Depois de 44 anos, uma obra-prima da Globo está de volta: Novela de 184 capítulos com amor proibido só surgiu por causa do SBT
Guilherme Rocha
-Subeditor
Fã incondicional de reality shows que poucos admitem assistir, novelas clássicas com vilãs que amamos odiar, além de séries que são o auge do entretenimento despreocupado.

Clássico de Benedito Ruy Barbosa da década de 1980, a primeira versão de Paraíso estreia no Globoplay nesta segunda-feira (20).

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Uma boa notícia para os fãs de novelas clássicas! Paraíso, sucesso de Benedito Ruy Barbosa, que faleceu no início deste mês, aos 95 anos, estreia no Globoplay nesta segunda-feira (20) por meio do Projeto Resgate. Exibida entre 1982 e 1983, a trama marcou época ao unir romance, religiosidade, conflitos e o universo rural retratado com maestria pelo autor.

Em 2009, a novela ganhou um remake adaptado pelas filhas de Benedito, Edmara e Edilene Barbosa. A nova versão, estrelada por Nathalia Dill e Eriberto Leão, encerrou recentemente sua reprise no canal Globoplay Novelas (antigo Viva).

Qual é a história de Paraíso?

Ambientada em uma pequena cidade fictícia chamada Paraíso, a novela acompanha José Eleutério (Kadu Moliterno), conhecido como Zeca e apelidado de "Filho do Diabo", que se apaixona perdidamente por Maria Rita (Cristina Mullins), a "Santinha". Os dois vivem um amor considerado impossível por muitos, cheio de idas e vindas.

Ao contrário de Zeca, que passou anos estudando no Rio de Janeiro antes de voltar à cidade para cuidar da fazenda do pai, Maria Rita passou parte da vida em um internato religioso. Sua mãe, a beata Mariana (Eloísa Mafalda), fez a promessa de que a filha se tornaria freira e alimentou por anos a crença de que ela era uma santa.

Tudo muda quando a madre superiora confirma que Maria Rita não tem vocação religiosa. De volta à cidade, ela cruza o caminho de Zeca, dando início a uma conturbada história de amor.

Um dos momentos mais marcantes de Paraíso acontece quando Santinha, reclusa em seu quarto e entregue às orações, consegue o "milagre" de salvar Zé Eleutério, gravemente ferido durante um concurso de peões. Em agradecimento pela graça alcançada, a jovem decide cumprir a promessa da mãe e entrar para um convento. Determinado a não perdê-la, Zé Eleutério toma uma atitude extrema e rapta a amada antes que ela siga a vida religiosa.

Mais um clássico rural

Em Paraíso, Benedito Ruy Barbosa voltou a explorar o universo rural, marca registrada de sua carreira. Até então, ele já havia abordado o tema em novelas como Meu Pedacinho de Chão (1971), O Feijão e o Sonho (1976), À Sombra dos Laranjais (1977) e Cabocla (1979).

"Foi a novela mais tensa que já fiz": Há 30 anos, Benedito Ruy Barbosa recebeu ameaças e desagradou políticos por causa de clássico da Globo

Criada para combater o SBT

Pouca gente sabe, mas Paraíso foi idealizada para combater o avanço da audiência dos programas populares do SBT, emissora recém-inaugurada na época. Em entrevista à Folha de S.Paulo, em 2009, Benedito Ruy Barbosa explicou como surgiu a ideia da novela:

O SBT tinha um programa [O Povo na TV] em que valia tudo. Padre benzia e as pessoas colocavam em cima dos aparelhos de TV um copo d’água e bebiam depois, para curar até câncer

Foi então que Boni convocou o novelista para ajudar. "Eu falei: 'Me deixa pensar um pouco'. Depois, fui falar com ele e disse: 'O SBT está botando água em cima da televisão e falando que a água é benta por Nossa Senhora [...]. Acho que, para combater aquela ave-maria, só mesmo um casamento do filho do diabo com a santinha'. E o Boni respondeu: 'Está aprovada!'"

Ligação com a novela Renascer

Anos mais tarde, Benedito resgatou um dos elementos mais emblemáticos de Paraíso em Renascer (1993), outro clássico do autor: a lenda do diabo preso em uma garrafa.

Na trama de 1982, a relíquia é comprada por Eleutério (Cláudio Corrêa e Castro), pai de Zeca. Quando a esposa morre após o parto do futuro peão, os moradores da cidade passam a culpar o suposto diabinho pela tragédia e chegam a acreditar que o menino é filho da criatura.

Já em Renascer, a história do diabinho na garrafa, conhecido como cramulhão, reaparece por meio de José Inocêncio (Antonio Fagundes) e Tião Galinha (Osmar Prado), estabelecendo uma conexão entre as duas novelas que entraram para a história da televisão.

Todos os 184 capítulos da primeira versão de Paraíso já estão disponíveis no catálogo do Globoplay.

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