Chega ao Disney+ o suspense que questionará sua moralidade: "Esperamos que o público entenda por que elas chegaram até ali"
por Giovanni Rodrigues

Fúria, com Emmy Rossum (Shameless) e Lola Petticrew, está disponível no Disney+. Criada por Elizabeth Meriwether, a produção acompanha o tenso embate entre uma agente do FBI e uma assassina em série em uma trama cheia de dilemas morais.

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Se você procura um thriller viciante para maratonar atualmente, Fúria é a escolha ideal. Criada por Elizabeth Meriwether (The Dropout), a série já disponibilizou a maioria de seus episódios no Disney+ e caminha para a exibição de seu capítulo final em 31 de agosto.

A história acompanha Alice Black (Emmy Rossum), uma agente do FBI que persegue Katherine (Lola Petticrew), uma meticulosa assassina em série.

No entanto, à medida que a narrativa avança, ambas descobrem que compartilham muito mais do que imaginavam: as duas são vítimas de violência e buscam por justiça. A diferença está na maneira como cada uma decidiu alcançá-la.

"A série é sobre duas mulheres imersas na mesma busca por justiça", explica Rossum. "Ambas sofreram violência, mas respondem a ela de maneiras completamente diferentes. Alice acredita no caminho tradicional, no sistema, enquanto Katherine busca justiça, ou até mesmo vingança, por conta própria. No fundo, elas desejam coisas muito semelhantes, mas seguem caminhos opostos."

Foi precisamente essa ambiguidade moral que atraiu a atriz de Shameless:

Você começa com alguém que parece a heroína tradicional e outra pessoa que parece a vilã, mas aos poucos essas fronteiras começam a se apagar. Me interessava muito essa ideia de que as pessoas, e especialmente as mulheres, nunca são apenas o que vemos à primeira vista.

A criatura mitológica Medusa como símbolo de Fúria

Um dos momentos que melhor define a essência da produção é uma metáfora sobre o famoso mito da Medusa, sacerdotisa punida por Atena após sofrer uma agressão sexual cometida por Poseidon:

"Muitas vezes julgamos as decisões das pessoas sem conhecer o contexto que as levou até aquele ponto", afirma Petticrew. "Agora estamos começando a falar sobre algo muito importante: uma vítima não precisa ser uma pessoa moralmente perfeita para merecer dignidade e justiça. [...] A metáfora da Medusa encapsula perfeitamente o espírito da série. Liz criou um material incrível porque nunca oferece respostas fáceis."

Tanto Rossum quanto Petticrew concordam que toda a produção gira em torno de uma única questão: "O que precisa acontecer para que uma mulher comece a matar?". Essa dúvida funciona como o verdadeiro motor da história.

O importante não é apenas o que essas mulheres fazem, mas qual contexto as empurra até aquele lugar. A série vive constantemente nessa zona cinzenta. Pode ser que o espectador não concorde com suas decisões, mas esperamos que entenda por que elas chegaram até ali.

Um treinamento com agentes reais do FBI

Para interpretar Alice Black, Rossum quis se distanciar da imagem estereotipada de agentes federais na televisão. Por isso, trabalhou com agentes da ativa e aposentados do FBI, além de detetives do Departamento de Polícia de Nova York, para aprender desde técnicas de interrogatório até manuseio de armas e linguagem corporal:

Eles me ensinaram como interrogam, como se movimentam e até me recomendaram comer muito mais proteína e levantar mais peso para refletir melhor a exigência física do trabalho.

Por outro lado, Lola Petticrew também passou por um processo de pesquisa, mas reconhece que estudar casos reais de violência que inspiraram a série foi especialmente duro:

Não houve uma história específica que me impactasse mais do que outra. Tudo é devastador. Mas isso mesmo me fazia pensar que estávamos participando de uma série capaz de abrir conversas importantes.

Vale lembrar que a maior parte dos episódios de Furious já está disponível no Disney+, com o episódio final programado para ir ao ar no dia 31 de agosto.

Giovanni Rodrigues
-Redator
Já quis ser X-Men, caça-vampiros e paleontólogo, mas me encontrei no jornalismo. Como todo bom crítico cultural e aficionado por cultura pop, busco saber um pouco de tudo e muito sobre o que quase ninguém liga.
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