Pra um filme que foi feito com baixo orçamento, ele até foi bom. Mas no final fico com muita raiva do egoísmo e perversidade do protagonista. Sinceramente em nenhum momento ele pensou na personagem sofrendo... Me pergunto se o título do filme tem a ver com ele ou com a garota amaldiçoada.
"Obsessão", o longa de estreia do diretor Curry Barker, propõe-se a ser um terror psicológico denso sobre a dependência emocional e as facetas mais feias da masculinidade tóxica, explorando a linha tênue entre o afeto e a possessividade. Embora o primeiro ato seja brilhante ao estabelecer uma atmosfera genuinamente sufocante e claustrofóbica baseada na rotina, a obra acaba se revelando uma experiência frustrante e inconstante, tropeçando nas próprias ambições e falhando em sustentar a sua premissa inicial.
O grande obstáculo do filme é a sua estrutura narrativa. Assim que a maldição central se concretiza, a história trava, resultando em um segundo ato arrastado, repetitivo e cansativo. A narrativa fica presa em um ciclo de brigas e ciúmes que não avança, deixando clara a necessidade de cortes na ilha de edição. Somado a isso, o roteiro sofre com diálogos engessados e uma mistura de tons desastrosa, inserindo um humor negro bizarro e piadas fora de hora que quebram completamente o peso dramático e a imersão. A tentativa do diretor de entregar uma mensagem moral acaba soando professoral e sem sutileza, subestimando a inteligência do público ao tentar mastigar o subtexto o tempo todo.
Acompanhar o protagonista Bear (Michael Johnston) é uma tarefa árdua, já que o personagem é unidimensional em sua maldade, não deixando espaço para que o público torça por alguém. Em contrapartida, a atriz Inde Navarrette é o grande trunfo e a verdadeira âncora emocional da produção. Apesar de o roteiro reduzir sua personagem a um mero instrumento de sofrimento físico e psicológico — levantando a incômoda dúvida se a obra critica a misoginia ou apenas a fetichiza —, Navarrette entrega uma performance visceral e madura. Ela consegue segurar as cenas através de pequenos detalhes físicos e olhares, mesmo quando as falas não ajudam.
Na parte técnica, a escolha de quase não usar trilha sonora funciona no início, mas acaba esvaziando a energia das cenas mais longas, culminando em ruídos mal mixados e sustos baratos. A reta final do filme agrava ainda mais os problemas de ritmo ao abandonar o terror psicológico contido por uma escalada de violência extrema e gratuita, soando como uma muleta apelativa para chocar o espectador. O encerramento frio e abrupto, sem resolver o mistério central, deixa uma sensação de frustração. No fim, "Obsessão" é uma obra indigesta que espreme uma ideia genial em uma execução falha. Ainda assim, é um filme que obriga a pensar e pode valer a pena para quem deseja experimentar uma atmosfera de opressão real, desde que se tenha estômago para seus excessos e paciência para seus tropeços.
Achei o filme muito bom. Mais ainda levando em consideração que o orçamento do filme foi extremamente baixo (menos de 3 milhões de reais) e ficou muito mais interessante que filmes famosos como por exemplo "Dia D" que custou 115 milhões e ficou um lixo chato e monótono este filme tem boa fotografia, boas atuações e é uma história horiginal. Com o tempo a gente muda a perspectiva sobre quem é o obsessivo na história e isso da um plot twist legal.
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