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    Adorável Pivellina
    Críticas AdoroCinema
    3,5
    Bom
    Adorável Pivellina

    Sobre crianças e bichos

    por Lucas Salgado

    "Nunca trabalhe com animais ou crianças", disse W.C. Fields. Dá época do ator americano (anos 20 e 30) para cá, essa máxima continua a ser usada, embora volta e meia nos deparamos com exemplos de grandes atuações de crianças e bichos. Adorável Pivellina é mais um desses exemplos e tem como diferencial justamente a presença tanto de animais quando de jovens intérpretes. A figura central da história, a Pivellina do título, é uma menina de apenas dois anos de idade, que habita um meio repleto de cachorros, gatos, bodes e, até mesmo, leões. Tudo soa muito natural, dando ao longa quase que um ar de documentário, por mais que trata-se de uma ficção.

    Para reforçar o caráter documental, a produção fez questão de não utilizar nenhum tipo de luz artificial. Além disso, filmou toda a obra com câmeras Super 16mm. Trata-se de um filme atemporal. Obviamente, sabemos mais ou menos quando se passa a história através de elementos como vestuário e automóveis, mas a imagem granulada e acinzentada vem pra dizer que o tempo pouco importa.

    É curioso ter acesso, através do longa, a uma Roma pouquíssima explorada pelo cinema. Aqui não temos glamour, belos cenários ou prédios históricos, mas sim um subúrbio bem feio e com pouco controle populacional - o que não quer dizer que seja um ambiente ruim.

    Muito do mérito do filme deve ser atribuído aos produtores e diretores Tizza Covi e Rainer Frimmel que deixaram seus atores livres para construir seus personagens e não insistiram em fazer cenas "ensaiadas" com uma garota de pouquíssima idade. Os cineastas teriam exigido apenas que o início e o final do filme deveriam seguir algo pré-determinado, mas que todo o resto nasceria da dinâmica entre os intérpretes nas filmagens. É claro que correram o risco de comprometer a continuidade e o desempenho final da obra, mas o resultado não poderia ser melhor. Totalmente inseridos em seus personagens, os atores Patrizia Gerardi e Walter Saabel brilham na pele de dois membros do circo que encontram uma bebê de dois anos abandonada em um parque. Eles decidem ajudar a criança ao mesmo tempo em que buscam pela mãe. A trama é delicada, inteligente e focada na graciosidade da pequenina Asia Crippa.

    La Pivellina (no original) é uma produção italiana que teve sua première mundial no Festival de Cannes de 2009, quando conquistou o Prêmio Label Europa Cinemas. Tizza Covi também foi responsável pelo roteiro e pela edição, enquanto que Rainer Frimmel assumiu a direção de fotografia. Como podem ver, a dupla é responsável diretamente pela realização.

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