O ator até chegou a processar a Fox, emissora de Arquivo X, pelos lucros da série.
Quando nos lembramos de séries icônicas como Arquivo X, tendemos a esquecer que elas tiveram altos e baixos que antes eram considerados insuperáveis e hoje preferimos ignorar. Por exemplo, aquela vez em que David Duchovny decidiu deixar a série na 7ª temporada e impôs uma nova co-estrela para Gillian Anderson.
O clássico Doggett e Scully
21 de maio de 2000. A sétima parcela de Arquivo X estava prestes a terminar, e Requiem, o episódio final, terminou com dois ganchos narrativos: Fox Mulder foi abduzido por um OVNI e Dana Scully admitiu estar grávida. Os telespectadores tiveram que esperar cinco meses para ver como as histórias continuariam, ansiosos para descobrir o que havia acontecido com Mulder naquela nave alienígena.
O resultado foi... decepcionante. Scully foi informada de que o FBI estava montando uma equipe para encontrar Mulder, liderada pelo Agente John Doggett, um personagem cético interpretado por Robert Patrick – contratação que pretendia atrair os fãs de O Exterminador do Futuro 2, mas que não convenceu em nada os seguidores de Arquivo X.
Por fim, Mulder seria encontrado morto em uma floresta e acabaria ressuscitado alguns meses depois, no episódio 15. Ele permaneceria até o final da temporada, quando levou Scully para casa, antes de se esconder e não reaparecer por um longo período.
Na 9ª temporada, com a ausência de Mulder e Scully assumindo um papel secundário, a tentativa de revitalizar a série, agora estrelada pelos Agentes Doggett e Monica Reyes (interpretada por Annabeth Gish), girou em torno da descoberta do programa governamental de "super soldados", mas nunca decolou de verdade. O criador, Chris Carter, acreditava que poderia criar uma nova saga baseada nesses dois personagens, mas ninguém jamais se aventurou a fazer isso.
Na verdade, o próprio Carter os abandonou completamente em seus momentos finais, e a trama principal foi (mais ou menos) concluída quando Duchovny e Anderson retornaram para dar aos fãs uma despedida adequada. Mas o que aconteceu para que tudo desmoronasse tão rapidamente? Por que Duchovny decidiu deixar Arquivo X no auge de sua popularidade?
Episódios demais
O principal motivo foi bastante prosaico: o contrato do ator terminou na 7ª temporada. "Por mais que eu ame a série, acho que para mim este é o fim. Sempre acreditei que cinco anos eram suficientes, e sete é mais do que suficiente", afirmou Duchovny. Além disso, em diversas entrevistas, ele confessou que Mulder não tinha mais nada a fazer na série e que, para ele, o arco de seu personagem havia chegado ao fim.
Mas a realidade é bem diferente: em 1999, o ator processou a Fox pelos lucros da série. O processo alegava que a emissora conspirou para lucrar mais com as reprises, reduzindo os ganhos de Duchovny. Pior ainda, Carter, que de fato fez fortuna, sabia perfeitamente que estavam explorando a estrela e nunca disse uma palavra.
O ator, então, decidiu sair. Curiosamente, a Fox chegou a um acordo extrajudicial, pagando a David 20 milhões de dólares e estabelecendo um precedente que seria posteriormente utilizado pelos elencos de outras séries.
O ator aproveitou esses anos para tentar construir uma carreira no cinema (sem sucesso), estrelando filmes como Evolução em 2001, mas não demorou muito para que ele retornasse à franquia que lançou sua carreira. O filme Arquivo X - Eu Quero Acreditar foi um fracasso moderado, em parte porque era realmente ruim e em parte porque, na semana seguinte ao seu lançamento, Batman: O Cavaleiro das Trevas estreou e dominou completamente as bilheterias.
Após sete temporadas de Californication e deixando para trás antigas mágoas, Mulder e Scully retornaram com mais 16 episódios, distribuídos entre 2016 e 2018. A 11ª temporada nos presenteou com um final absolutamente delirante que praticamente garantiu que qualquer retorno da saga teria que ser sem os dois agentes principais. E assim será, com Ryan Coogler no comando do reboot. Acredite ou não, a verdade ainda está lá fora...