Em 1984, James Cameron nos apresentou o futuro de 2035, um mundo caótico, onde as máquinas subjugaram os humanos e uma guerra se iniciou. À beira da extinção, os homens se levantaram, e iniciaram uma rebelião. Liderados por John Connor, a raça humana teve uma chance. E não a desperdiçou. A Skynet, agora quase derrotada, tenta sua última ofensiva. Mas não contra o líder John Connor, e sim contra sua mãe, Sarah Connor, no passado de 1984.
O resto da história provavelmente você já sabe. Afinal, “O Exterminador do Futuro” é um clássico da ficção científica. Conseguindo até hoje ser visto sem nenhuma dificuldade apesar dos efeitos ultrapassados. Além disso, esse seria o filme que alavancaria a carreira de Arnold Schwarzenegger.
Mas a consagração de Arnold viria mesmo só em 1991, quando Cameron novamente decide contar mais um pouco da guerra entre os homens e as máquinas. Criando o melhor filme de ação/sci-fi de todos os tempos: “O Exterminador do Futuro: O Julgamento Final”.
Depois disso, a franquia teria mais dois filmes, “A Rebelião das Máquinas” em 2003, e “A Salvação” em 2009. Ambos criticados severamente por não conseguirem atingir o mesmo patamar dos clássicos.
Nesse ano de 2015, Arnold Schwarzenegger retorna como o Android T-800 em “O Exterminador do Futuro: Gênesis”, numa história completamente confusa.
Infelizmente, já era esperado que esse filme tivesse dificuldades no roteiro, como aconteceu nos filmes de 2003 e 2009. Certamente, a confiança e expectativa de que esse filme seria bom era quase inexistente.
Na verdade, o único ponto positivo prévio desse filme era a presença de Arnold Schwarzenegger. E após os créditos subirem, ele continua sendo o único.
Dentro e fora da sala escura a confusão predomina.
Primeiramente, que campanha de Marketing foi essa? Como que um trailer revela acontecimentos que deveriam ser passados para o público somente na telona? E não apenas um spoiler, mas vários. A indústria esqueceu como se vende um filme? Pois isso é algo que vem acontecendo constantemente. Como a produção permite isso? É impressionante como isso é recorrente. Aconteceu com “Os Vingadores”; com “O Exterminador” e agora também com o “Homem-Formiga”. Isso é extremamente ruim e prejudicial para o cinema, e obviamente, para o público.
Agora dentro do cinema a coisa piora. O filme é dirigido por Alan Taylor, o mesmo diretor de “Thor: O Mundo Sombrio”. E é impressionante como que as falhas do filme do herói nórdico da Marvel se repete em “O Exterminador”. As cenas de lutas, na sua grande maioria, são de medianas para fracas, a relação afetiva dos personagens não são nada convincentes, os diálogos são ruins, e as explicações inexistentes. A presença de “Deus Ex Machina”, assim como em “Thor: O Mundo Sombrio”, é um recurso também muito presente em “O Exterminador”. Resumidamente, é um recurso de roteiro que é utilizado quando o autor se encontra numa situação impossível de ser resolvida, e então como que por mágica algum evento improvável acontece que resolve aquela situação. Em outras palavras, o roteirista tenta amarrar as pontas soltas que ele mesmo criou sem usar a lógica que ele mesmo construiu durante toda a história. Péssimo.
Mas não para por aí. Emilia Clarke interpreta Sarah Connor, Jason Clarke é John Connor e Jai Courtney assume o papel de Kyle Reese. Esses três deveriam apresentar uma relação afetiva. Afinal, são uma família. E mesmo que separados por viagens temporais, todos se relacionaram entre si em algum momento dessa linha do tempo maluca. Nada é natural. Tudo é muito forçado para o público acreditar que nesses relacionamentos há alguma química. Na verdade, não existe, tudo é muito mal executado, e nada convincente. Isso não significa que eles atuam mal, pelo contrário, tem atuações modestas, nada de muito extraordinário, mas não é ruim.
Além disso, o roteiro nem por um segundo tenta explicar os acontecimentos ao longo do filme. Não explicam nada. É uma confusão. Você não entende se é uma linha do tempo paralela, ou se é a linha original. Na verdade, parece que nem o próprio filme sabe. Além disso, ele se confunde no próprio universo, e é completamente cheio de furos que é quase certeza que esse filme foi feito às pressas por causa dos direitos autorais. Para piorar, várias cenas só acontecem por serem convenientes com o roteiro. Muitas situações só ocorrem porque estava escrito que deveriam acontecer. Isso só mostra como o roteiro é fraco.
A trilha sonora é inexistente. Se agarra na trilha original, e segue ao longo do filme assim. Sem originalidade nenhuma.
Novamente, Arnold Schwarzenegger é a estrela do filme. Quando ele aparece, tudo parece melhorar. Seu carisma ainda é gigante, e suas cenas, talvez exatamente por isso, são as melhores. Mas infelizmente, ele sozinho não foi capaz de segurar esse filme. Irônico.
“O Exterminador do Futuro: Gênesis” é apenas um resquício de uma grande franquia que na verdade nunca mostrou todo o seu potencial, se pararmos para analisar, essa saga conta com apenas dois filmes que realmente funcionam. Não é um desastre completo. Mas é medíocre em diversos quesitos.
Infelizmente, ainda não fomos contemplados com uma boa sequência. O que resta agora é esperar que a franquia retorne, em 2019, para as mãos de seu criador James Cameron. Mas até lá, muita coisa pode acontecer. Boa e ruim. Porém o histórico recente não é nada favorável.