Uma série lançada em 2020 conquistou os assinantes da Netflix e também os profissionais de saúde mental.
Seis anos se passaram desde a estreia de O Gâmbito da Rainha, uma minissérie que quebrou alguns recordes na Netflix. Estrelada por Anya Taylor-Joy, a trama combina o universo competitivo do xadrez com uma profunda exploração emocional, acompanhando a trajetória de uma jovem prodígio que precisa lidar com os próprios demônios.
No enredo, Beth Harmon é uma órfã que descobre um talento extraordinário para o xadrez ainda na infância. Ambientado durante a Guerra Fria, o show mostra a ascensão de Beth no competitivo mundo dos torneios dominado por homens, enquanto ela busca se tornar a melhor jogadora do esporte.
Ao longo de sua trajetória, a personagem enfrenta não apenas adversários nos tabuleiros, mas também conflitos pessoais - incluindo traumas do passado e a dependência de substâncias químicas.
Assistida mais de 65 milhões de vezes: A minissérie da Netflix de 5 episódios que pertence a um universo de suspense com 13 partesO GÂMBITO DA RAINHA FOI ELOGIADA POR PSICÓLOGOS
Durante um artigo publicado em 2024 na revista Psychology Today, o psicólogo norte-americano Mark Travers explicou por qual motivo O Gâmbito da Rainha é frequentemente elogiada por profissionais de saúde mental. Segundo ele, a depressão e o vício são problemas que acometem milhões de pessoas ao redor do mundo, acontecendo de a série da Netflix explorar essas temáticas de maneira cuidadosamente sensível.
“O Gâmbito da Rainha retrata meticulosamente a jornada de Beth através do vício, bem como os efeitos isolantes de seu gênio”, começou discorrendo o especialista. “Os dramas frequentemente exploram de forma sensacionalista a depressão e o vício em pessoas de alto desempenho para criar narrativas mais envolventes [e este não é o caso de O Gâmbito da Rainha]”, acrescentou.
Ele ainda completa:
“Muitas das vezes, as séries enfatizam aspectos sexuais, violentos ou chocantes para reforçar o enredo e o efeito teatral, simplificando o processo de recuperação para mostrar como o gênio acaba triunfando. Essa abordagem pode resultar em uma representação distorcida que ignora a complexidade e a luta constante inerentes a esses problemas, reduzindo-os a meros elementos dramáticos da trama, em vez de experiências genuínas e vividas.”
E finaliza:
“O Gambito da Rainha subverte com sucesso esses estereótipos ao retratar de forma crua o quão isoladoras e implacáveis essas lutas podem ser para pessoas de alto desempenho. A série oferece uma visão transparente do vício de Beth, ilustrando como suas espirais descendentes são constantemente desencadeadas por traumas não resolvidos.”
Vale ressaltar que, em sua análise, Travers também elogiou a forma com que a animação BoJack Horseman aborda a mesma temática. Você pode conferir o artigo completo clicando aqui.