Eu devo confessar, primeiramente, que eu estava muito ansiosa para ver este filme e tinha muitas expectativas quando o marketing começou a aparecer, até porque o filme Watchmen (2009) tinha me agradado muito. Porém, este filme não funcionou como deveria. O produto com certeza não era o que tanto prometia.
Alguns pontos dos filmes funcionaram bem, como o figurino e a maquiagem que são ótimos e os efeitos visuais que foram bem feitos, com ressalva para a cena final da personagem Magia, que ficou muito computadorizada e dá uma impressão artificial.
Ainda assim, o roteiro é problemático demais. O primeiro ato já começa muito longo, muitas informações ao mesmo tempo. Ou seja, o filme demora muito tempo para apresentar e juntar os personagens (além do tolerado) e isto prejudicou o tempo do terceiro ato. Sequencias de flashbacks explicativos que também foram introduzidos durante o filme em uma montagem que não contribuiu em nada para a narrativa.
Após o recrutamento de todos, tudo fica mais confuso ainda. De repente, Magia (Delevingne) se rebela para...destruir o mundo? Então, todo mundo interrompe o que estava fazendo inicialmente para derrotá-la.
Em relação aos personagens devo dizer que as histórias de alguns praticamente não foram desenvolvidas, deixando eles no esquecimento. É natural que um ou outro tenha maior destaque, mas não teve um equilíbrio. Magia, por exemplo, merecia ter também um desenvolvimento mais sólido (e mais lógico), até porque ela tem relativa importância no desfecho.
Além disso, apesar do filme tratar sobre “vilões”, essa noção, repetidamente reafirmada no filme, se perde totalmente devido ao sentimentalismo exacerbado. Não há nada de sombrio. Smith demonstra muito do seu lado humano e sua linguagem corporal indica que ele é tudo menos uma pessoa ruim, ou, ainda, Alerquina (= retrato de um machista): apesar de um trabalho competente de Robbie, o roteiro lhe conferiu a personalidade mais submissa de todas, sempre sujeita ao Coringa, sem independência ou caráter próprio (É sério que o sonho da sua vida dela é ser esposa dona de casa em um subúrbio? Sério mesmo?). E tudo isto sem qualquer representação significativa de “maldade” ou de “perversidade”, ou outra coisa de interessante, em relação aos demais personagens (não, nem do Coringa – Jared Leto).
Já a trilha sonora, metade do filme tem músicas aleatórias e diferentes a cada cena. Abruptamente, começa a outra metade do filme só com trilha composta que também não colaborou com a narrativa. É uma sensação de que a música é algo que não faz parte da composição do filme.
Em termos de direção e fotografia, as cenas, além de serem muito rápidas, deixam de provocar qualquer sentimento de urgência, medo, ou perigo iminente no espectador. Por exemplo, a cena quando Waller (Davis) mata sua equipe inteira é vazia e sem qualquer efeito. A cena em que o Pistoleiro (Smith) atira sucessivamente em criaturas estranhas também é desprovida de qualquer emoção ou impacto que um filme com ação deveria provocar.
Por fim, a utilização do 3D, infelizmente, não teve qualquer razão de existir (meramente comercial), quando poderia ser muito bem aproveitado em diversos momentos.
Pois bem. Devo dizer que o filme tinha um potencial enorme, mas o resultado final, infelizmente, deixou muito a desejar.