Manas
Média
3,8
59 notas

13 Críticas do usuário

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Diogo Codiceira
Diogo Codiceira

24 seguidores 889 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 20 de maio de 2026
Manas é um filme nacional de drama, que contou com a direção de Marianna Brennand e roteiro de Marcelo Grabowsky e Felipe Sholl. Na trama, acompanhamos Marcielle (Jamilli Correa), uma adolescente de 13 anos, que vive junto com a sua família en uma comunidade ribeirinha na ilha de Marajó (PA). Marcielle sonha em fazer a mesma trajetória de sua irmã mais velha, que saiu da ilha. Mas a jovem passa a conviver com a triste realidade diante de violência e abuso diante do ambiente que o cerca. O filme trabalha com uma realidade triste que ainda existe no Brasil, e que as jovens ainda vivenciam, que é o abuso e a exploração sexual infantil. Algo que o roteiro faz questao de mostrar que é algo praticamente normalizado dentro da ilha. Tiramos como exemplo a vendinha que as adolescentes ia comprar algo com o dinheiro que era rendido por esse meio. O filme nao apenas foca no ambiente, mas tbm na própria protagonista que está em um período de descoberta da sua sexualidade, do seu corpo. Tanto que no começo mostra ela menstruando, algo que pode ser sua primeira ou uma dos seus primeiros ciclos, mostra tbm a sua curiosidade em um livro de ciências dor órgãos reprodutores. Evidentemente que o mais choca é saber o que acontece dentro da casa da garota ( especialmente com o seu pai) e com a balsa, que vinha negociar e trazer mercadorias para ilha ( além de toda a normalização citada acima). O roteiro acerta ao mostrar a influência da religião, em especial, a evangélica nessa normalização. A direção foi extremamente competente, pois soube o que mostrar e o que nao mostrar. Diante de um tema pesado e de situação difíceis de engolir, meia palavra já bastava. Para além de todo o drama, a direção ainda acerta em colocar elementos da cultura local, como o açai, um alimento importante na região e as músicas que embalaram a trilha sonora do longa, especialmente a música: Príncipe negro, da banda Fruto sensual. Em termos de atuação, gostei da protagonista e de Dira Paes, que encarnou bem a sua personagem com tom de autoridade policial que precisava. Nesse sentido, sua personagem tbm foi muito importante para mostrar que existe a atuação das forças de segurança, mas que os instrumentos e a lei em si é fraca e nao protege adequamente o mais fraco. Um grande filme brasileiro, que poderia ser representado na corrida para o Oscar.
Maria Alice Félix
Maria Alice Félix

22 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 20 de abril de 2026
Excelente produção cinematográfica brasileira. Atores comprometidos em passar veracidade do que acontece em tantos lugares do Brasil, não só na Ilha de Marajó. A sensação é de estar vivendo aquilo tudo com aquelas meninas.
As cenas explícitas não fazem falta alguma no enredo, o filme consegue transmitir uma longa tensão do que virá em seguida com a compra da corda, com a barca, com as tantas formas metafóricas de fugir daquela realidade. É de causar náuseas e outros incômodos mais, afinal, isso não é uma ficção. Diariamente meninas perdem sua infância devido uma sociedade que vê o outro como posse; como objeto. Ademais, a dificuldade de romper com ciclos de violência.
Sem dúvidas, um filme que merece mais reconhecimento. Todavia, importante dizer dos gatilhos.
Ricardo L.
Ricardo L.

63.291 seguidores 3.227 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 17 de novembro de 2025
Mais una obra de qualidade do cinema brasileiro! Um roteiro forte com um elenco bem quisto! Faltou mais trilha sonora e melhores enquadramentos num ambiente tão propício, mas mesmo assim é um filme muito bom.
Diego Bandeira
Diego Bandeira

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 14 de setembro de 2025
Excelente filme. A mensagem que ele passa é impactante. Precisa ser assistido. Fotografia, montagem e atuações sensacionais. Esse filme tem que representar o Brasil no Oscar para que esse tema tenha a visibilidade que necessita.
Cleibsom Carlos
Cleibsom Carlos

18 seguidores 225 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 9 de setembro de 2025
O filme trata de um tema pesadíssimo com respeito e silêncio e passa longe da histeria ou da "denúncia impactante". Com um elenco afiadíssimo e fugindo das concessões, aqui o turista que gostaria de ver apenas as belezas do coração do mundo vai se afundar até o pescoço na lama. Creio que muitos na Amazônia brasileira gostariam de varrer MANAS para debaixo do tapete. Espero de verdade que essas pessoas "do bem" que creem que aquilo que o filme retrata não existe na região, ou em qualquer outro lugar, pois creio que o mostrado seja corriqueiro no mundo, não consigam sucesso em seu intento...
Yuri Marques
Yuri Marques

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 5 de setembro de 2025
Um vazio invadiu meu peito depois de assistir esse. Ainda tô processando. Manas trata de um assunto que acontece todo santo dia, principalmente nos recantos mais esquecidos do país. É pesado, mas necessário. As crianças como Marcielle são afetadas, novamente, TODOS os dias porque o sistema falha com elas.

