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Far R
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0,5
Enviada em 27 de janeiro de 2026
Comecei com a expectativa muito alta, principalmente pelo tema da ditadura, no início do filme no posto de gasolina senti uma fagulha do que imaginava que seria a tensão do filme, onde se tinha um corpo de um homem assassinado onde o personagem do Wagner Moura está. A polícia chega, mas surpreendentemente ignora o corpo e resolve revistar o nosso protagonista... Mas toda essa tensão é jogada no lixo, o fato deles ignorarem o corpo não é nada profundo em termos de desfecho, a não ser que você queira forçar uma analogia com o final do filme. O filme é extremamente arrastado e sem desfecho, com várias pontas soltas, o filme dá a entender que ele está sendo perseguido por dois assassinos de aluguel, mas não dá nenhuma fagulha na maior parte do filme, eles são extremamente distantes. No início eles descartam um corpo no mar/rio, mas o único aproveitamento dessa cena (pelo que eu imagino) é pra criar uma cena onde um tubarão está com uma perna no estômago, fato esse que assombra o filme inteiro, inclusive com o que pode ser a cena mais ridícula do cinema nacional. Os nossos assassinos de aluguel, além de não fazerem nada na maior parte do filme, acabam terceirizando o serviço. Eu vi alguns elogios ao ator, mas embora a cena tente passar tensão, ela não faz sentido, na hora que ele encontra o nosso protagonista em uma espécie de cartório, ele com o objetivo de matá-lo...o chama pelo nome em voz alta como se fossem amigos de infância. O nosso protagonista procura a polícia (previsívelmente) e na incompetência do próprio plano mata os policiais e foge baleado sem cumprir o seu objetivo de matar o protagonista. Essa cena pra mim é a mais simbólica por estar toda errada, até o contexto de ditadura é burro, porque em uma época em que eles poderiam explorar o controle e a repressão, eles me mostram um assassino baleado conseguindo fugir impune. Em suma, horrível em todos os sentidos, o filme é quase uma apologia ao turismo sexual, com cenas de sexo em locais públicos e de trabalho, além da pior cena do filme, e em pensar que estrangeiros terão essa imagem do nosso país representado por um conterrâneo.
O Agente Secreto é uma obra de arte que mistura cultura regional, cinema, teatro , sons e memória. O elenco faz de o Agente Secreto um espetáculo único. Parece que o mundo voltou para 1977, um tempo marcado pela repressão e corrupção. O empresário Paulista representa bem a podridão do final da Ditadura Militar. Somente quem viveu aquela época é capaz de sentir parte daquele mundo. Um filme imperdível.
A diferença entre filmes brasileiros e filmes bons é que os filmes bons nao precisam de sexo e homossexualidade para atrair o público. Além disso é um filme paradão com uma historinho que só os 70+ entendem.
Acabo de sair do cinema e confesso que esperava mais do filme. A interpretação de Wagner Moura é excelente assim como a de Udo Kier, Luciano Chirolli e Maria Fernanda Cândido. Maravilhosa interpretação de Tânia Maria. Fotografia e figurinista estão de parabéns ! Confesso que não sei por qual motivo esse filme fez tanto sucesso no exterior ; para nós brasileiros , especialmente nós que vivemos essa época , é um filme que nos faz lembrar do passado e da dureza social e das perseguições políticas da época da ditadura. O enredo , infelizmente , insiste em caracterizar as pessoas do Sudeste/Sul do Brasil com enorme desrespeito como se fôssemos todos racistas e preconceituosos . Essa linguagem antagônica, ou que quer ser antagônica a todo custo entre Norte e Sul , brancos e mestiços , sinceramente , cansa muito ! Esse tipo de contradição forçadamente colocada nos filmes apoiados pela Globo e afins é extremamente prejudicial para a construção d harmoniosa da sociedade brasileira. Não entendi também o motivo de colocar essa perna que caminha assustando pessoas em um parque ; algo grotesco e fantasioso que interrompe a narrativa séria sobre a ditadura . Enfim , sai da sala de cinema achando que assisti a um bom filme brasileiro mas que não deveria , a meu ver , estar a fazer tanto sucesso pelo mundo .
A fotografia do filme realmente é muito boa. Tem certos exageros e algumas cenas totalmente desnecessárias. O filme tem o ritmo lento e bem arrastado, conta com uma atuação protocolar de Wágner Moura.
Um dos principais acertos do filme é a construção de uma tensão contínua. Em vez de apostar em picos dramáticos constantes, a ameaça permanece diluída. O resultado é uma atmosfera de vigilância ininterrupta, em que até os gestos mais banais parecem carregados de risco e possíveis repercussões graves. Destaque aqui para a impecável atuação de Wagner Moura e a excelente direção de arte que fez uma reconstituição única de Recife no final decada de 70.
O Agente Secreto consegue traduzir a alma brasileira na tela, um feito e tanto. O roteiro combina, de maneira orgânica, questões entranhadas na nossa sociedade. Estão lá a corrupção, a mistura do público e privado, a violência, as desigualdades sociais, mas também a doçura, o afeto, a solidariedade, o sexo livre e a alegria de viver do brasileiro. E a resistência ao totalitarismo. Todos os inúmeros personagens do filme são ricos, cativantes, únicos. Um ano após Ainda Estou Aqui, o cinema brasileiro produz outra obra-prima. É possível um raio cair 2 vezes no mesmo lugar? Para quem possui cineastas como Kleber Mendonça e Walter Salles e atores como Wagner Moura e Fernanda Torres sim, é possível. Mesmo tendo lido muito a respeito e visto os trailers, o filme me surpreendeu e as cenas finais me emocionaram, o que não aconteceu nos outros filmes do Kleber. Wagner Moura tem uma presença cênica absurda, magnética. Dá vontade de entrar na tela e conviver com o mundo retratado no filme. O trabalho de cenografia, som, fotografia, edição, tudo é feito com um cuidado extremo. Há também a questão da preservação de nossa memória, algo essencial para nos mantermos íntegros. Imprevisível, engraçado, desconcertante, emocionante, surpreendente, O Agente Secreto merece todas as láureas recebidas e as que, porventura, receba. É um filme para ser apreciado várias vezes, se possível. Tomara que faça tanto sucesso quanto Ainda Estou Aqui. O site deveria serais rigoroso e não permitir que usuários dêem nota baixa ao filme por questões ideológicas (provavelmente nem viram).
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