O Agente Secreto consegue traduzir a alma brasileira na tela, um feito e tanto. O roteiro combina, de maneira orgânica, questões entranhadas na nossa sociedade. Estão lá a corrupção, a mistura do público e privado, a violência, as desigualdades sociais, mas também a doçura, o afeto, a solidariedade, o sexo livre e a alegria de viver do brasileiro. E a resistência ao totalitarismo. Todos os inúmeros personagens do filme são ricos, cativantes, únicos. Um ano após Ainda Estou Aqui, o cinema brasileiro produz outra obra-prima. É possível um raio cair 2 vezes no mesmo lugar? Para quem possui cineastas como Kleber Mendonça e Walter Salles e atores como Wagner Moura e Fernanda Torres sim, é possível. Mesmo tendo lido muito a respeito e visto os trailers, o filme me surpreendeu e as cenas finais me emocionaram, o que não aconteceu nos outros filmes do Kleber. Wagner Moura tem uma presença cênica absurda, magnética. Dá vontade de entrar na tela e conviver com o mundo retratado no filme. O trabalho de cenografia, som, fotografia, edição, tudo é feito com um cuidado extremo. Há também a questão da preservação de nossa memória, algo essencial para nos mantermos íntegros. Imprevisível, engraçado, desconcertante, emocionante, surpreendente, O Agente Secreto merece todas as láureas recebidas e as que, porventura, receba. É um filme para ser apreciado várias vezes, se possível. Tomara que faça tanto sucesso quanto Ainda Estou Aqui. O site deveria serais rigoroso e não permitir que usuários dêem nota baixa ao filme por questões ideológicas (provavelmente nem viram).