“Nunca tinha interpretado alguém assim”: Ben Affleck vive dilema no novo filme thriller policial da Netflix [Entrevista]
por Aline Pereira

Sobrevivência estreia hoje na Netflix com Ben Affleck interpretando político em situação de vida ou morte.

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Direção, produção, roteiro e atuação. É com todas estas funções que Ben Affleck estreia Sobrevivência hoje (9), na Netflix. Menos de um ano após Dinheiro Suspeito, o astro retorna ao streaming em nova produção original, no papel do candidato a prefeito de Los Angeles, Mark, que vê os planos irem por água abaixo quando um desastre acontece: o filho dele é sequestrado e, junto com esposa Abby (Kerry Washington), o político corre contra o tempo para conseguir o (muito!) dinheiro pedido pelo resgate – e a partir daí precisa tomar uma série de decisões questionáveis.

Sobre a variedade de funções que assumiu em Sobrevivência, Ben Affleck ressaltou não só a importância do trabalho em equipe para o sucesso do filme, como a mudança de perspectiva que as diferentes cadeiras deram a ele em seu trabalho como ator.

“Acho que eu não me sentia confiante, nem achava que conseguia ser consistentemente um bom ator até começar a dirigir. E dirigir me ensinou muito, porque passei a enxergar as coisas por outro lado. É muito fácil ficar preso à sua própria perspectiva, focado apenas naquilo que você está fazendo, sem conseguir enxergar o quadro geral”, contou em entrevista ao AdoroCinema.

“Vale a pena continuar torcendo?”: Ben Affleck explora personagem enigmático em Sobrevivência

O ator de Batman nos disse na entrevista que “nunca havia interpretado alguém assim” e que a moral cinzenta do protagonista foi um grande atrativo: é possível gostar e desgostar dele sem querer abandonar a história. E o mais importante: sem precisar necessariamente torcer por ele ou tomar seu partido:

“O que achei interessante nesse personagem, de certa forma, é que eu nunca tinha interpretado alguém assim. E, recentemente, parece haver uma espécie de movimento no cinema para impor cada vez mais regras aos filmes do tipo ‘você não pode dizer isso’, ‘não pode fazer aquilo’. E eu quero resistir a isso.

Quero permitir que seja um filme em que, sim, o protagonista possa ser muito falho. Em que ele possa dizer coisas que talvez façam o público se afastar dele por um instante, ou questionar moralmente até que ponto aquela é uma pessoa boa, alguém por quem vale a pena continuar torcendo”

O final de Sobrevivência é “supreendente e inevitável”

O ator (como produtor, diretor e co-roteirista) entende também que esta é uma escolha arriscada, já que pode acabar afastando o público. “É uma linha tênue e eu queria usar o desenvolvimento da trama como uma maneira de continuar prendendo a atenção da audiência”, explicou.

O vai-e-vem dos acontecimentos e personagens (o longa está recheado de personagens suspeitos e enigmáticos!) é o que gera, para Affleck, a sensação de surpresa. “Quando assisto a alguma coisa, quero continuar sendo surpreendido. Não lembro quem disse isso, não sei se foi Platão, Aristóteles ou alguém assim [Nota da editora: foi Aristóteles], mas existe aquela ideia de que o final precisa ser, ao mesmo tempo, surpreendente e inevitável”, pontuou.

Sobrevivência já está disponível no catálogo da Netflix.

Aline Pereira
-Editora-chefe | Crítica
Jornalista que ama boas histórias e combina a paixão por cinema e TV com comunicação para mergulhar ainda mais nos universos e personagens que já fazem brilhar os olhos. Pipoca, terror, dramédia e uma pitada de reality são a receita perfeita para todos os dias.
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