Love, Death & Robots é uma daquelas séries que lembram por que a ficção científica continua sendo tão poderosa quando é liberada da obrigação de agradar a todos.
A Netflix tem títulos que já parecem sinônimos da plataforma. Stranger Things transformou um grupo de crianças, um Demogorgon e uma cidade cheia de segredos em uma das marcas mais fortes do streaming. Round 6 se tornou uma conversa global com jogos infantis transformados em pesadelo. La Casa de Papel tornou um macacão vermelho e uma máscara de Dalí impossíveis de separar do assalto televisivo moderno.
Mas a Netflix também guarda séries menos óbvias para quem busca algo mais raro, mais adulto e mais livre. Nem tudo precisa ser uma história longuíssima com temporadas de uma hora e reviravoltas feitas para o fim de semana. Às vezes, basta um curta de animação de 10 minutos para te deixar pensando mais do que uma série completa. E é aí que entra uma de suas apostas mais particulares.
A Netflix não vive só de seus grandes fenômenos, Love, Death & Robots é prova disso
A série é Love, Death & Robots, uma antologia animada criada por Tim Miller, com David Fincher entre seus produtores executivos. Estreando em 2019, a produção já tem quatro temporadas, 45 episódios e um prestígio que não veio do nada: mais de 28 prêmios, com destaque para seus 13 Emmys e múltiplos prêmios Annie. Nada mal para uma série que pode passar de um gato assassino a uma guerra futurista.
Love, Death & Robots não funciona como uma série tradicional. Cada episódio conta uma história diferente, com personagens, mundos, estilos visuais e tons próprios. Alguns capítulos duram apenas alguns minutos, e outros se aproximam mais de um curta completo de ficção científica, terror ou fantasia. A única promessa real está no título: amor, morte, robôs ou alguma mistura incômoda das três coisas.
A liberdade é justamente o seu maior atrativo. Um capítulo pode parecer um pesadelo cyberpunk. O seguinte, uma piada brutal. E outro, uma fábula filosófica com violência absurda. Há animação hiper-realista, 2D, stop motion, estilos próximos a jogos de videogame, designs experimentais e propostas que parecem saídas de um festival. Aqui, ninguém está tentando agradar a ninguém.
Ficção científica sem rodeios para adultos
Parte do encanto de Love, Death & Robots é que ela não tenta ser suavizada demais. Há sangue, sexo, humor negro, monstros, futuros horríveis, guerras, dilemas tecnológicos e personagens que às vezes duram menos do que se leva para se apegar a eles. Não é animação para crianças, nem pretende ser. Seu chamariz está em usar o formato animado como laboratório, não como zona segura.
Não é à toa que é tão comparada a Black Mirror, embora a série de Fincher e Miller seja mais imprevisível. Mas se Love, Death & Robots faz algo, é preferir abrir muitas portas de uma vez. Uma pode levar a uma distopia militar. Outra, a uma criatura ancestral ou a uma briga ridiculamente violenta entre monstros.
Quatro temporadas para encarar sem medo
O melhor é que você não precisa assisti-la em nenhuma ordem específica. Você pode começar pelo volume que quiser, pular capítulos, voltar aos favoritos ou deixar a Netflix rodar episódio após episódio como se estivesse entrando em uma galeria de pesadelos animados. Sua estrutura a torna perfeita para quem não quer se comprometer com uma trama eterna.
Com quatro temporadas já disponíveis, Love, Death & Robots conquistou um lugar incomum no catálogo. Não é o fenômeno massivo de Stranger Things, nem o sucesso viral de Round 6, mas é uma das propostas mais reconheceis, premiadas e ousadas da Netflix.
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