdo politicamente incorreto, DEADPOOL é com folga um dos melhores filmes de super herói já produzidos, ou como ele mesmo diz: "sou super, mas não herói!".
Obs.: Até os créditos finais animados mantém um ritmo nonsense do protagonista; isso sem deixar de citar a cena pós-créditos que enlouquece aqueles com mais de 30 anos.