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Adriano Côrtes Santos
1.010 seguidores
1.229 críticas
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4,5
Enviada em 5 de janeiro de 2025
"Narrativa poderosa e atuações marcantes." Marcielle, uma jovem de 13 anos da Ilha do Marajó, enfrenta a violência familiar e a exploração sexual predominantes em sua comunidade. O filme aborda com sensibilidade e profundidade temas delicados, como o abuso infantil, destacando-se pela direção cuidadosa e atuações impactantes, especialmente de Jamilli Correa, que entrega uma performance reveladora.
Tema forte, que mexe conosco, mas muito bem abordado, sem cenas fortes e desnecessárias. Belíssima fotografia. Infelizmente, trata de uma triste realidade que precisa ser exposta.
Um filme extremamente cuidadoso. Fala sobre o abuso que ocorre na ilha de marajó, e não mostra nada explícito, somente o silêncio e a dor das personagens. Filme nacional não é só comédia é o puro suco do cinema também! Pada quem quer se desligar desse vício de consumo e serotonina rápida, esse filme te acorda para vida. Simplesmente incrível
O filme trata de um tema pesadíssimo com respeito e silêncio e passa longe da histeria ou da "denúncia impactante". Com um elenco afiadíssimo e fugindo das concessões, aqui o turista que gostaria de ver apenas as belezas do coração do mundo vai se afundar até o pescoço na lama. Creio que muitos na Amazônia brasileira gostariam de varrer MANAS para debaixo do tapete. Espero de verdade que essas pessoas "do bem" que creem que aquilo que o filme retrata não existe na região, ou em qualquer outro lugar, pois creio que o mostrado seja corriqueiro no mundo, não consigam sucesso em seu intento...
Um vazio invadiu meu peito depois de assistir esse. Ainda tô processando. Manas trata de um assunto que acontece todo santo dia, principalmente nos recantos mais esquecidos do país. É pesado, mas necessário. As crianças como Marcielle são afetadas, novamente, TODOS os dias porque o sistema falha com elas.
Há um equilíbrio entre delicadeza e denúncia: a direção da Marianna Brennand é sensível, inteligente, sem jamais cair no sensacionalismo. Em alguns momentos temos alguns cortes secos que demonstram a brutalidade sem precisar expor a violência, e é justamente nesse espaço de silêncio que o grito do filme se faz mais alto.
Filme incrível. Fotografia impecável e representatividade nortista. Não espere alegria, mas sim indigestão. Trata da realidade das meninas ribeirinhas. Parabéns à equipe pelo trabalho!
Muito ruim. 10 anos pra fazer um lixo desses. Agride até nós, povos originários. Não somos a favor da violência sexual infantil. Não incentivamos nossas filhas para esse tipo de coisa ruim.
Excelente filme. A mensagem que ele passa é impactante. Precisa ser assistido. Fotografia, montagem e atuações sensacionais. Esse filme tem que representar o Brasil no Oscar para que esse tema tenha a visibilidade que necessita.
"Manas" (direção de Marianna Brennand-2025) é um filme que mexe com todo o nosso sensório-motor, sem dúvidas. Nos revolta, nos emociona, nos causa horror, nos afasta da nossa própria humanidade quando pensamos nos nossos.
É um filme que tende a nos alegrar enquanto nortistas por mostrar o outro lado da vivência ribeirinha, as águas barrentas, a canoa. O outro lado que geralmente não é mostrado. Para o paraense, é ainda mais intenso quando se destaca o delicioso açaí, a farinha, o camarão, a música, o orgulho de ser da terra.
Também é um filme que reflete a precariedade da educação. A dificuldade financeira das famílias para comprar os materiais escolares. A vontade de querer estudar, escrever era maior. Lá estavam alguns papéis costurados para escrever. Nostalgicamente, lembrei da minha infância quando estudei com alguns papéis costurados pela minha mãe. Mas não foram só os papéis que me trouxeram à memória.
Os brinquedos daquelas meninas também me fizeram lembrar de um tempo em que a minha infância foi vivida com muita felicidade. Os caroços, frutas, eram nossos brinquedos. Eram outros tempos. Bons tempos!
Embora eu tenha mencionado essas alegrias, o filme mostra, sobretudo, a infeliz realidade de muitas crianças e adolescentes dentro e fora de "seus lares", na zona rural e zona urbana do nosso país.
E o que fica evidente? A violência. A violência de todos os lados, de todas as ordens. A violência que vem de um "pai" que deveria zelar pela segurança dos filhos. A violência que vem de uma mãe que também é violentada pela dominação e submissão do marido. Como se isso não bastasse, ela também vem da violência praticada pelo padrasto, que provavelmente gerou uma filha e que essa mesma filha foi abusada, mais tarde, pelo seu novo padrasto.
A violência religiosa que prega o discurso manipulador de "família tradicional" para esconder os traumas e violências dentro de casa.
A violência do estado que "promete" proteção e segurança aos vulneráveis, ficando às margens de seus direitos. E o ciclo de violência continua. Hoje com essa filha, amanhã com a outra.
A violência de "estrangeiros" que se aproveitam da vulnerabilidade econômica, social e da natureza infantil que ainda aflora a inocência, mas que agora acaba de ser destruída.
E a violência emocional, psicológica? Principalmente!
A sociedade não pode normalizar essas violências. Uma mãe não pode continuar dizendo para sua filha que "tem coisas que são assim" enquanto sua filha pede socorro com o olhar lacrimejando.
"As mulheres" não podem continuar dizendo que aquela menina não é a primeira e nem será a última a passar por tal violação.
A violência vem de dentro de casa e não pode se normalizar.
O "Manas" também nos mostra a resistência. E não é para ser interpretado como pacífica.
Resistência de meninas-mulheres , resistência à violência, resistência ao "sistema", resistência por elas e por outras, resistência por outras mulheres adultas que não souberam ou não tiveram ferramentas necessárias para lutar. Resistência por muitas Marcielles!
E aqui cabe parafrasear Fanon em Os condenados da Terra: A violência só pode acabar pela própria violência.
E é o que o final do filme nos mostra: A violência pela violência.
Não preciso mais dizer que vocês precisam assistir, né!? Assistam e teçam suas críticas.
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