nunca antes escrevi uma crítica e nunca antes me emocionei tanto em um documentário. falarei sobre o motivo dos dois.
o doc é extremamente bem montado, produzido e idealizado. conta a história e enreda uma narrativa com imagens reais que te mergulham de cabeça nos acontecimentos. é um convite a se colocar no lugar de todo mundo. das crianças, policiais, mães e até a vizinha.
e claro, precisamos falar dela. o nome do documentário. que traz cada semente do conflito pra luz, com os piores manejos de mediação e convivência comunitária - linha de intervenção, inclusive, extremamente cabível nesse caso antes que ele se tornasse uma tragédia.
o conflito? crianças brincando num enorme terreno em frente a casa que ela alugava, turminha provavelmente barulhenta, bagunceira e inconsequente. afinal, são crianças.
que escala porque? a vizinha parece não gostar nem um pouco desse movimento todo, em frente a casa que ela ESCOLHEU ALUGAR, de um pro proprietário que parecia não de importar com a bagunça - assim como o resto de toda a comunidade, o que inclui os vizinhos de parede da assassina.
os pais, responsáveis e policiais? levavam cada vez menos a sério as reclamações, porque brincadeira, felizmente, não se enquadra em nenhuma violação de direito civil e sua palavra contra a do coleguinha (principalmente menor de idade) também não. santo ordenamento jurídico! mas o que por um lado, trouxe pra velhinha ainda mais remorço, raiva, indignação, ruminação, paranoia e senso de impunidade.
o resultado? um tiro. de trás da porta. num desses conflitos, que infelizmente colocou uma mãe corajosa e protetora em frente àquela casa. pra defender suas crianças, que embora não fossem santas, eram só crianças. que crescerão órfãs, com a imagem da mãe baleada, porque elas ESTAVAM LÁ, participaram e viram tudo. tem noção?
como chorei.
nenhuma criança merece presenciar, viver ou carregar nada disso. isaac, israel, afrika e titus terão pra sempre uma marca que nenhum de nós vai conseguir mensurar.
e aí, o porquê da minha primeira crítica. imaginar que mesmo diante disso tudo, ainda tem gente que passa pano pra uma covarde, que atira numa MÃE por trás da porta, 2 minutos depois de já ter ligado pra policia, que estava a caminho…
desejo pra vocês um sopro de empatia profunda, de amor genuíno e bondade de Deus. o que faltou na alma daquela assassina, espero que nunca falte na de vocês.