Quase ninguém se lembra do primeiro papel de Clint Eastwood em um faroeste, nem mesmo o próprio diretor do filme
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Ele nem sequer aparece nos créditos, mas a participação de menos de 30 segundos no filme de Charles F. Haas marcou um passo essencial no início de sua carreira em Hollywood, antecipando o carisma do futuro astro.

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É difícil imaginar o faroeste como gênero sem pensar imediatamente em Clint Eastwood, um dos grandes rostos da história do cinema. O ator acabou transcendendo a sétima arte para se tornar um verdadeiro ícone da cultura americana, com seu estilo taciturno, duro e cínico definindo boa parte do faroeste moderno, especialmente após sua colaboração com Sergio Leone na clássica Trilogia do Dólar.

No entanto, Eastwood não surgiu da noite para o dia como uma estrela. Nos seus primeiros anos em Hollywood, ele precisou aceitar pequenos papéis coadjuvantes, muitos deles sem crédito, enquanto tentava conquistar seu espaço na indústria. Antes do lançamento de Por um Punhado de Dólares em 1964, o ator já havia participado de diversas produções, como A Vingança do Monstro. Entre esses trabalhos iniciais está Crimes Vingados (1956), um faroeste bastante esquecido no qual Eastwood aparece por menos de 30 segundos, e cujo próprio diretor nem sequer lembrava de tê-lo no set.

Crimes Vingados: O faroeste esquecido de uma lenda

De acordo com o livro Clint: The Life and Legend, de Patrick McGilligan, Eastwood passou apenas um único dia no set de Crimes Vingados, interpretando Tom, um peão de rancho que não é mencionado nos créditos finais. O longa foi gravado no fim de agosto de 1955, quando o ator tinha somente 25 anos e buscava seu lugar em Hollywood. Naquele mesmo ano, ele havia atuado em A Vingança do Monstro como assistente de laboratório, contracenando com John Agar. Posteriormente, voltou a dividir cena com Agar, embora sua presença tenha passado despercebida.

Tanto que Charles F. Haas, diretor do filme, nem se lembrava da participação de Eastwood quando questionado por McGilligan anos mais tarde:

Se ele interpretou algum papel, deve ter sido mínimo, pois não tenho a menor lembrança dele nessa produção

Tecnicamente, o cineasta estava certo, já que Eastwood aparece apenas por alguns segundos. Ainda assim, é curioso notar como, mesmo em uma ponta tão insignificante, já despontavam características que mais tarde o transformariam em um astro.

O longa-metragem era estrelado por John Agar no papel do xerife Bill Jorden, responsável por manter a ordem na cidadezinha de Gunlock no século XIX. A trama gira em torno de Sam Hall (Richard Boone), condenado à forca pela morte de três fazendeiros. O dilema surge quando os poderosos criadores de gado da região pressionam pelo perdão de Hall, pois foram eles que o contrataram para expulsar os agricultores das terras. O confronto entre as duas facções coloca o xerife no centro de um conflito violento.

É exatamente nesse cenário que Eastwood surge em cena. Durante menos de 30 segundos, o futuro ícone do faroeste aproxima-se do xerife Jorden na rua e pergunta: "Hoje é o dia, não é?". Em seguida, conta que está indo ao cassino apostar que Hall se salvará da forca. O xerife o lembra de que o juiz determinou a execução para o pôr do sol, e Eastwood afasta-se com um sorriso irônico. Trata-se de uma participação minúscula, mas marcante, na qual o ator exala um carisma natural que já anunciava a estrela que viria a ser.

Crimes Vingados não ficou marcado na história como um dos grandes faroestes de Hollywood. Baseado no romance de Lee Leighton, o longa é uma produção correta e convencional, trazendo boas cenas de ação, mas preso aos clichês do gênero. Para Eastwood, no entanto, aquela breve aparição foi mais um degrau em uma trajetória que ainda estava distante de atingir o auge.

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