Os finais em aberto são superestimados: Ciência explica por que você realmente vai ficar acordado até tarde assistindo à nova série da Netflix
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

A era do streaming foi também o início das maratonas. Um estudo científico sobre o assunto identificou motivos surpreendentes para o hábito de assistir a séries em sequência de forma excessiva.

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Houve um tempo em que era preciso esperar uma semana ou até mais pelo novo episódio da sua série de TV favorita. Desde a ascensão dos serviços de streaming como Netflix, Disney+ e afins, essa era praticamente acabou, o que naturalmente também mudou de forma radical o comportamento de consumo dos fãs de séries. Muitos assinantes agora maratonam temporadas completas ou até séries inteiras em um curto período, evitando assim pausas angustiantemente longas após um cliffhanger chocante.

Segundo um estudo científico da Escola Técnica de Colônia, na Alemanha, de 2023, no entanto, esse não é de forma alguma o principal motivo para o maratonamento tão difundido.

Estudo sobre maratona: não são os cliffhangers, mas sim temas sombrios que viciam

Quase 2.000 pessoas foram entrevistadas pelo Instituto Schmalenbach para Ciências Econômicas da ET de Colônia sobre seus hábitos de consumo audiovisual, o que também incluiu os incentivos para maratonar séries. As respostas não deveriam se limitar apenas aos gêneros, mas se concentrar principalmente em estruturas específicas e características de conteúdo das séries. Ficou claro que, ao contrário do esperado, os cliffhangers não têm um efeito perceptível sobre o hábito de maratonar de forma obsessiva.

Segundo o Prof. Dr. Christian Zabel, líder do estudo, outros fatores desempenham um papel decisivo ao maratonar:

Um tom sombrio e tramas que se estendem ao longo dos episódios se correlacionam de forma muito positiva com as maratonas; já um ambiente cotidiano na narrativa apresenta uma correlação claramente negativa.

De acordo com os resultados, a duração dos episódios, o ritmo narrativo e a complexidade da estrutura da história também têm pouca influência sobre o hábito excessivo de assistir a séries. As produções dos gêneros policial/crime, fantasia, ficção científica e comédia se destacaram como as preferidas para maratonar. Por outro lado, séries de família, animação ou terror parecem menos adequadas para isso, conforme explicou Zabel.

Maratonar como escapismo da realidade: É por isso que Stranger Things e afins não nos largam

No entanto, também existem causas psicológicas para a tendência a maratonar. Segundo Zabel, foram pesquisadas conexões interessantes:

Descobrimos que são principalmente as pessoas mais jovens que maratonam, aquelas inclinadas a um estilo de vida hedonista ou escapista — ou seja, que buscam sobretudo diversão e prazer ou querem escapar do mundo real. Consequentemente, o desejo por tensão, diversão, entretenimento ou passar o tempo está intimamente ligado a esse comportamento

Assim, por exemplo, o sucesso da Netflix Stranger Things certamente se encaixa nesse padrão, já que se trata de uma trama cada vez mais sombria, que nos transporta para um mundo de ficção científica empolgante e fascinante, bem distante da realidade.

Fatores bastante importantes que poderiam ter deixado os resultados do estudo ainda mais concretos, porém, foram deixados de fora pela ET de Colônia. Circunstâncias de vida específicas, como ter crianças em casa, o tempo livre diário disponível ou o estado mental não desempenharam papel na pesquisa, embora seja bastante provável que influenciem fortemente o comportamento de maratonar séries.

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