Deixando de lado algumas inconsistências do roteiro (como por exemplo em que cidade se desenvolve o enredo, no genérico bairro "Chinatown" e a rapidez e facilidade com que as personagens se deslocam entre esta cidade e Shangai) é um filme que possui o mérito de nos apresentar a algumas características pouco conhecidas e pouco comentadas da cultura chinesa, o seu lado mais sombrio talvez, mas nem por isso menos fundante: um mês em que teoricamente estão abertas as portas entre a dimensão dos vivos e a dos mortos ("mês dos espíritos famintos"), espíritos que sugam a energia ("se alimentam") dos vivos, o fato de que os ossos devem ser colocados próximos aos ancestrais ou os espíritos não terão paz...Juntamente com este "lado sombrio" da cultura também somos apresentados a um lado igualmente sombrio da imigração chinesa e constituição desta genérica "Chinatown", via exploração de trabalho escravo e contrabando. Muitos sustos, enredo em um tempo absolutamente inverossímil (o marido vai e volta de Shangai como se fosse ao centro da cidade, a última noite retratada no filme, proporcionalmente, é maior do que todos os dias anteriores juntos) e muita cultura chinesa.