A melhor série de guerra do século escondeu um detalhe importante de nós até o final: A ideia "brilhante" foi de Tom Hanks
por Marco Rigobelli

A série da HBO criada por Tom Hanks e Steven Spielberg quis ser o mais fiel possível à história real.

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Transformar uma das experiências mais brutais e traumáticas da história em uma série de televisão já era um desafio enorme, mas Irmãos de Guerra conseguiu algo ainda mais complicado: contar a história dos homens da Companhia Easy sem exagerar ou mitificar seus feitos durante a Segunda Guerra Mundial.

A minissérie da HBO, criada a partir do trabalho de Erik Jendresen, Tom Hanks, Steven Spielberg e do capitão Richard Winters, acompanha o 506º Regimento de Infantaria Paraquedista da 101ª Divisão através de algumas das batalhas mais decisivas do conflito.

Um trauma geracional e histórico

Lançada em 2001, a série se tornou uma das grandes referências da ficção de guerra graças à sua escala, sua crueza e, acima de tudo, à vontade de se manter fiel ao que retratava. Para isso, foi realizado um enorme trabalho de pesquisa para garantir que aquilo que parecia inacreditável demais para ser ficção pudesse chegar à tela exatamente como aconteceu.

Aqui, Erik Jendresen foi uma das figuras fundamentais para levar a história da Companhia Easy à televisão. Além de atuar como roteirista e produtor executivo, ele também participou da pesquisa, das entrevistas e da verificação dos dados, reunindo cartas, documentos e depoimentos dos soldados reais. E também usou como base o livro de Stephen E. Ambrose publicado em 1992. O objetivo era claro: não tirar da manga uma história que parecesse real, mas reconstruir uma história real que já era extraordinária por si só.

O resultado foi um enorme trabalho documental de 235 páginas que Jendresen elaborou junto ao capitão Winters e com a participação de Tom Hanks. A pesquisa permitiu reconstruir com precisão as experiências dos membros da Companhia Easy e serviu como base para uma série que buscava mostrar tanto as suas façanhas quanto o custo humano da guerra.

Durante as filmagens, o documentarista Mark Cowen estava gravando material sobre a produção e aproveitou para entrevistar alguns dos soldados reais nos quais os personagens se inspiravam. Entre eles estava o próprio Winters. Aquelas conversas foram o que deram a Tom Hanks uma ideia que mudaria a forma de apresentar a série e que ajudaria a conectar ainda mais a ficção com as pessoas que haviam vivido aquilo na própria pele.

Em uma entrevista concedida à Academia de Televisão em 2023 – cujas declarações estão reunidas aqui –, Jendresen explicou como surgiu aquela decisão:

Quando eles entrevistam o verdadeiro Winters no final da série, Winters está falando comigo. Sou eu quem não aparece na tela, porque eu estava lá com o Mark quando ele o entrevistou. E ele estava conseguindo imagens incríveis desses caras. De repente, Tom [Hanks] percebeu: 'Pessoal, é assim que vamos fazer. E não vamos identificá-los até o último episódio'.

O mistério mantido até o último episódio

A ideia consistia em mostrar os veteranos falando sobre suas experiências durante toda a série sem revelar inicialmente a qual personagem da ficção cada um correspondia. Desse modo, o espectador podia conhecer os soldados primeiro por meio da dramatização e descobrir depois que aqueles homens tinham de fato existido.

Jendresen resumiu da seguinte forma:

Foi uma genialidade. Um detalhe brilhante e comovente, porque contextualiza o drama, não necessariamente o enredo. O enredo é o desenrolar da guerra. Ele contextualiza os homens e seus sentimentos. E fez isso com elegância, sem artifícios.

Irmãos de Guerra está disponível na HBO Max.

Marco Rigobelli
-Redator
Tenho uma história pessoal com O Bebê de Rosemary. Para mim, 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e consigo passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.
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