Wolverine: imortal
O princípio da imortalidade de alguma maneira ronda o inconsciente humano. Talvez pelo mais puro desejo de viver, fundamento instintivo, ou por cultura, religiosidade. Por isso mesmo, Wolverine (Hugh Jackman) se tornou o personagem mais querido da franquia X-men. Neste último filme, vemos um personagem com carga emocional maior. Deprimido e isolado após os acontecimentos de X-men-O Confronto Final e agora com a possibilidade de enfim, morrer. Essa vida em sombras se revela na construção de um cenário mais carregado com tonalidades que giram em torno do escuro passando a um vermelho-amarelado, migrando para claridade nos momentos de contato com o mundo exterior ainda que carregue um pouco da obscuridade. Apesar disso, consegue ter ritmo de ação e criar expectativa com relação ao desfecho por se apresentar novas possibilidades. Hugh Jackman sempre a vontade no personagem, consegue manter a ideia de alguém que envelhece num ritmo lento, dada sua forma física, e transmite as dores das experiências vividas sem torná-lo um chato graças ao seu senso de humor que já virou marca registrada. A construção desse personagem é o ponto forte do filme. Vê-lo é ter certeza que se trata sobre a história de Wolverine, inclusive com seus antagonistas quando um dos principais trata-se dele mesmo. Esse elemento por si, já torna mais equiparável sua luta neste filme, com rivais não mutantes, como Yashida (Hal Yamanouchi) e seu filho Shingen Yashida (Hiroyuki Sanada) que tem ao seu lado a própria cultura oriental, entre samurais e ninjas e a mítica que os envolve aliada a presença da mutante Víbora (Svetlana Khodchencova) só para não esquecer que há mutantes em todo o lugar. Merece destaque a relação com Yukio (Rila Fukushima), personagem que cria a ponte para esse novo universo e uma parceria que dá empatia a causa, bem como abre possibilidades para aventuras futuras. A paixão, também uma marca da personalidade de Wolverine, é apresentada como um passado atormentador na presença de Jean Grey, ou melhor, da Fênix (Famke Janssen) e como algo motivador no vislumbre de um futuro na presença de Mariko (Tao Okamoto) onde a cumplicidade é criada pelo enfrentamento dos medos de ambos e por suas ações análogas. O filme consegue juntar os elementos emocionais com a ação característica da franquia X-men, sendo que o último perde mais intensidade, o que pode decepcionar um pouco, além disso, o 3D também é dispensável ou não explorado. No mais, consegue conectar-se com os filmes anteriores e já cria link com o que vem pela frente (ver cena adicional nos créditos finais) e faz de Wolverine um imortal porque segue em frente, vivendo sempre outra história, outra vida.