Há um equilíbrio entre delicadeza e denúncia: a direção da Marianna Brennand é sensível, inteligente, sem jamais cair no sensacionalismo. Em alguns momentos temos alguns cortes secos que demonstram a brutalidade sem precisar expor a violência, e é justamente nesse espaço de silêncio que o grito do filme se faz mais alto.
Barbara Orosco Brandi Furtado
Barbara Orosco Brandi Furtado

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 23 de julho de 2025
Um filme extremamente cuidadoso. Fala sobre o abuso que ocorre na ilha de marajó, e não mostra nada explícito, somente o silêncio e a dor das personagens. Filme nacional não é só comédia é o puro suco do cinema também! Pada quem quer se desligar desse vício de consumo e serotonina rápida, esse filme te acorda para vida. Simplesmente incrível
Niara Baniwa
Niara Baniwa

1 crítica Seguir usuário

1,0
Enviada em 18 de julho de 2025
Muito ruim. 10 anos pra fazer um lixo desses. Agride até nós, povos originários. Não somos a favor da violência sexual infantil. Não incentivamos nossas filhas para esse tipo de coisa ruim.
Bruna do Carmo Reis Lira
Bruna do Carmo Reis Lira

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 31 de maio de 2025
"Manas" (direção de Marianna Brennand-2025) é um filme que mexe com todo o nosso sensório-motor, sem dúvidas. Nos revolta, nos emociona, nos causa horror, nos afasta da nossa própria humanidade quando pensamos nos nossos.

É um filme que tende a nos alegrar enquanto nortistas por mostrar o outro lado da vivência ribeirinha, as águas barrentas, a canoa. O outro lado que geralmente não é mostrado. Para o paraense, é ainda mais intenso quando se destaca o delicioso açaí, a farinha, o camarão, a música, o orgulho de ser da terra.

Também é um filme que reflete a precariedade da educação. A dificuldade financeira das famílias para comprar os materiais escolares. A vontade de querer estudar, escrever era maior. Lá estavam alguns papéis costurados para escrever. Nostalgicamente, lembrei da minha infância quando estudei com alguns papéis costurados pela minha mãe. Mas não foram só os papéis que me trouxeram à memória.

Os brinquedos daquelas meninas também me fizeram lembrar de um tempo em que a minha infância foi vivida com muita felicidade. Os caroços, frutas, eram nossos brinquedos. Eram outros tempos. Bons tempos!

Embora eu tenha mencionado essas alegrias, o filme mostra, sobretudo, a infeliz realidade de muitas crianças e adolescentes dentro e fora de "seus lares", na zona rural e zona urbana do nosso país.

E o que fica evidente? A violência. A violência de todos os lados, de todas as ordens. A violência que vem de um "pai" que deveria zelar pela segurança dos filhos. A violência que vem de uma mãe que também é violentada pela dominação e submissão do marido. Como se isso não bastasse, ela também vem da violência praticada pelo padrasto, que provavelmente gerou uma filha e que essa mesma filha foi abusada, mais tarde, pelo seu novo padrasto.


A violência religiosa que prega o discurso manipulador de "família tradicional" para esconder os traumas e violências dentro de casa.

A violência do estado que "promete" proteção e segurança aos vulneráveis, ficando às margens de seus direitos. E o ciclo de violência continua. Hoje com essa filha, amanhã com a outra.

A violência de "estrangeiros" que se aproveitam da vulnerabilidade econômica, social e da natureza infantil que ainda aflora a inocência, mas que agora acaba de ser destruída.

E a violência emocional, psicológica? Principalmente!

A sociedade não pode normalizar essas violências. Uma mãe não pode continuar dizendo para sua filha que "tem coisas que são assim" enquanto sua filha pede socorro com o olhar lacrimejando.

"As mulheres" não podem continuar dizendo que aquela menina não é a primeira e nem será a última a passar por tal violação.

A violência vem de dentro de casa e não pode se normalizar.

O "Manas" também nos mostra a resistência. E não é para ser interpretado como pacífica.

Resistência de meninas-mulheres , resistência à violência, resistência ao "sistema", resistência por elas e por outras, resistência por outras mulheres adultas que não souberam ou não tiveram ferramentas necessárias para lutar. Resistência por muitas Marcielles!

E aqui cabe parafrasear Fanon em Os condenados da Terra: A violência só pode acabar pela própria violência.

E é o que o final do filme nos mostra: A violência pela violência.

Não preciso mais dizer que vocês precisam assistir, né!? Assistam e teçam suas críticas.

Por Bruna Lira
bldss
bldss

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 27 de maio de 2025
Filme incrível. Fotografia impecável e representatividade nortista. Não espere alegria, mas sim indigestão. Trata da realidade das meninas ribeirinhas. Parabéns à equipe pelo trabalho!
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