O Morro dos Ventos Uivantes
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2,8
207 notas

80 Críticas do usuário

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NerdCall
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59 seguidores 474 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 12 de fevereiro de 2026
O Morro dos Ventos Uivantes, dirigido e roteirizado por Emerald Fennell, chega como uma adaptação ambiciosa e declaradamente autoral da obra de Emily Brontë. Longe de buscar fidelidade literal, o filme se assume como interpretação emocional, estética e temática de um romance marcado por obsessão, desejo e destruição. Trata-se do maior projeto da carreira de Fennell até aqui, e também do mais pessoal: um filme que carrega sua assinatura com clareza, confiança e risco. Ao mesmo tempo em que inaugura a temporada cinematográfica de 2026 com força, consolida a diretora como um nome disposto a tensionar clássicos sem pedir permissão.

Desde o anúncio do elenco, a produção esteve cercada de controvérsias. Parte dos leitores da obra original questionou escolhas específicas, sobretudo a escalação de Jacob Elordi para um personagem descrito no livro como cigano e de pele escura. A resposta de Fennell nunca foi defensiva: o filme não se propõe a ser uma adaptação fiel, mas uma releitura. Não por acaso, a Warner Bros. opta por apresentar o título com aspas, reforçando esse distanciamento consciente do texto original.

Essa decisão não é apenas conceitual, mas estrutural. Fennell utiliza o romance de Brontë como base emocional e dramática, não como molde rígido. O que lhe interessa não é reproduzir cada evento, mas explorar sensações: o amor que nasce sem nome, o desejo que se transforma em ferida, a obsessão que corrói tudo ao redor. Essa liberdade criativa também dialoga com um momento recente do estúdio, mais aberto a propostas autorais, entendendo que risco e identidade podem resultar em filmes fortes tanto artística quanto comercialmente.

Narrativamente, o filme parte de uma estrutura conhecida: um romance atravessado por imposições sociais, pressões familiares e hierarquias rígidas. Isso é inevitável, dado o período em que a história se passa, no final do século XVIII, e o próprio DNA da obra original. A diferença está na forma como Fennell conduz esse material. Seu interesse não está apenas no amor proibido, mas no desejo como força desestabilizadora, visceral, incômoda e muitas vezes contraditória.

O primeiro bloco do filme é fundamental para isso. A diretora dedica tempo à construção do vínculo entre Catherine e Heathcliff desde a infância até a versão adulta, apostando menos em gestos grandiosos e mais em pequenas trocas: afeto, cuidado, cumplicidade. Não há pressa nem erotização precoce. O que se constrói ali é um amor silencioso, profundo e não verbalizado, que se enraíza de forma quase inevitável. Essa escolha dá peso emocional a tudo o que vem depois.

Quando ocorre a ruptura entre os dois, o filme muda de tom. O que antes era calor e intimidade se transforma em distância, ciúme e ressentimento. Anos se passam, e o reencontro já acontece sob outra lógica: agora existe o casamento, a obrigação social, o desejo reprimido. Fennell trabalha com precisão essa inversão, explorando o sentimento do querer sem poder. O amor persiste, mas se manifesta de forma torta, clandestina e dolorosa. O espectador é colocado em uma posição desconfortável: torce pela união dos dois, mesmo sabendo que ela carrega algo de errado, de destrutivo.

Essa ambiguidade moral é uma das marcas mais fortes da diretora. Ela nunca romantiza completamente suas escolhas, mas também não as condena. O filme faz o público sentir o peso desse amor impossível, dessa relação sustentada pelo passado e corroída pelo presente. O que começa como afeto genuíno se transforma, aos poucos, em algo mais próximo da obsessão e Fennell conduz essa transição com uma carga emocional intensa, culminando em um desfecho devastador, que evita o espetáculo fácil e aposta em uma sensação profunda de vazio e perda.

Grande parte dessa força vem da química impressionante entre Margot Robbie e Jacob Elordi. Quando estão juntos, o filme ganha outra pulsação. Há conexão, desejo e dor em cada troca de olhar. Robbie entrega uma performance que reafirma sua versatilidade, transitando com naturalidade entre leveza, desejo e desespero. Ela magnetiza a cena, seja nos momentos de intimidade silenciosa, seja quando a personagem é consumida pela ausência. Elordi, por sua vez, constrói um Heathcliff cheio de camadas. Sua atuação vai do afeto contido à fúria emocional, passando por uma vulnerabilidade rara. Há uma doçura inicial que torna ainda mais dolorosa sua transformação posterior. Ele carrega alguns dos momentos mais intensos do filme, especialmente quando o silêncio diz mais do que qualquer fala.

