Estrelado por um elenco de peso, Wasp Network: Rede de Espiões conta a história real de uma rede de espiões cubanos criada nos anos 1990 com a missão de informar Havana sobre exilados nos Estados Unidos.
Desde o início dos anos 1960, organizações de exilados cubanos, instaladas principalmente na Flórida, núcleo histórico da comunidade hispânica, realizavam ataques e atentados em solo cubano.
Para combater esses grupos, o governo de Cuba enviava frequentemente espiões à Flórida com o objetivo de infiltrar essas organizações. No início da década de 1990, cerca de trinta agentes formaram a Wasp Network (Red Avispa, em espanhol, ou "Rede Vespa"), encarregada de repassar a Havana informações sobre as ações dos exilados.
Wasp Network foi adaptado do livro do jornalista e escritor brasileiro Fernando Morais, Os Últimos Soldados da Guerra Fria. A obra foi desenvolvida a partir de cerca de quarenta entrevistas realizadas pelo autor, que também teve acesso a documentos oficiais dos governos americano e cubano.
Foi a partir desse material consistente que o diretor Olivier Assayas retratou em Wasp Network: Rede de Espiões, gravado na própria ilha de Cuba, os bastidores desse projeto ultrassecreto, revelando as engrenagens da política e da história diante dessa guerra silenciosa.
Lançado no início de 2020 e disponível no catálogo da Netflix, o filme é sustentado por um elenco talentoso.
Um filme de espionagem focado nas mulheres
A começar pelo formidável Édgar Ramírez, com quem o diretor se reencontra dez anos após lhe entregar o papel do terrorista Carlos. Ele é acompanhado por Gael García Bernal e Wagner Moura, ator bastante conhecido dos assinantes da plataforma por sua marcante interpretação de Pablo Escobar na série Narcos.
Contudo, Wasp Network é também um filme de espionagem no qual as mulheres ocupam o centro da narrativa. Elas são interpretadas pela luminosa Penélope Cruz, definida por Assayas como "o coração emocional do filme", no papel de uma mulher que descobre que o marido é um espião e deixa de ser vítima para tomar as rédeas da própria vida; e por Ana de Armas, que "traz a dor de uma mulher traída, mas também confere alegria, energia e ingenuidade à sua personagem", explicou o cineasta.