Caramelo é um daqueles filmes que, de início, chamam a atenção pela estética. A direção de fotografia é impecável — cada cena parece saída de um comercial. Tudo é tão bem iluminado, colorido e “perfeito” que, às vezes, dá até vontade de comer o que aparece na tela. Visualmente, o filme é um prato cheio, mas essa beleza exagerada acaba tirando um pouco da naturalidade e da imersão.
A comédia, por outro lado, tem seu charme. É leve, boba em alguns momentos, mas ainda rende umas risadas. O problema começa quando o roteiro tenta sustentar o resto. A história é extremamente previsível e cheia de furos — a ponto de me dar preguiça de continuar assistindo. Parei o filme pela metade, e não por falta de tempo, mas por falta de vontade mesmo.
Outro ponto que incomoda é como o filme tenta forçar a ideia de ser brasileiro. Dá pra perceber isso no uso constante de músicas do Furacão 2000, muito funk e vários elementos que reforçam o estereótipo que o exterior costuma ter do Brasil. Curiosamente, não há espaço pro samba, mas sim pra uma visão mais superficial do que o país representa hoje. Parece, sinceramente, que o diretor é um gringo tentando reproduzir o “jeitinho brasileiro” que ele imagina — e não alguém que realmente vive e entende o Brasil.
Talvez isso explique o tom meio artificial de tudo: o filme é da própria Netflix, o que dá a sensação de ser mais um produto feito pra agradar lá fora do que pra representar de verdade o que somos aqui.
No fim, Caramelo é um filme bonito e até divertido em alguns momentos, mas que peca por ser raso, previsível e preso a uma imagem estereotipada do Brasil. Se acabar ganhando algum prêmio, vai ser mais pela embalagem do que pelo conteúdo.