Depois do Filho de Krypton se manter distante do cinema desde o honroso e duvidoso Superman — O Retorno (2008), agora ele volta nas mãos de Zack Snyder, no longa Homem de Aço, provando que a criatividade do diretor precisa ter limite.
Com o intuito de reinventar o Superman, o longa narra sua história de origem, trazendo consigo um dos vilões mais icônicos: General Zod, que pretende terra formar o planeta Terra, e agora cabe a Kal-El, que ainda está descobrindo seus poderes, impedir o cruel general que destrua o planeta que é sua casa.
Como desenvolvimento, o filme se constrói bem, até seus primeiros cinquenta minutos. Tem certo pé no chão, explorando o psicológico do Superman e a sua difícil adaptação à vida no planeta Terra com as vantagens de ter seus poderes. Contudo, assim que Zod e tripulação chegam a Terra, o longa se perde completamente, se tornando cansativo e virando apenas um filme de invasão alienígena, deixando de lado todo o desenvolvimento do Superman e sua história para cenas de ação megalomaníacas. Zack Snyder, abusando de sua criatividade, coreografa lutas tão estrondosas e absurdas que por um momento se parecem até com cenas de ação do anime Dragon Ball Z. Toda a destruição causada por Clark Kent pode ter um motivo: o herói ainda está descobrindo seus poderes, os desenvolvendo; porém, Zack Snyder abusou completamente dessa tecla, e na batalha final deu um show absurdo de CGI, fazendo parecer um Transformes versão super-herói, e traduzindo claramente uma das únicas vantagens do longa: o visual.
A produção herda também uma herança que não combina muito bem com sua estrutura: a trilogia The Dark Knight de Nolan — que também é produtor de Homem de Aço —, que impregnaa o longa com toda a sua obscuridade impedindo o Superman de ser o Superman.
Não há como explorar as atuações. Em destaque, Amy Adams faz o par romântico do Superman, a jornalista Lois Lane. Michael Shannon antagoniza Zod, e consegue oferecer um bom vilão, apesar de simples. E Henry Cavill protagoniza o símbolo de esperança, Superman, e, infelizmente, não da melhor maneira possível. Vemos apenas um super-homem que chora frequentemente, franze as sobrancelhas em todas as suas expressões, e não há como enxergar o herói em Henry Cavill. Talvez seja o mal desenvolvimento que possa ter estragado a atuação, mas Cavill também não colaborou em nada.
A trilha sonora de Hans Zimmer se prova competente mais uma vez. Repetindo o seu talento com super heróis, as faixas combinam com o momento e talvez possam ser o ponto alto de emoção no longa.
Como direção, Homem de Aço oferece ideia boa, mas mal executada. Se perdendo completamente da metade do longa para frente, Snyder, que já dirigiu adaptações de quadrinhos excelentes como Watchmen, 300 e um bom remake de Madrugada dos Mortos, prova que precisava de um freio para dirigir o filme.
Partindo de um filme de super-herói, Homem de Aço se torna um fracasso completo. Porém, partindo de um Sci-fi, a produção se torna mediana e pouco assistível. Comparando ao último filme do filho de Krypton, dirigido por Bryan Singer, dá para sentir imensa saudade da tentativa fraca de Routh se parecer com Christopher Reeves.
Nota: 5/10