Disney cumpre sua promessa e traz de volta a animação 2D para seu novo filme: O resultado lembra os melhores filmes da empresa
por Bruno Botelho dos Santos

O prólogo de Enfeitiçadas: Bem-Vindos a Hexe, que estreia em 26 de novembro nos cinemas, mostra a intenção da Disney de recapturar sua essência original.

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Numa época em que a inteligência artificial permeia as artes, parece incomum que empresas adotem a animação tradicional, mas a última iniciativa da Disney também carrega uma mensagem clara: num mundo saturado de 3D, a empresa promete retornar à essência que a levou ao sucesso. Assim, Enfeitiçadas: Bem-Vindos a Hexe, o novo filme da empresa, optou por uma abordagem nostálgica para oferecer algo inesperado.

Disney retorna às suas raízes em Enfeitiçadas: Bem-Vindos a Hexe

Durante décadas, a Disney e a animação desenhada à mão foram praticamente inseparáveis. De Branca de Neve e os Sete Anões (1937), o primeiro longa-metragem de animação do estúdio, a títulos clássicos como A Pequena Sereia, A Bela e a Fera, Aladdin e O Rei Leão, a empresa construiu grande parte de sua identidade por meio de personagens criados quadro a quadro.

A mudança começou no início dos anos 2000. A Pixar havia conquistado o público com os personagens tridimensionais de Toy Story (1995), então decidiu explorar a ficção científica, combinando animação 3D com filmes como Atlantis e O Planeta do Tesouro. O ponto de virada aconteceu em 2005 com O Galinho Chicken Little, seu primeiro longa-metragem inteiramente gerado por computador, sem envolvimento da Pixar.

A partir daí, e após o fechamento do estúdio de animação da Flórida em 2004, o 3D tornou-se a linguagem dominante da Walt Disney Animation Studios. Detona Ralph, Frozen, Operação Big Hero, Zootopia, Moana e Encanto foram os principais sucessos da empresa.

Nesse contexto, surge Enfeitiçadas: Bem-Vindos a Hexe. Seu prólogo desenhado à mão revive a linguagem visual dos contos de fadas clássicos para apresentar as origens do mundo mágico e a infância de Billie, antes do filme prosseguir com sua animação em 3D. Dessa forma, recupera a essência original da animação da Disney que havia sido relegada desde A Princesa e o Sapo (2009).

Na apresentação da VIEW Conference, a Disney exibiu mais de 30 minutos de cenas, embora tenha deixado claro que o restante do filme seguirá uma estética 3D.

O mais interessante é que a Disney parece ter encontrado uma maneira de revisitar seu passado sem abandonar o presente, embora muitos fãs sintam falta de um filme totalmente em 2D. Talvez o futuro da Disney não esteja em redesenhar tudo, mas em lembrar que o 3D não precisa ser a única forma de contar uma história.

Bruno Botelho dos Santos
-Subeditor | Crítico
Bruno é redator e crítico do AdoroCinema, que divide seu tempo na cultura pop entre tomar susto com os mais diversos filmes de terror, assistir os clássicos do cinema ou os grandes blockbusters e enaltecer o trabalho de David Lynch e Stanley Kubrick.
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