O Morro dos Ventos Uivantes
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2,9
246 notas

92 Críticas do usuário

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NerdCall
NerdCall

60 seguidores 494 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 12 de fevereiro de 2026
O Morro dos Ventos Uivantes, dirigido e roteirizado por Emerald Fennell, chega como uma adaptação ambiciosa e declaradamente autoral da obra de Emily Brontë. Longe de buscar fidelidade literal, o filme se assume como interpretação emocional, estética e temática de um romance marcado por obsessão, desejo e destruição. Trata-se do maior projeto da carreira de Fennell até aqui, e também do mais pessoal: um filme que carrega sua assinatura com clareza, confiança e risco. Ao mesmo tempo em que inaugura a temporada cinematográfica de 2026 com força, consolida a diretora como um nome disposto a tensionar clássicos sem pedir permissão.

Desde o anúncio do elenco, a produção esteve cercada de controvérsias. Parte dos leitores da obra original questionou escolhas específicas, sobretudo a escalação de Jacob Elordi para um personagem descrito no livro como cigano e de pele escura. A resposta de Fennell nunca foi defensiva: o filme não se propõe a ser uma adaptação fiel, mas uma releitura. Não por acaso, a Warner Bros. opta por apresentar o título com aspas, reforçando esse distanciamento consciente do texto original.

Essa decisão não é apenas conceitual, mas estrutural. Fennell utiliza o romance de Brontë como base emocional e dramática, não como molde rígido. O que lhe interessa não é reproduzir cada evento, mas explorar sensações: o amor que nasce sem nome, o desejo que se transforma em ferida, a obsessão que corrói tudo ao redor. Essa liberdade criativa também dialoga com um momento recente do estúdio, mais aberto a propostas autorais, entendendo que risco e identidade podem resultar em filmes fortes tanto artística quanto comercialmente.

Narrativamente, o filme parte de uma estrutura conhecida: um romance atravessado por imposições sociais, pressões familiares e hierarquias rígidas. Isso é inevitável, dado o período em que a história se passa, no final do século XVIII, e o próprio DNA da obra original. A diferença está na forma como Fennell conduz esse material. Seu interesse não está apenas no amor proibido, mas no desejo como força desestabilizadora, visceral, incômoda e muitas vezes contraditória.

O primeiro bloco do filme é fundamental para isso. A diretora dedica tempo à construção do vínculo entre Catherine e Heathcliff desde a infância até a versão adulta, apostando menos em gestos grandiosos e mais em pequenas trocas: afeto, cuidado, cumplicidade. Não há pressa nem erotização precoce. O que se constrói ali é um amor silencioso, profundo e não verbalizado, que se enraíza de forma quase inevitável. Essa escolha dá peso emocional a tudo o que vem depois.

Quando ocorre a ruptura entre os dois, o filme muda de tom. O que antes era calor e intimidade se transforma em distância, ciúme e ressentimento. Anos se passam, e o reencontro já acontece sob outra lógica: agora existe o casamento, a obrigação social, o desejo reprimido. Fennell trabalha com precisão essa inversão, explorando o sentimento do querer sem poder. O amor persiste, mas se manifesta de forma torta, clandestina e dolorosa. O espectador é colocado em uma posição desconfortável: torce pela união dos dois, mesmo sabendo que ela carrega algo de errado, de destrutivo.

Essa ambiguidade moral é uma das marcas mais fortes da diretora. Ela nunca romantiza completamente suas escolhas, mas também não as condena. O filme faz o público sentir o peso desse amor impossível, dessa relação sustentada pelo passado e corroída pelo presente. O que começa como afeto genuíno se transforma, aos poucos, em algo mais próximo da obsessão e Fennell conduz essa transição com uma carga emocional intensa, culminando em um desfecho devastador, que evita o espetáculo fácil e aposta em uma sensação profunda de vazio e perda.