Tecnicamente, o filme impressiona. A fotografia de Linus Sandgren é um dos grandes destaques, trabalhando cores de forma expressiva e emocional. O vermelho, o azul, o verde e o branco não estão ali apenas por beleza, mas como extensões dos estados internos dos personagens. A trilha sonora de Anthony Willis, combinada a um álbum original de Charli XCX, cria uma mistura curiosa e eficaz entre o clássico e o contemporâneo, ampliando a carga emocional das cenas mais intensas. O figurino de Jacqueline Durran complementa tudo isso com elegância, ajudando a definir época, classe e personalidade. O principal problema do filme está na montagem. Após a ruptura central, o ritmo se acelera de forma perceptível. As passagens de tempo, necessárias à história, acabam soando apressadas, diluindo parte do impacto dramático. Embora Fennell consiga recuperar a força emocional no clímax, permanece a sensação de que alguns momentos pediam mais respiro.

Ainda assim, O Morro dos Ventos Uivantes é um filme poderoso. Emociona, provoca e incomoda na mesma medida. Emerald Fennell entrega sua obra mais madura, assumindo riscos e reafirmando sua identidade como cineasta. É uma adaptação que não pede licença ao clássico, mas dialoga com ele a partir do desejo, da dor e da ambiguidade. Sustentado por performances intensas, um apuro visual impressionante e uma condução emocional envolvente, o filme se impõe como um dos grandes títulos do início de 2026. Um começo de temporada forte, autoral e difícil de ignorar, daqueles que permanecem no espectador muito depois dos créditos finais.
Amanda Alves
Amanda Alves

1 crítica Seguir usuário

0,5
Enviada em 19 de fevereiro de 2026
Independente de ser uma fanfic, não se mexe em time que está ganhando. spoiler:
Emerald Fennell apagou completamente um dos personagens mais importantes da história: Hindley. Por causa da maldade e da crueldade dele, Heathcliff buscou vingança e se tornou pior do que já era. Nesse filme, Heathcliff não tem motivação nenhuma! Aliás, Jacob Elordi não conseguiu transmitir a raiva do personagem. Margot Robbie apesar de ser uma ótima atriz, fez uma Catherine totalmente sem nexo. spoiler:
Joseph virou um cocheiro irrelevante, Edgar um dois de paus, Isabella parece que tem síndrome de Peter Pan, Nelly se tornou a vilã e o pai da Catherine foi transformado em um monstro, coisa que não acontece no livro. As cenas +18 são apelativas e sem nexo. Não é uma história onde existe um relacionamento saudável, pelo contrário. Os protagonistas são narcisistas, egocêntricos e não têm compaixão nenhuma com as outras pessoas. Infelizmente um clássico foi destruído, nota 0.
Vislei
Vislei

100 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 7 de maio de 2026
muito bom filme. não sei dizer se foi fiel a história do livro oi se estragou, pois nunca o li. mas gostei do filme. tinha uma expectativa alta e foi correspondida.
Wlad
Wlad

9 críticas Seguir usuário

2,0
Enviada em 4 de maio de 2026
Primeiro problema para assistir esse filme foi encontrar uma sala com linguagem original e legenda. Tive que me contentar com cópia dublada. Parecia que estava assistindo Sessão da Tarde com os mesmos surrados dubladores e as vozes de criança dos protagonistas sendo dubladas por adultos imitando vozes de crianças. Para mim a dublagem, com raras exceções, mata um filme. É um filme dos novos tempos em que as pessoas e as novas gerações principalmente esqueceram ou tem preguiça da leitura.
Vamos ao filme. Me causou estranheza os personagens de Linton e Nelly serem interpretados por um árabe e uma chinesa. Talvez alguma exigência mercadológica. A personagem de Isabela claramente foi inspirada em "Bete a feia".
O livro que inspirou essa produção não é uma história linear pois começa num etapa posterior ao desfecho do final do filme e sem dúvida, se o filme tivesse respeitado essa narrativa, haveria uma dramaticidade mais intensa e uma dimensão maior dessa trágica história de amor e ódio e do intenso sofrimento dos personagens. Convido a todos a ouvirem a belíssima música que a Kate Bush fez com esse mesmo título. Convido também a assistirem outras versões desse filme que retrataram mais fielmente a história do livro. Sou da opinião que clássico é clássico e não se mexe, mas a diretora optou por uma versão mais antenada com o senso comum das atuais produções artísticas de Hollywood. Concordo com o crítico que diz que saiu do cinema com a impressão de ter assistido uma inspiração de 50 tons de cinza. Sinal dos tempos.
Luana Grigoleto Rossi
Luana Grigoleto Rossi

1 crítica Seguir usuário

2,5
Enviada em 21 de março de 2026
Figurino e fotografia incríveis. Roteiro sólido e coeso. Plot clichê. A relação entre os personagens principais não é muito bem desenvolvida, principalmente como adultos. Não é nrm o pior nem o melhor filme que Margot Robbie e Jacob Elordi fizeram, mas não foi muito do meu agrado
Dra. Aline Souza
Dra. Aline Souza

