Longe da TV há 10 anos, Priscila Fantin virou garçonete em Paris para se curar: "Comecei a ter pânico, mania de perseguição, eu tinha medo do mundo"
por Guilherme Rocha

Com papéis marcantes nas novelas da Globo, a atriz está afastada da teledramaturgia desde Êta Mundo Bom!, por questões de saúde mental.

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Você pisca e um dos rostos mais famosos da TV dos anos 2000 simplesmente decide sair de cena. Priscila Fantin deu seus primeiros passos na teledramaturgia aos 16 anos, como Tati de Malhação (1999-2000), ao lado de nomes como Samara Felippo. O destaque na novela teen abriu caminho para novos trabalhos, e não demorou para a artista chegar ao horário nobre da Globo. Em Esperança (2002), ela encarou o desafio de interpretar a italiana Maria.

Mas foi a parceria com o autor Walcyr Carrasco que rendeu alguns dos papéis mais marcantes de sua carreira. Primeiro, ela conquistou o público como a invejosa Olga de Chocolate com Pimenta (2003). Dois anos depois, veio um sucesso ainda maior: a protagonista Serena, de Alma Gêmea (2005), novela das seis que se tornou um fenômeno de audiência. O ritmo de trabalho seguiu com Beatriz, de Sete Pecados (2007), também escrita por Walcyr, consolidando Priscila entre os nomes de destaque da televisão brasileira.

Com o passar dos anos, porém, a atriz foi diminuindo o ritmo na TV por excesso de trabalho. Seu último papel fixo em uma novela foi a interesseira Diana, de Êta Mundo Bom! (2016). Depois, Fantin mudou radicalmente o visual para interpretar uma lutadora de MMA na série Rio Heroes (2018). Aos poucos, o teatro ganhou mais espaço em sua vida, tornando-se um lugar onde ela pôde atuar, produzir e trabalhar longe da rotina intensa das novelas.

Por que Priscila Fantin se afastou da TV?

A exposição constante e a falta de tempo para cuidar de si tiveram um peso importante nesse afastamento da televisão. Em meio à pressão da fama e à presença frequente de paparazzi, a atriz passou a enfrentar problemas de saúde mental. Em um dos momentos mais difíceis, decidiu deixar o Brasil e foi para Paris, capital francesa, onde trabalhou como garçonete enquanto tentava entender o que estava acontecendo consigo mesma.

Em uma conversa franca no videocast Desculpa Alguma Coisa, em 2024, Priscila relembrou o período e contou como se sentia:"Comecei a ter pânico, mania de perseguição, não conseguia pegar elevador, eu tinha medo do mundo", revelou. "Eu estava achando tudo estranho e falei: 'Vou sair de onde me conhecem pra ver se é isso mesmo. Se a fama, as pessoas, estão nesse lugar de me oprimir dessa forma'", afirmou à Tati Bernardi.

A viagem, no entanto, não resolveu tudo. De volta ao Brasil, a atriz recebeu o diagnóstico de depressão avançada e precisou passar por um longo tratamento psiquiátrico.

Eu quis ficar reclusa por um mês para melhorar, mas ainda tinha entregas de trabalho para fazer, presença e tudo o mais. Nem nesse momento de fato eu consegui ter um momento comigo

Hoje, aos 43 anos, a atriz está mais dedicada aos palcos e à própria vida. Profissionalmente, atua como produtora executiva, diretora artística e atriz em espetáculos teatrais independentes. Os projetos são desenvolvidos em parceria com o marido, o ator e produtor Bruno Lopes. Priscila também é mãe de Romeo, 15, fruto de seu antigo relacionamento com o ator Renan Abreu. Bruno, porém, assumiu a criação do garoto, que o chama de pai.

Neste ano, a atriz estrelou o filme O Shaolin do Sertão 2, uma comédia de ação ambientada dez anos após os acontecimentos do primeiro longa. Nos palcos, seu trabalho mais recente foi a peça As Amantes de George Washington, na qual contracenou com Claudia Ohana.

Estar envolvida em outros projetos não significa, porém, que tenha fechado definitivamente as portas para a televisão. Priscila já afirmou que aceitaria voltar a fazer novelas, desde que conseguisse conciliar melhor o trabalho com o bem-estar pessoal. "Eu sei que preciso ter uma balança. Eu não posso viver mais aquilo do que a minha própria vida", declarou

Guilherme Rocha
-Subeditor TV
Fã incondicional de reality shows que poucos admitem assistir, novelas clássicas com vilãs que amamos odiar, além de séries que são o auge do entretenimento despreocupado.
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