Grande parte dessa força vem da química impressionante entre Margot Robbie e Jacob Elordi. Quando estão juntos, o filme ganha outra pulsação. Há conexão, desejo e dor em cada troca de olhar. Robbie entrega uma performance que reafirma sua versatilidade, transitando com naturalidade entre leveza, desejo e desespero. Ela magnetiza a cena, seja nos momentos de intimidade silenciosa, seja quando a personagem é consumida pela ausência. Elordi, por sua vez, constrói um Heathcliff cheio de camadas. Sua atuação vai do afeto contido à fúria emocional, passando por uma vulnerabilidade rara. Há uma doçura inicial que torna ainda mais dolorosa sua transformação posterior. Ele carrega alguns dos momentos mais intensos do filme, especialmente quando o silêncio diz mais do que qualquer fala.

Tecnicamente, o filme impressiona. A fotografia de Linus Sandgren é um dos grandes destaques, trabalhando cores de forma expressiva e emocional. O vermelho, o azul, o verde e o branco não estão ali apenas por beleza, mas como extensões dos estados internos dos personagens. A trilha sonora de Anthony Willis, combinada a um álbum original de Charli XCX, cria uma mistura curiosa e eficaz entre o clássico e o contemporâneo, ampliando a carga emocional das cenas mais intensas. O figurino de Jacqueline Durran complementa tudo isso com elegância, ajudando a definir época, classe e personalidade. O principal problema do filme está na montagem. Após a ruptura central, o ritmo se acelera de forma perceptível. As passagens de tempo, necessárias à história, acabam soando apressadas, diluindo parte do impacto dramático. Embora Fennell consiga recuperar a força emocional no clímax, permanece a sensação de que alguns momentos pediam mais respiro.

Ainda assim, O Morro dos Ventos Uivantes é um filme poderoso. Emociona, provoca e incomoda na mesma medida. Emerald Fennell entrega sua obra mais madura, assumindo riscos e reafirmando sua identidade como cineasta. É uma adaptação que não pede licença ao clássico, mas dialoga com ele a partir do desejo, da dor e da ambiguidade. Sustentado por performances intensas, um apuro visual impressionante e uma condução emocional envolvente, o filme se impõe como um dos grandes títulos do início de 2026. Um começo de temporada forte, autoral e difícil de ignorar, daqueles que permanecem no espectador muito depois dos créditos finais.
Amanda Alves
Amanda Alves

1 crítica Seguir usuário

0,5
Enviada em 19 de fevereiro de 2026
Independente de ser uma fanfic, não se mexe em time que está ganhando. spoiler:
Emerald Fennell apagou completamente um dos personagens mais importantes da história: Hindley. Por causa da maldade e da crueldade dele, Heathcliff buscou vingança e se tornou pior do que já era. Nesse filme, Heathcliff não tem motivação nenhuma! Aliás, Jacob Elordi não conseguiu transmitir a raiva do personagem. Margot Robbie apesar de ser uma ótima atriz, fez uma Catherine totalmente sem nexo. spoiler:
Joseph virou um cocheiro irrelevante, Edgar um dois de paus, Isabella parece que tem síndrome de Peter Pan, Nelly se tornou a vilã e o pai da Catherine foi transformado em um monstro, coisa que não acontece no livro. As cenas +18 são apelativas e sem nexo. Não é uma história onde existe um relacionamento saudável, pelo contrário. Os protagonistas são narcisistas, egocêntricos e não têm compaixão nenhuma com as outras pessoas. Infelizmente um clássico foi destruído, nota 0.
Vislei
Vislei

100 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 7 de maio de 2026
muito bom filme. não sei dizer se foi fiel a história do livro oi se estragou, pois nunca o li. mas gostei do filme. tinha uma expectativa alta e foi correspondida.
Wlad
Wlad

