Melhor do que A Odisseia? É assim que O Bosque Selvagem justifica os 98% de aprovação no Rotten Tomatoes
por Diego Souza Carlos

Do estúdio de Coraline e Paranorman, Wildwood recebeu nota 4,5 de 5 pela crítica do AdoroCinema.

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Existem grandes trabalhos no cinema que merecem muita aclamação, mas passam despercebidos por serem nichados. Infelizmente, para todos do AdoroAnimação, isso ocorre bastante com filmes animados. Embora lendas do cinema, como Guillermo del Toro, nos lembrem que são linguagens universais e não parte de um gênero, a cultura da cinefilia está arraigada nas produções live-action.

Essa dinâmica felizmente muda quando filmes como Pinóquio, Homem-Aranha no Aranhaverso, O Menino e a Garça e Tartarugas Ninja: Caos Mutante furam a bolha ao mostrar como a indústria animada é tão forte quanto qualquer outra. Nesses casos, abre-se espaço para uma nova formação de público.

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Um projeto que enfrenta uma batalha curiosa agora, parte de uma seara amada dessa indústria, é O Bosque Selvagem. O filme stop-motion da Laika Studios com 98% de aprovação oferece uma aventura tão (ou até mais) épica que A Odisseia - e este texto é um convite para a oportunidade de assistir ao projeto e entender como o longa chegou a essa aclamação tão alta no Rotten Tomatoes e recebeu 4,5 de 5 na crítica do AdoroCinema.

O Bosque Selvagem é um épico tão impactante quanto A Odisseia

Não obstante aos 16 anos de desenvolvimento e quase uma década de produção ativa, O Bosque Selvagem conta é um esforço coletivo de arte humana. Enquanto o CEO da Laika Studios e diretor do projeto, Travis Knight, rejeita a inteligência artificial, a própria empresa demonstra a prova desse filme feito de maneira extremamente procedural nos cinemas. É um trabalho manual, que requer um apreço considerável com cada detalhe: elementos da natureza, o vento, expressões, cores e criaturas diversas compõem esse belo quadro mágico.

Baseado em livro homônimo, o longa pode se parecer com uma típica jornada do herói, com ares de isekai, no qual Prue deixa o mundo que conhecemos para se aventurar pelas várias áreas da Flores Impassável. Ecossistemas ricos alimentam essa fábula sombria na qual luto, perdão, comunhão e companheirismo perpassam cada arco. Ainda que tenha uma história inchada em alguns momentos, a grandeza do stop-motion faz os olhos de qualquer um brilhar. Se muitos enaltecem o trabalho de Christopher Nolan com A Odisseia, o mesmo deveria ser feito com Wildwood (no original).

Se em um temos deuses e guerreiros que atravessam a jornada de Odisseu, aqui a fauna e a flora de O Bosque Selvagem costuram a trajetória de Prue com elementos únicos de fantasia. Animais falantes, diferentes biotipos humanos e a floresta que responde aos sentimentos dos habitantes são apenas parte do longa.

Se deixarmos os aspectos técnicos de lados, temos um filme sobre amadurecimento em várias instâncias: da compreensão do luto à revelações dolorosas sobre a vida adulta, da relação e discrepância vindas da coragem e da violência à complexidade das ações diante do medo e do desespero. O Bosque Selvagem brilha com muitas riquezas narrativas e visuais.

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É claro que para ter acesso a toda essa grandiosidade, é preciso ir aos cinemas. Palavras são efetivas, mas elas são sempre um convite à arte por nossa parte. Sabemos que até o momento, o Oscar 2027 já tem um embate claro entre Wildwood e Toy Story 5, mas esqueçamos por um segundo essa disputa hollywoodiana para entender que enquanto ambos são ótimos filmes, o primeiro consegue estabelecer um ineditismo único na sétima arte.

E apenas para concluir: o ato final, com milhares de miniaturas em ação, é de deixar o queixo caído, de explodir mentes e de encher os olhos. Trata-se de uma batalha épica com o melhor uso deste adjetivo. Faz um eco não apenas com A Odisseia, mas nos remete às guerras de O Senhor dos Anéis, Game of Thrones, Vingadores: Ultimato e, embora não seja um dos meus favoritos, Avatar: Fogo e Cinzas.

Qual é a história de O Bosque Selvagem?

Um épico mágico e fantástico, O Bosque Selvagem acompanha a jornada perigosa de uma jovem de 13 anos chamada Prue McKeel que precisa recuperar seu irmão mais novo de uma horda de corvos que o raptou. Mac foi levado para uma cidade desconhecida para além dos limites de Portland, um lugar no qual ninguém deveria pisar, nem ao menos saber que existe. Mas determinada a salvar seu irmão, a obstinada e corajosa Prue, junto com sua desafortunada e nerd colega de classe Curtis, resolve se embrenhar nas profundezas dessa escondida floresta mágica.

O Bosque Selvagem está em cartaz nos cinemas.

Diego Souza Carlos
-Redator | Crítico
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.
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