"Spielberg me disse para não me deixar absorver pela indústria": A atriz que recusou Uma Linda Mulher e depois viu sua carreira fracassar
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Hoje seu nome é praticamente desconhecido, mas anos atrás ela esteve a ponto de conseguir papéis nos quais Julia Roberts e Winona Ryder brilharam mais tarde.

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É praticamente impossível imaginar Uma Linda Mulher estrelado por outra atriz que não seja Julia Roberts. Lançado em 1990, o filme também protagonizado por Richard Gere tornou-se um clássico absoluto da década e catapultou Roberts ao estrelato. Embora já tivesse vários projetos em sua filmografia, sua interpretação como Vivian Ward encantou o mundo inteiro com seu carisma e beleza.

Se Roberts não tivesse conseguido o papel, não sabemos como isso teria afetado seu sucesso hoje em dia. Porém, o que se sabe com certeza é que não ficar com a personagem influenciou profundamente a vida da atriz que havia sido escolhida como protagonista e acabou recusando a proposta.

Emily Lloyd: A atriz que interpretaria Uma Linda Mulher

Trata-se de Emily Lloyd, atriz britânica que parecia ter um futuro promissor pela frente e que começou a atuar muito jovem. Seu papel de destaque veio em 1987 com o filme Wish You Were Here e, com apenas 17 anos, ela decidiu ir em busca do sonho em Hollywood.

Após se destacar entre diversos talentos e estrelar Cookie (1989), a carreira de Emily Lloyd parecia decolar com força. No entanto, uma reviravolta inesperada mudou seus rumos quando ela recusou o papel de Vivian Ward em Uma Linda Mulher, dirigido por Garry Marshall, pois já havia se comprometido a estrelar a comédia Minha Mãe É uma Sereia ao lado de Cher.

O problema veio quando a atriz acabou sendo substituída em Minha Mãe É uma Sereia no último momento, perdendo ambas as oportunidades e abrindo caminho para que Roberts assumisse o papel ao lado de Gere.

O filme que tirou sua oportunidade de atuar no longa de Garry Marshall

Lançado em 1990, Minha Mãe É uma Sereia foi uma comédia estrelada por Cher ao lado de Christina Ricci e Winona Ryder. No entanto, foi justamente o papel de Ryder que acabou sendo tirado de Lloyd por um capricho de Cher. Por isso, o processo de sua demissão não apenas afetou sua trajetória, mas deixou nela uma lembrança extremamente dolorosa pela forma como foi dispensada.

"Quando as filmagens de Minha Mãe É uma Sereia começaram, Cher chegou. Ela tinha sido escolhida para interpretar minha mãe e tinha um ego tão grande quanto seu cabelo. Olhou fixamente para mim através de seus óculos de sol ridículos por um bom tempo e finalmente gritou: 'Você não se parece geneticamente comigo'", recordou a atriz britânica. "Era improvável que nos conectássemos depois disso. Demitiram o diretor, aparentemente por insistência de Cher", acrescentou Lloyd.

Algumas semanas depois, disseram-me que não precisariam mais de mim. Winona Ryder, com seu cabelo no estilo Cher, me substituiu

No final, Ryder ficou com a personagem Charlotte Flax e inclusive foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante por seu trabalho no longa.

O conselho de Steven Spielberg que Emily valorizou em sua carreira

Em um artigo escrito por ela mesma para o jornal Daily Mail, Emily Lloyd relembrou os primeiros passos promissores de sua carreira e os contatos que conseguiu fazer em Hollywood. Durante esse período, ela chegou a se reunir pessoalmente com Steven Spielberg, que lhe deu conselhos valiosos.

Aquela conversa com o renomado diretor deixou uma marca profunda no início de sua trajetória, conforme ela relatou:

"Steven Spielberg me pediu para me encontrar com ele nos escritórios da Amblin Entertainment. Como um tio carinhoso, me disse que tinha visto o filme e adorado minha atuação."

Ele me disse para não me deixar absorver demais pela indústria. 'Mantenha-se jovem', aconselhou. 'Divirta-se. Seja uma criança e vá à Disneylândia'

O conselho soa extremamente valioso, especialmente considerando que Emily migrou da Inglaterra para Hollywood com apenas 17 anos.

Após perder espaço em diversos projetos, o agravamento de seus problemas de saúde mental acabou com suas chances como protagonista. A partir de então, sua carreira ficou limitada a participações coadjuvantes.

Assim, ao longo dos anos 1990 e 2000, conseguir papéis tornou-se cada vez mais difícil, o que a levou a se aposentar definitivamente da atuação há mais de dez anos.

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