O filme “Agente Secreto”, estrelado por Wagner Moura e consagrado com o Oscar, é uma obra que, sem dúvida, possui méritos técnicos e artísticos que justificam seu reconhecimento internacional. A narrativa é bem estruturada, o roteiro apresenta uma boa história e o elenco entrega atuações sólidas, com destaque para a presença sempre intensa de Wagner Moura. A fotografia é bem trabalhada, com iluminação adequada, enquadramentos cuidadosos e um cenário bastante elaborado, que contribui para a ambientação da trama. O figurino e a trilha sonora cumprem bem seus papéis, sem excessos, ajudando a sustentar o clima do filme.
Dito isso, apesar de todos esses acertos, “Agente Secreto” não me parece um filme à altura do impacto esperado de uma obra vencedora do Oscar. Como espectador assíduo de filmes de diversos gêneros, considero que ele é significativamente menos atrativo do que “Tropa de Elite”, também protagonizado por Wagner Moura, que se mostra mais intenso, coerente e memorável.
Alguns pontos específicos enfraquecem a experiência. Há falhas de verossimilhança difíceis de ignorar, como a cena em que uma pessoa é alvejada dentro do porta-malas de um Opala, sem qualquer consequência ao tanque de combustível — que, na realidade, fica logo abaixo do compartimento. Outro exemplo é o matador de aluguel que mata dois policiais e recebe apenas um tiro na perna, o que soa pouco convincente dentro do contexto apresentado.
Além disso, o chamado folclore da “perna cabeluda”, inserido com cenas de qualidade questionável, não acrescenta profundidade nem significado à narrativa, parecendo deslocado e desnecessário. No entanto, o maior problema fica para o desfecho do filme: após uma pesquisadora acadêmica realizar todo um estudo aprofundado sobre a história de Marcelo e repassá-lo ao filho — que é médico —, o personagem simplesmente afirma que não quer saber da história do próprio pai. Esse encerramento causa estranhamento e frustração, pois enfraquece todo o arco narrativo construído até então.
Em resumo, “Agente Secreto” é um filme tecnicamente bem executado, com boas atuações e qualidades inegáveis, mas que, na minha avaliação, entrega um impacto apenas mediano para um Oscar. Assisti uma vez e não sinto vontade de rever, tampouco recomendaria com entusiasmo.
Nota final: 6/10.