O filme Interestelar conta a história de Cooper, um ainda jovem engenheiro e piloto da NASA, desviado de função, cuja atual missão de vida é a produção de alimentos para os sobreviventes do planeta Terra. Essa tarefa lhe exige que despreze o amplo conhecimento que possui, para se dedicar exclusivamente à prioridade do momento, que é a de garantir a sobrevivência das vítimas de catástrofes sofridas pelo planeta, num futuro próximo, onde o nosso lar já não lembra mais a Terra que conhecemos hoje. Vive com o sogro e os filhos na fazenda da família. Apesar da rotina árdua de um fazendeiro, Cooper não esconde sua paixão pelos assuntos mecânicos e faz disso seu hobby. Contudo, paira no ar a constante ameaça de um eminente extermínio da raça humana, devido às difíceis condições de sobrevivência. Situações acontecem até que Cooper é envolvido em uma missão secreta e decisiva para o futuro da humanidade. Convidado a comandar uma expedição interdimensional demasiadamente arriscada e incerta quanto ao êxito, sente-se bastante fascinado pela oferta, mas muito mais relutante quanto à escolha entre a honrosa tarefa de comandante interestelar, salvador da humanidade, e a de um zeloso pai. Paralelo a esta situação ocorrem certos fenômenos, digamos que, paranormais, acontecendo com a filha, Murphy. Na verdade, dos filhos, a menina é que demonstra mais afinidade com o pai. Mais tarde tudo irá se encaixar como uma luva na história de todos. Quando embarca no desafio, Cooper deixa para trás a incerteza da volta e usa como a mais forte e verdadeira motivação a garantia da sobrevivência de sua família, como qualquer pai que se preze.
Adentrando direto no enredo do filme, sugiro que não esperem encontrar uma típica história de ficção científica, com cenas de ação e situações futuristas impressionantes, apesar das belas imagens e alguns efeitos especiais diferentes dos já exibidos até hoje. Pelo contrário, muitos espectadores até podem considerar o filme um pouco monótono mas o motivo é compreensível: o roteiro é bastante instrutivo. Pude perceber que em Interestelar a sétima arte está abrindo um novo espaço para que nos habituemos a “crescer” enquanto nos divertimos, ou seja, oferece-nos a oportunidade de aprendermos um pouco sobre determinado assunto, no caso, a tão atual Física Quântica. Pelo menos foi a proposta que percebi. É o tipo de filme em que atenção e concentração são muito exigidas para o bom entendimento do roteiro. Durante sua desenvoltura, existem várias explicações e definições para o bom entendimento e acompanhamento do filme. Mas podem ter certeza de que, no final, tudo é proveitoso, o aprendizado é válido e a surpresa preparada para esse final nos deixa intrigados ao ponto de nos questionarmos sobre o quanto já sabemos a respeito do tempo/espaço em que vivemos e nos remete às velhas perguntas, tão antigas quanto o homem: quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? O que estou fazendo aqui? O que vejo é real? E, por fim: afinal, tempo e espaço realmente existem?