A popular minissérie da Netflix elogiada por psicólogos: "Um importante testemunho cultural para a compreensão da saúde mental"
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

Inúmeras séries de TV apresentam personagens que lutam contra o vício e a depressão. Esta produção da Netflix, em particular, recebeu muitos elogios de psicólogos.

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Segundo a Psychology Today, o vício e a depressão estão entre os problemas de saúde mental mais comuns no mundo. Não é de se admirar que muitas séries tentem retratar os problemas e desafios dessas condições – embora poucas consigam uma representação realista. Um desses exemplos pioneiros é a minissérie O Gambito da Rainha, da Netflix.

O Gambito da Rainha: Xadrez e vício

A minissérie excepcional e recordista de audiência foi lançada em 2019 e conta a história da ascensão da talentosa enxadrista Beth Harmon (Anya Taylor-Joy). Órfã, ela cresce em circunstâncias traumáticas e desenvolve um vício em remédios antes de descobrir sua paixão pelo xadrez, e inicia sua jornada para se tornar campeã mundial no esporte dominado por homens.

Ao longo de sua ambiciosa carreira, Beth se depara repetidamente com o trauma de sua infância e luta contra o crescente isolamento e a depressão. Seu passado a leva cada vez mais fundo no vício – e sua jornada rumo à recuperação é árdua e repleta de recaídas.

A revista destaca que a depressão e o vício são frequentemente retratados de forma simplificada ou simplista demais em séries de televisão. O psicólogo americano Mark Travers observa que muitas produções ou sensacionalizam os problemas de saúde mental para entreter ou chocar, ou banalizam e simplificam demais condições complexas para se adequarem a um enredo simples.

No entanto, Travers cita O Gambito da Rainha como um dos dois fortes exemplos de retrato realista do vício e da depressão, referindo-se a um relatório de pesquisa publicado no British Journal of Psychology. Nele, os pesquisadores examinaram o quão realisticamente os problemas de Beth e sua jornada de recuperação são retratados, após terem sido criticados por diversos setores como irrealistas.

A avaliação dos psicólogos sobre O Gambito da Rainha

A série ilustra de forma precisa que o abuso de drogas é frequentemente desencadeado por sentimentos como vergonha e isolamento. À medida que Beth supera esses sentimentos ao longo da série, ela também vence seu vício. Seus problemas não são minimizados nem exagerados, levando os pesquisadores à seguinte conclusão: "Em resumo, a recuperação de Beth não é irrealista, mas depende da superação de muitos fatores que a levaram ao uso de substâncias."

Segundo o relatório, a recuperação de Beth é compatível com doenças mais leves que os espectadores podem até reconhecer em suas próprias vidas – tornando-a uma representação significativa de problemas frequentemente silenciados. Travers resume: "Essa longa e difícil de assistir, porém verídica representação do trauma e do vício, faz de O Gambito da Rainha um importante testemunho cultural para a compreensão e discussão da saúde mental."

Para sanar sua curiosidade, a outra trama elogiada no artigo é BoJack Horseman, série animada que contém um dos melhores episódios de todos os tempos.

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