é meu primeiro comentário a respeito de um filme, num local especializado nesta questão. Comecei a assistir o Agente Secreto, com os olhos de Tropa de Elite misturado com Ainda Estou Aqui. Ao fim, percebi que o filme em questão, apesar de retratar questões de violência e repressão política, não o fez de forma expositiva, mas sim, de forma poética. Li alguns comentários, de que faltam vinculações entre as personagens, de que não existe ligações entre cenas, e etc, e realmente era o que eu estava achando até perceber que o filme, não era uma "narração" da personagem Marcelo/Armando, e sim de uma adolescente, quase cinquenta anos no futuro, o que justifica essas questões de continuidade de personagens sem maiores aprofundamentos, pois sempre foi, a Tânia (adolescente), escutando a voz do Marcelo/Armando e alguns outros em fita, retratando algo que ocorreu décadas no passado. Ela só poderia "narrar" ou imaginar o que viu nas fitas, tanto é que da morte de Marcelo/Armando nada aparece, apenas uma reportagem; dito tudo isso, o momento de maior tensão do filme, foi a ação do matador, que merece aplausos pois foi muito bem feita, demonstrando claramente a frieza e a maldade do ser humano para com o próximo; matadores daquela época,e até hoje, agem assim, com frieza, crueldade e muita, mas muita falta de empatia e excesso de covardia. As imagens do filme, com carros da época, todos muito bonitos, as roupas das personagens, tudo perfeito. Todavia, gostaria de ressaltar uma falha muito grande, que aparece logo no início, onde dois policiais rodoviários federais abordam a personagem principal; ocorre, que a PRF não existia na época, somente nascendo em 1988, existindo naquele tempo a famosa Patrulha Rodoviária Federal. Com relação à perna peluda, que alguns reclamaram que não justificaria aparecer no filme, creio que foi uma licença poética do diretor, a fim de retratar um ente folclórico que existia em Pernambuco na época.