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    Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2

    Para os fãs

    por Francisco Russo

    Nunca houve iniciativa tão ousada. Oito filmes em 10 anos, de uma série que ainda estava em desenvolvimento quando o primeiro foi lançado. Atores escolhidos quando ainda eram crianças, de forma que o público pudesse vê-los crescer nas telonas, a cada filme. A Warner apostou alto e certeiro. Harry Potter era um fenômeno pop, daqueles que arrebatam gerações de tempos em tempos. Vê-lo chegar ao fim, agora no cinema, traz de volta lembranças. De erros e acertos, mas acima de tudo de momentos marcantes. Lembranças construídas ao longo de uma década e importantes para a completa compreensão da história final.

    Não é essencial que se tenha lido os livros para compreender Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, mas é bom ter ao menos assistido os filmes. A Parte 1, então, é indispensável. O início do fim da série começa no mesmo ponto onde o filme anterior termina, com o túmulo de Dumbledore sendo violado por Voldemort. Logo em seguida o trio protagonista surge cuidando do duende Grampo e com ele arquitetando a invasão ao banco Gringotes. Assim mesmo, sem qualquer explicação, já que esta foi dada no episódio anterior. Harry Potter e as Relíquias da Morte, parte 1 e 2, são filmes complementares, de forma que assistir um sem ter visto o outro é o mesmo que ler um livro apenas pela metade. Da mesma forma, mas sem o mesmo peso, é de bom tom ter visto os demais filmes. Há na Parte 2 diversas referências a elementos e situações ocorridas nas histórias preliminares, sem maiores explicações justamente por já terem sido dadas anteriormente. Não reconhecê-las não é um empecilho para acompanhar a trama, mas impede sua plena compreensão.

    Mais sombrio do que o usual, o derradeiro capítulo da saga de Harry Potter abusa do tom acinzentado e explora bastante o silêncio, no intuito de criar tensão em momentos chave. Mérito do diretor David Yates, que une à sua já conhecida excelência no lado técnico algo até então inédito nos filmes por ele comandados: a capacidade de emocionar. Talvez por agora ter tempo para, de fato, trabalhar os eventos principais, já que o grosso da história foi apresentado na Parte 1. Ao mesmo tempo em que a Parte 2 é o filme mais curto de toda a série – 130 minutos –, é também aquele que melhor consegue trabalhar os elementos emocionais envolvidos. Yates demonstra habilidade ao mesclá-los com os simbolismos da série. A defesa do castelo de Hogwarts, diante do iminente ataque de Voldemort e os Comensais da Morte, é um deles. Chega a arrepiar o momento em que Minerva McGonagall assume o comando da resistência.

    O filme conta com boas atuações como um todo, com destaque para Ralph Fiennes (Voldemort) e seus olhares, ora grandiosos ora temerosos, e Matthew Lewis (Neville), por deixar de lado as trapalhadas e se tornar, de fato, um heroi. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 conta ainda com momentos superiores aos do próprio livro escrito por J.K. Rowling. Entre eles o combate final entre Harry e Voldemort, bem mais impactante e longo, e o esperado beijo entre Rony e Hermione, inesperado e sincero. Tudo em meio às inevitáveis simplificações de roteiro, de forma que nem tudo o que é visto no livro esteja presente na telona. Para quem viu os demais filmes e leu os originais, isto já é esperado.

    Independente do gosto de cada um, a série Harry Potter está na história do cinema pela grandiosidade da empreitada e pelos números obtidos nas bilheterias. O último filme é, acima de tudo, feito para o fã. Aquele que reconhecerá cada citação feita, mesmo a apenas visual, e que vibrou com as aventuras do trio Harry, Rony e Hermione na última década. Para ele, este filme é especial. É o desfecho não apenas da série, mas de algo que fez parte de sua vida. Portanto, se você está entre eles, aproveite. E, se não estiver, vale ver como filme de aventura. Muito bom.

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