O filme nasceu pra ser chocante, pra ser filosófico, pra ser impactante, cru, visceral e é tudo isso. Um filme que causa incomodo e reflexões. Poderia ser fantástico se não ficasse apenas nisso... faltou!
Dente canino é um filme grego que contou com a direção de Yorgos Lanthimos. O filme recebeu a indicação de melhor filme internacional no oscar de 2011. Na trama, acompanhamos uma família constituída do pai, mãe e 3 filhos adultos (entre eles 2 mulheres e 1 homem). O pai (Cristos Stergioglou) mantém a família isolada sem contato com o mundo externo, sendo ele o único que sai para trabalhar. O mesmo alega aos seus filhos que o mundo lá fora é perigoso e promete que apenas poderão sair depois que um dos dentes caninos cair. Porém, com o passar do tempo, os filhos vão se questionando diante da forma rigorosa do pai. Podemos não gostar da história, achar o filme entediante, mas o fato é que assistir esse filme é uma experiência inesquecível. A estranheza da trama e a forma nua e crua que Yorgos gosta de tratar isso é algo perturbador. O filme vai se revelando aos poucos de forma curiosa até chegar no seu ápice no terceiro ato. O filme nos traz algumas boas reflexões: os 3 irmãos não têm nenhum contato com o mundo de fora ( sem filmes, jornais, tv, revistas, telefone ou internet) e vivem bem. Como não viveriam? Sem o contato com o mundo caótico lá fora. Embora que o seu pai coloca o mundo da pior forma possível (como a mentira sobre o gato). Além de todo o cuidado no vocabulário dos país para “salvar” os filhos, como alterando o significado de diversas palavras. Mas nem tudo isso é capaz de salvar, pois basta um brecha do mundo exterior para realizar a verdadeira cascata. Podemos fazer até um paralelo com o mito da caverna de Platão. No mais, as atuações são convincentes e talvez incomode aos demais a falta de freio na questão sexual e a falta de explicação do porque os país blindam tanto os seus filhos.
O filme me deixou curiosa mas acabou em deixando com mais questionamentos que respostas. Gostei da forma como o controle familiar foi tratado, nem tudo que é em excesso é bom
Um filme que se caracteriza por ser excêntrico. A família retratada não tem nada de normal, com comportamentos incomuns e até mesmo bizarros. Por isso mesmo, e somando-se ao fato de ser um filme de curta duração, não é entediante. Vale a pena conferir pela experiência diferenciada.
O diretor Yorgos Lanthimos adora uma alegoria e aqui não é diferente. Em DENTE CANINO, sem sutileza alguma, é esfregado na cara do espectador que o ser humano não é "naturalmente" coisa alguma e é moldado pelo ambiente em que vive. Seja o amor, o ódio, o medo, o respeito, a burrice, a inteligência ou preconceitos diversos, nada disso "nasceu" conosco e nos é inculcado pela meio em que vivemos. Neste ponto o filme é um tremendo grito anarquista, pois renega tudo aquilo que um dia, e talvez ainda hoje, querem nos fazer acreditar: que os ricos são naturalmente ricos, por competência própria, e os pobres "naturalmente" pobres, por incompetência deles; que o branco "naturalmente" é mais inteligente que o negro; que a mulher "naturalmente" tem menos capacidade e inteligência que o homem; que os EUA "naturalmente" são superiores ao Brasil; etc, etc, etc...Tudo isso é uma construção social e só através do esforço da sociedade será mudado! Se DENTE CANINO não fosse tão hermético e "difícil", seria de grande ajuda em escolas de ensino progressistas...
O Filme traz uma boa reflexão de crenças que temos desde criança em mundo na qual mal sabemos o que é real e o que não é, ou o que é certo e o que é errado. O diretor, assim como em seus outros filmes, é um mestre em deixar o espectador incomodado com cenas que as vezes não tem nada de mais, utilizando sons/músicas ou diálogos e ações. Se gostar deste filme, te recomendo ver outros filmes dele (como "O Lagosta").
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