Quando, no dia 07 de março de 2010, a atriz Sandra Bullock subiu ao palco do Kodak Theater, em Los Angeles, para receber o Oscar de Melhor Atriz das mãos de Sean Penn, muitos cinéfilos se contorceram em suas casas. Por várias razões, mas a principal de todas: NUNCA que a performance de Bullock, em “Um Sonho Possível”, é melhor que, por exemplo, a de Meryl Streep, em “Julie e Julia”. Entretanto, após assistirmos ao filme escrito e dirigido por John Lee Hancock, fica muito fácil compreender o por quê do triunfo de Sandra.
A atriz norte-americana venceu o Oscar 2010 de Melhor Atriz porque ela se mostrou, em “Um Sonho Possível”, de uma forma totalmente diferente da qual estamos acostumados. Ao contrário da maioria de seus filmes, em que interpreta heroinas românticas, aqui Bullock aparece como uma mulher de personalidade forte, num trabalho de composição de personagem que é excelente (começando pela caracterização física e terminando no sotaque que ela trabalhou). Ou seja, Bullock surpreendeu e mostrou uma faceta de seu talento que era desconhecida e, por isso mesmo, chamou a atenção e se diferenciou de suas concorrentes perante os votantes da Academia e dos críticos que criam o buzz que resultam em premiações como a que ela recebeu no início deste mês.
Voltando a falar de “Um Sonho Possível”, filme baseado em uma história real, o verdadeiro personagem principal do longa se chama Michael Oher (Quinton Aaron), adolescente grande no tamanho e no coração, mas que foi bastante maltratado pela vida, uma vez que falta à sua existência certa estabilidade, que faça com que ele desenvolva todo aquele potencial que possui. Quem irá acreditar nele, quem irá acolhê-lo e oferecer para ele aquilo que lhe faltava é a família Tuohy, a qual é liderada pela matriarca Leigh Ann (Bullock).
Todo o roteiro escrito por John Lee Hancock se apoia no relacionamento que é estabelecido entre Michael e Leigh Ann, a qual tenta quebrar e transpor todas as barreiras que Michael colocou entre si e o mundo externo. Neste sentido, há que se elogiar o trabalho de construção do personagem Michael. A história de vida dele nos é muito bem apresentada, os conflitos e medos dele são compreendidos por nós. Entretanto, por outro lado, fica claro que a história de Michael, no filme, em muitos momentos, foi totalmente “distorcida” por motivos ficcionais, até mesmo para reforçar a força de sua trajetória, a sorte que ele teve e a “boa ação” cometida pela família Tuohy.
Entretanto, estes não são elementos que possam tirar a força de “Um Sonho Possível”. Nem mesmo as frases clichês e os pontos de transição forçados porque é justamente isso que você espera de um “feel good movie”, bem como de uma obra cujo propósito maior é contar uma história que inspire e emocione outras pessoas. Você vai assistir “Um Sonho Possível” e se sentir bem, ter momentos de riso e outros em que você irá se emocionar totalmente. É um longa cuja intenção é tentar influenciar você a mudar de forma positiva a vida de outras pessoas. Neste sentido, deixa um bom exemplo a ser dado. Pena que, na prática, as coisas não funcionem assim.