SEVEN - OS SETE CRIMES CAPITAIS
Lançado em 1995, Seven é o segundo filme do diretor David Fincher, que há três anos atrás estreava na carreira de diretor com o icônico Alien 3. De certa forma, Seven foi o primeiro trabalho de David Fincher a ser aclamado pela crítica e alcançar o sucesso que ele tanto esperava, visto que seu filme antecessor ganhou mais críticas negativas do que elogios (eu mesmo sou um grande fã da franquia Alien, mas confesso que o terceiro tem vários problemas). David Fincher conseguiu impulsionar ainda mais o sucesso de Seven devido as participações de Brad Pitt (um ator muito amado pelo público) e do gênio Morgan Freeman (já consagrado naquela época).
Eu me lembro de já ter assistido Seven, mas foi lá nos anos 90, quando estava entrando na adolescência. Mas de uma coisa eu nunca esqueci, Seven foi muito impactante pra mim na época e me marcou muito, principalmente ao início, quando apresentava a cena do obeso morto na mesa. Está cena eu jamais esqueci e até hoje eu me lembro com muita clareza.
Hoje com um olhar mais crítico, eu consigo fazer uma análise mais completa dessa grande obra de David Fincher.
Já de início eu devo destacar o roteiro de Andrew Kevin Walker, que nos proporcionou um dos melhores (se não o melhor) filmes policiais investigativo dos anos 90 e um dos melhores que eu já assisti em toda minha vida. Um roteiro coeso, muito bem pensado e muito bem trabalhado, com um início e uma finalização de nos tirar o fôlego. Você se prende a história investigativa que mal consegue perceber que o longa possui 2h 10min. David Fincher consegue construir um ambiente ambíguo, que ora funciona com muita tensão e muita agonia (nas partes investigativas), e ora com mais leveza e mais descontração (como na cena do jantar no apartamento do casal Mills) - é genial!
O longa possui uma harmonia invejável, que ao início começa a nos entregar uma história com várias pontas soltas, que precisamos ligá-las pra que tudo faça sentido dentro da trama, mas com o passar do tempo tudo vai se amarrando e se encaixando perfeitamente. Este é o ponto forte desse roteiro monstruoso, como as inúmeras ligações ao numero 7 (título do filme), que a cada momento aparece para nós de formas aleatórias e cada vez mais curiosas. O enredo é de uma inteligência absurda, que possui curiosidades que aguça as nossas mentes a querer descobrir todos os enigmas que se esconde em cada crime cometido. A ambientação é pesada e muito macabra entre aqueles cenários claustrofóbico, de fato esta é a verdadeira magia na direção de David Fincher, em utilizar cenários borrados e escuros, que nos transmitia ainda mais tensão e agonia e de uma forma imprevisível, o que nos deixava cada vez mais apreensivos.
Devo destacar a fotografia do longa, totalmente acinzentada, casou com perfeição em cada cena, em cada acontecimento, em cada investigação, tanto nos cenários mais fechados e escuros, quanto nos cenários mais abertos - tudo muito bem trabalhado e arquitetado! A trilha sonora do compositor Howard Shore (Spotlight / O Lobo de Wall Street) de fato não é um grande destaque no longa. Acho que a trilha sonora não acompanha a grandeza da obra, não chega a comprometer, mas eu esperava um pouquinho mais. Até pelos vastos momentos tensos que o longa possui, a trilha sonora precisava estar mais bem encaixada - mas de fato eu relevo, não acho que chega a comprometer o brilho desse espetáculo.
O longa se completa pelos diálogos afiadíssimos e as atuações soberanas dessa dupla de protagonistas - Brad Pitt e Morgan Freeman!
Pitt incorpora o Detetive David Mills, um jovem afoito que passou os últimos 5 anos na divisão de homicídios e chega para compor a investigação no caso do serial killer. Pitt já trabalhou inúmeras vezes com David Fincher e em Seven ele vinha de um dos seus personagens mais icônicos da carreira - Louis de Pointe du Lac "Entrevista Com o Vampiro". Brad Pitt ainda jovem entrega uma atuação magistral em Seven, é muito notável o quanto ele estava empenhado e a vontade no personagem, o quanto a química com Morgan Freeman funcionou.
Morgan Freeman por sua vez incorpora o Detetive William Somerset, já experiente e veterano no cargo e prestes a se aposentar. Freeman também vinha de um personagem icônico e jamais esquecido em sua carreira - Ellis Boyd 'Red' Redding do clássico "Um Sonho de Liberdade". Morgan Freeman é aquele ator que em qualquer trabalho dispensa elogios, um verdadeiro gentleman da sétima arte! Em Seven Freeman faz uma atuação muito elegante como um detetive inteligente, sagaz, hábil, que sempre se coloca um passo à frente, com uma encenação clássica e com uma expressão calma, serena, entregando um trabalho com uma perfeição incrível.
Nota 10 para a dupla de detetives de Seven, dois monstros na arte de atuar!
Kevin Spacey estava em seus tempos áureos e em Seven ele entrega um personagem intrigante, pavoroso, um psicopata com uma mente doentia porém brilhante, que desejava criar os crimes perfeitos e "o" crime perfeito na última cena do filme. John Doe era o vilão perfeito para os crimes perfeitos (segundo ele próprio). Sinceramente eu fiquei espantado com o nível de atuação que Kevin Spacey consegue entregar na pele do serial killer, a cena final ele mata a pau, chega ao seu ápice de entrega ao personagem. Tudo nele está perfeito, a expressão sádica, o olhar doentio, a voz serena como o fio da navalha, o pensamento maléfico que corre dentro do seu cérebro, até finalmente chegar no fechar dos seus olhos - MEU DEUS! QUE ATUAÇÃO MONSTRUOSA! Eu indicaria fácil o Kevin Spacey em qualquer premiação naquele ano, pois ele entrega uma atuação de um vilão icônico.
E pra finalizar, Gwyneth Paltrow como Tracy Mills, que fez uma esposa doce, amável, com uma atuação fina e muito singela. Personagem importantíssima no fechamento da história.
Meus parabéns Gwyneth Paltrow!
Seven foi muito bem aceito e aclamado pela crítica especializada naquele ano, porém no Oscar de 1996 só conseguiu uma indicação, Melhor Edição. Já em questões de roteiro eu achei tão incrível e tão original, que merecia uma indicação ao Oscar, mas ficou somente com a indicação do BAFTA.
Seven é mais um clássico daquela década de ouro do cinema, que inspirou filmes como a franquia "Jogos Mortais", uma obra-prima que não se ver há muito tempo. Eu já mencionei e agora eu repito: um dos melhores filmes de suspense policial dos anos 90, quiça da história! [22/05/2019]