Heróis de Mentirinha.
Para quem acompanha cinema sem se apegar a rígidos detalhes cinematográficos talvez conheça um crítico mineiro chamado Pablo Vilaça. A alguns anos ele apresentava um programa chamado Cinema em Cena (mesmo nome do site que dirige atualmente) na TV Horizonte, que se encontra extinto por questões burocráticas. Em suas análises na TV, ele fazia a crítica de filmes iniciando com a seguinte premissa: "avaliando como critico" ou "avaliando como expectador". De certa forma, isso concebia um brilhante respeito às duas vertentes que buscavam suas análises, haja vista que ficava nítido como o profissional também é fã, algo que poucos percebem ante uma avaliação depreciativa, como as que tem inundado a internet ao falar de Esquadrão Suicida.
O conceito roteirizado pelo também diretor David Ayer é oriundo das HQs, mas também já reproduzido no ótimo Batman: Ataque ao Arkham, entretanto, aqui o objetivo abordado logo no começo é outro, sem propósito direcionado, já que a necessidade paira apenas por conta da existência do Superman e a possibilidade da chegada de alguém com poderes similares, uma espécie de precaução e pronto.
A apresentação da cada um dos vilões soa interessante, com cores sempre exaltantes e uma trilha sonora que, apesar de bem diversificada, diverte simplesmente pela presença de ícones desde os anos 60 preenchendo os ouvidos do espectador. O grupo formado por Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Amarra (Christopher Weiss), El Diablo (Jay Hernandez), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e Magia (Cara Delevingne) estão sob a liderança do oficial Rick Flag (Joel Kinnaman), um elenco complicado não somente pelas suas origens, mas pela falta de entrosamento ou orientações sobre o que farão de fato. A bagunça ganha proporções catastróficas já na primeira missão, uma vez que Magia sofre um ataque súbito e motiva o grupo a não somente identificar a causa, mas agir em conjunto para evitar um dano maior à cidade e ao grupo.
A composição das ações do esquadrão até o final mantém pouca lógica, mas também, um grupo em que temos uma integrante cuja loucura é sua habilidade e outro que atira bumerangues mortais, não é de se esperar profundidade lógica, mas diversão. Há vários momentos de ação que lembram muito os filmes de Ayer, bastante tiroteio, explosões e muita utilização de câmera lenta, aliada com closes em situações que pouco resultam em dramaticidade, se era essa a ideia, claro.
Há de se citar que, embora haja uma força sobrenatural atuando como vilão da trama, em nenhum momento há receio quanto aos membros do esquadrão, apesar do Pistoleiro ser o único que encara a missão com propósito real. Isso tira um pouco da expectativa do que virá, pois ficamos preocupados somente com a ação e como ela se desenrolará. Mas tudo bem, o que importa é a diversão.
Sobre o vilão Coringa, aqui ele existe como mera desculpa para atrair público, pois aparece tão pouco que só surge como desculpa para resgatar Arlequina das mãos do governo. Nem mesmo adiciona algo ao personagem ou representa dependência à narrativa, mas tudo bem, Jared Leto torna-se facilmente esquecível no papel.
Apesar da artificialidade constatada nas decisões tomadas pelo roteiro, como é o caso de um certo romance que praticamente serve de pano de fundo, ESQUADRÃO SUICIDA é um filme feito com o objetivo de entreter, não de preencher o vazio deixado pelos filmes de Nolan. Já se sabia da tarefa complicada assumir um filme live action da DC, mais delicado ainda quando ele é protagonizado apenas por vilões, mas para quem, assim como ilustrei no primeiro parágrafo, procura diversão, será um bom passatempo.