9 críticas Seguir usuário

2,0
Enviada em 4 de maio de 2026
Primeiro problema para assistir esse filme foi encontrar uma sala com linguagem original e legenda. Tive que me contentar com cópia dublada. Parecia que estava assistindo Sessão da Tarde com os mesmos surrados dubladores e as vozes de criança dos protagonistas sendo dubladas por adultos imitando vozes de crianças. Para mim a dublagem, com raras exceções, mata um filme. É um filme dos novos tempos em que as pessoas e as novas gerações principalmente esqueceram ou tem preguiça da leitura.
Vamos ao filme. Me causou estranheza os personagens de Linton e Nelly serem interpretados por um árabe e uma chinesa. Talvez alguma exigência mercadológica. A personagem de Isabela claramente foi inspirada em "Bete a feia".
O livro que inspirou essa produção não é uma história linear pois começa num etapa posterior ao desfecho do final do filme e sem dúvida, se o filme tivesse respeitado essa narrativa, haveria uma dramaticidade mais intensa e uma dimensão maior dessa trágica história de amor e ódio e do intenso sofrimento dos personagens. Convido a todos a ouvirem a belíssima música que a Kate Bush fez com esse mesmo título. Convido também a assistirem outras versões desse filme que retrataram mais fielmente a história do livro. Sou da opinião que clássico é clássico e não se mexe, mas a diretora optou por uma versão mais antenada com o senso comum das atuais produções artísticas de Hollywood. Concordo com o crítico que diz que saiu do cinema com a impressão de ter assistido uma inspiração de 50 tons de cinza. Sinal dos tempos.
Luana Grigoleto Rossi
Luana Grigoleto Rossi

1 crítica Seguir usuário

2,5
Enviada em 21 de março de 2026
Figurino e fotografia incríveis. Roteiro sólido e coeso. Plot clichê. A relação entre os personagens principais não é muito bem desenvolvida, principalmente como adultos. Não é nrm o pior nem o melhor filme que Margot Robbie e Jacob Elordi fizeram, mas não foi muito do meu agrado
Dra. Aline Souza
Dra. Aline Souza

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 20 de fevereiro de 2026
Pessoal, eu NÃO li o livro, mas pretendo!
Considerei a narrativa do filme impressionante e muito densa. Sinceramente, fazia tempo que eu não me emocionava tanto vendo um romance no cinema!
O filme trás falas muito significativas. Eu consegui ficar mexida com 2 cenas em específico.
A fala em que Catherine diz a Heathcliff :
" Você demorou demais e agora é tarde pra nós!"
Isso mexeu demais cmg!!! Quem nunca viveu um amor e uma paixão insurdecedora, intensa e ao mesmo tempo destrutiva e que você olha pra trás e só pensa: É, Acabou....a banda passou e a gente perdeu a música!
Depois não adianta quererem sintonizar a mesma vibração, porque ela se perdeu com todo o barulho e caos interno e externo! Cara. Isso me pegou demais! E o final, claro! Muito conectado com o início e tudo fazendo completo sentido para Cath e Heathcliff

O filme vale a pena! Deixa essa militância!
Ricardo L.
Ricardo L.

63.301 seguidores 3.232 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 7 de junho de 2026
Margot Jacob estejam esse remake remake por tantas vezes já filmado e aqui peca no básico, contar com energia o que está no livro, mas vai por querer encantar por seus protagonistas, até consegue em partes, mas na sua totalidade não.
Nelson J
Nelson J

51.039 seguidores 1.980 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 19 de março de 2026
Não parece um filme de época em seus elementos. Química li mitada e o filme se arrasta no tempo. Poderia ter estilo mais clássco.
Rodrigo Gomes
Rodrigo Gomes

6.172 seguidores 980 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 10 de abril de 2026
Uma versão bastante pop, e digo, a primeiro que realmente gostei de todas que assistir. Até melhor que o livro. O elenco e elementos usados, tornam o longa feito para agradar essa geração, destacando trilha sonora, cenas intensas, fotografia excelente e claro a caracterização impecável. Podemos dizer que o clássico ficou palatável.
Carlos Castro
Carlos Castro

989 seguidores 344 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 2 de junho de 2026
O que não falta é adaptação de Wuthering Heights, então entendo a proposta de alterar a narrativa…. Mas aqui, é como se fizessem uma releitura do brigadeiro, mas sem chocolate,
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