Quem precisa de um filme do Dragon Ball quando se tem o Superman dirigido por Zack Snyder? Depois desse filme, os Vingadores e toda a destruição de Nova York no final parece brincadeira de criança. Se precisamos de 6 Vingadores pra salvar o mundo de fracos alienígenas, só é preciso 1 Superman para destruí-lo... sim, porque salvar não é muito a praia dele.
Na Trama, somos apresentado às origens do primeiro super herói importante do mundo que trás paralelos com a história de Cristo (e eu sei que isso você está cansado e careca de saber).
É possível ver a fórmula que Nolan usou em Batman ali: Mais drama, ação mais no final e muita explicação. A edição é muito semelhante a de Batman Begins, que mescla flashbacks do passado para explicar o presente, fora que tudo precisa ter uma explicação realista das coisas. Nosso novo Superman só é forte aqui na Terra, pois absorve energia solar e outros nutrientes atmosféricos, seu S não é de Superman e sim de esperança, sua roupa nada mais é do que as vestimentas de baixo padrão de seu planeta natal e nosso herói não controla seus poderes.
O filme começa muito bem e acompanhamos no imersivo Planeta Krypton. O Planeta Natal de Clark é repleto de tecnologia de ponta e criaturas fantásticas, mesclando ficção científica com Fantasia brilhantemente bem (A única coisa que eu não gostei foi aquele monte de pênis gigante/nave levando os prisioneiros para a Zona Fantasma). As coisas desandam depois que Kal-El cai na terra, e aí o formato que Nolan deu para a Trilogia Batman simplesmente não funciona em O Homem de Aço.
O desenvolvimento do roteiro não é bom, mas as ideias inseridas sim. Não dá pra engolir a relação tão supercial entre Clark e Lois Lane, não dá pra engolir sua infância tão cheia de Bullying e não dá pra engolir a maneira como tudo se resolve. As ideias porém são ótimas e profundas: Nós não estamos sozinhos? Deus existe? O que eu sou, representa mesmo um perigo pra humanidade? Enfim, Superman deve descobrir as respostas enquanto a humanidade luta pra desmistificar suas próprias crenças.
O 3D não é muito bom, mas deixa tudo limpo e é um pouco interessante nas cenas de ação. De todo o modo dê preferência ao ingresso 2D (Se seu cinema não for filha da puta e te obrigar a assistir em 3D). Os efeitos especiais também são muito bons e o filme parece no mínimo 50% mais caro do que ele já é, mas há deslizes como é possível notar em algumas lutas os bonecos em computação gráfica de videogame da próxima geração.
A direção de Zack Snyder pouco tem de sua identidade própria além dos longos planos aéreos e abertos, sem falar dos zoons feitos por computação que dão mais agilidade nas cenas. Há muito de J.J Abrams no filme como uma certa quantidade de Lens Flare e a fotografia fria, mas com a diferença de que a iluminação não prejudica jamais as cenas de ação. Há também um grande uso de câmera de mão e o filme está em constante movimentação, o que deixa o público inquieto e excitado para a próxima cena de ação. A trilha sonora é incrível e quando a atuação falha, é ela que faz tudo parecer imponente e importante.
As cenas de ação são loucas e muitas delas desnecessárias. Enquanto o drama e o descobrimento de poderes toma conta de 2/3 do filme, parece que no final ele quer compensar tudo de uma vez numa overdose frenética de destruição em massa. Superman salva uma dúzia de pessoas, mas milhões morrem e a cidade interia é reduzida a pó. Se por um lado é algo realista e corajoso mostrar que de fato as pessoas morreriam se houvesse invasão ou algo do tipo, por outro é um tremendo exagero o nível do estrago e esperar que o público realmente acredite que Superman é um herói e não um apocalipse ambulante. Clark mostra pouco sensível a toda a destruição que causa e nem sequer mede esforços pra amenizar os estragos... aliás, os estragos começaram por culpa dele. Por mais que nosso herói ainda não esteja preparado para o peso de sua suposta "responsabilidade" para com a Terra, seu nível de imaturidade é inaceitável e ele está longe de ser aquele chatíssimo e bundão super herói certinho que conhecíamos. Aquele cara que sempre seguia as regras e tentava fazer o menor número de vítimas possíveis. Daria no mesmo se ele dissesse: Foda-se essa cidade.
O elenco de estrelas só tem elogio. Quando soube que Henry Cavill ia interpretar nosso herói eu decidi na hora que ia dar uma chance, afinal eu odeio o Superman de qualquer forma. Cavill convence com sua expressão sempre centrada como se nada o pudesse fazer perder a calma (então porque deixou todo mundo morrer?), quase não há esboço de sorriso no nosso herói, mas ele sabe estourar quando a raiva ou dor lhe pede. Snyder estava certo, ele é o Superman e um Superman muito digno de vestir o uniforme mais legal que o herói já teve nos cinemas.
Michael Shanon interpreta o grande vilão General Zod e é mais do que óbvio os paralelos entre seu personagem com o grande Imperador Júlio Cesar (Até mesmo sua aparência romana é visível). O ator interpreta muito bem seu papel e de fato é um grande vilão, coisa que a Warner tem se especializado em seus últimos filmes de heróis.
Russell Crowe que interpreta Jor-El (O pai biológico do Superman) está perfeito, mas não merece muito crédito.. visto que o papel só exige as únicas coisas que ele sabe fazer que convence o público. Ayelet Zurer, que interpreta a mãe biológica de Clark, aparece bem menos que Crowe, mas seus poucos momentos são fantásticos e a atriz mostra-se uma mulher de classe mesmo com seu mundo acabando.
Kevin Costner e Diane Lane são os atores que vivem o casal Kent, os pais adotivos de Clark. Kevin está fantástico e os elogios da crítica não são atoa, mas há uma cena com ele que absolutamente ninguém do cinema engoliu até agora. Diane (a versão envelhecida da Jennifer Lopez) também dá um espetáculo como Martha e é essencial para a formação do garoto.
Temos Amy Adams como a primeira Lois Lane que prestou no cinema. A atriz faz muito bem o seu papel (como sempre) e pela primeira vez a personagem é realmente útil num filme do herói. Para fechar com chave de ouro temos a atriz Antje Traue que interpreta a grande vilã Faora, a subcomandante de Zod. A atriz rouba todas as cenas em que participa, é muito mais intimidadora do que o General Zod e de quebra é muito bonita. Vamos combinar que morrer pelas mãos dela é uma honra.
Com cenas de ação de tirar o fôlego, destruição em massa, vilões memoráveis e um 3D dispensável, O Homem de Aço foi menos do que eu esperava, mas ainda sim foi um ótimo retorno do herói aos cinemas. É possível ver o logo da Lexcorp e da Wayne Enterprise durante algumas cenas, o que significa que o universo DC começou a se expandir, mas não esperem cenas pós-créditos porque elas não existem. Sem Nolan no roteiro do próximo filme e com Snyder mais seguro em sua direção, podemos esperar um Superman 2 do nível Batman Cavaleiro das Trevas?