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 20 de fevereiro de 2026
Pessoal, eu NÃO li o livro, mas pretendo!
Considerei a narrativa do filme impressionante e muito densa. Sinceramente, fazia tempo que eu não me emocionava tanto vendo um romance no cinema!
O filme trás falas muito significativas. Eu consegui ficar mexida com 2 cenas em específico.
A fala em que Catherine diz a Heathcliff :
" Você demorou demais e agora é tarde pra nós!"
Isso mexeu demais cmg!!! Quem nunca viveu um amor e uma paixão insurdecedora, intensa e ao mesmo tempo destrutiva e que você olha pra trás e só pensa: É, Acabou....a banda passou e a gente perdeu a música!
Depois não adianta quererem sintonizar a mesma vibração, porque ela se perdeu com todo o barulho e caos interno e externo! Cara. Isso me pegou demais! E o final, claro! Muito conectado com o início e tudo fazendo completo sentido para Cath e Heathcliff

O filme vale a pena! Deixa essa militância!
Nelson J
Nelson J

51.030 seguidores 1.977 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 19 de março de 2026
Não parece um filme de época em seus elementos. Química li mitada e o filme se arrasta no tempo. Poderia ter estilo mais clássco.
Rodrigo Gomes
Rodrigo Gomes

6.170 seguidores 969 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 10 de abril de 2026
Uma versão bastante pop, e digo, a primeiro que realmente gostei de todas que assistir. Até melhor que o livro. O elenco e elementos usados, tornam o longa feito para agradar essa geração, destacando trilha sonora, cenas intensas, fotografia excelente e claro a caracterização impecável. Podemos dizer que o clássico ficou palatável.
Diogo Codiceira
Diogo Codiceira

24 seguidores 881 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 4 de maio de 2026
O morro dos ventos uivantes é um romance que contou com a direção e roteiro de Emerald Fennell. A trama segue no século XVIII, onde acompanhamos Catherine (Margot Robbie), que vem de uma família rica da Inglaterra. Seu pai, compra um adolescente chamado Heathciff (Jacob Elordi) para ser seu criado e amigo de sua filha. O tempo passa e ambos crescem juntos e acabam nutrindo um amor. Porém, diante da falência de sua família Catherine deve se casar com o rico Edgar (Shazad Latif). Nessa adaptação da clássica obra literária de Emily Brontë, temos mais um confronto da própria obra do que uma tentativa de traduzi-la. A ideia é tentar trocar o romantismo fantasmagórico por algo mais físico, beirando sempre o excessivo constante, desafiando as convenções sociais. A mesma tentativa foi feita pela obra original na época, mas aqui não atinge o mesmo sucesso. Com isso, partimos que o amor entre os protagonistas nao é algo sublime, mas puramente visceral, baseado no desejo e na autodestruição. Temos um Cathe sendo agente causadora do caos ( diferente da obra original), que buscou sua ascensão social e agora se vê presa e um Heathciff que se afastou e volta depois de 5 anos com sua vontade de retalhar o que sente pela sua amada. O grande problema é que tudo fica muito performatico no filme e perde-se o sentimento ou a profundidade disso. Tanto que o filme ganha mais quando os protagonistas compartilham suas dores e emoções ( tanto na infância quanto na vida adulta). Mas ainda é pouco, nao temos o sentimento de saudade, de vazio, de dor de forma mais profunda. O roteiro se esvazia ao colocar unicamente a ideia do desejo apenas no lado sexualizado, perdendo chances de colocar mais elementos fica muito carnal, que o filme é belíssimo com uma fotografia que enaltece a passagem fria, sem cores e com lama na casa do pai de Cathe e uma mansão colorida luxuosa de um outro lado. Tecnicamente o filme é belíssimo, penteados e figurino estão a altura. Uma pena, pois esperava bem mais da trama. Entendo perfeitamente a ideia de tentar inovar, mas acho que esse não era o caminho mais certo. Poderia tratar apenas como mais um elemento de um romance devastador
Guilherme  V.
Guilherme V.

19 seguidores 20 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 22 de fevereiro de 2026
Esse Morros dos Ventos Uivantes me ganhou.
Desde a versão com Tom Hardy não gostava tanto. A adaptação foi muito bem construída, a fotografia é linda e ajuda a criar aquela atmosfera intensa e melancólica que a história pede. As atuações são fortes, convincentes e sustentam bem o peso emocional da trama.
Dou 4 estrelas porque, na minha percepção, o Jacob poderia ter entregue ainda mais na fase em que o personagem retorna rico, senti que ali havia espaço para mais intensidade, mais impacto, mais transformação visível.
Ainda assim, é um filme marcante, esteticamente bonito e com uma adaptação muito bem feita.
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